Era uma bela tarde de sexta em minha cidade, Porto Alegre. Eu estava sem nada para fazer, então decidi passar a tarde lendo, na pracinha perto de casa. A leitura estava fluindo bem, fiquei tão entretida no livro, que só parei de ler quando uma sombra entrou na frente da luz, era final de janeiro, então a luz do dia ainda estava no horário de verão – que eu amo.
- Você passa tanto tempo com a cara enfiada nos livros, que nem nota a presença da sua pessoa favorita, Nicole.
Só essa frase, com a voz do meu irmão, já me fez pular de alegria e esquecer o livro.
- Matheus!!
Ele é meu irmão gêmeo, quando éramos pequenos, fazíamos quase tudo juntos: aula de box, assistir filmes, ler livros, jogar videogame. Eu aprendi a jogar futebol para ajudar nos treinos dele, ele aprendeu sobre maquiagem para me ajudar na preparação das festas, enfim sempre fomos extremamente unidos, menos nessas férias, já que ele foi passar o Natal na casa do nosso pai, em Juiz de Fora.
Ele estava exatamente como eu me lembrava, levando em consideração que ficamos quase 2 meses sem se ver pessoalmente, o cabelo claro estava um pouco maior do que deveria, os olhos castanhos ficavam verdes à luz do por do sol, um sorriso perfeito de quem usou aparelho por 2 anos e a pele clara estava levemente bronzeada, provavelmente por curtir as cachoeiras que existem por toda parte em Minas.
Voltamos para casa lado a lado, conversando sobre como foram os últimos meses.
- Eu realmente não entendo o porque de você gostar tanto daquele lugar, não tem nada para fazer o dia todo.
Ele riu.
- Claro que tem, o pai me levou para o interior, a gente foi pescar, nadar na cachoeira, aproveitar a distância da cidade e tudo mais.
- Aposto que te levou para beber também.
Ressaltei o meu tom de reprovação, já que o meu irmão sabe o que penso sobre adolescentes que bebem demais, principalmente bebidas fortes.
- Acreditaria se eu disser não?
- Não.
- Mas é verdade, tudo o que eu bebi foi por conta própria, ele não me induziu a nada, se esse é o se medo.
- Meu medo é que você se torne um babaca, como ele é.
- Sabe que isso nunca vai acontecer – ele disse me abraçando de lado – principalmente porque eu tenho você, que sempre me trará de volta da escuridão.
Sorri, realmente feliz por ele estar de volta.
- Fico contente em ouvir isso. Agora anda logo, estou com saudade de te detonar em todos os jogos da nossa coleção.
Ao chegar em casa, o Matheus foi tomar banho, porque disse que tinha chegado do aeroporto e, quando viu que eu não estava em casa, foi me procurar na praça.
Fui comer alguma coisa, porque fiquei muito tempo fora, lendo, e decidi fazer um chimarrão. Esquentei a água e enchi uma garrafa térmica com ela, depois preparei a minha cuia e coloquei um pouco da água quente nela. O chimarrão estava amargo, perfeito para uma tarde de verão.
Fui assistir alguma série na Netflix para esperar o Matheus, e mandei mensagem para a Kátia, minha melhor amiga, para avisar que meu irmão estava de volta à cidade.
Ei, K, já sabe da novidade?
Oi, N. Não sei, que novidade?
Meu irmão acabou de voltar da casa do meu pai, achei que você gostaria de saber em primeira mão.
Do que adianta? Ele nem sabe que eu existo :(
Você não pode ter certeza, você nunca tentou.
... vou tentar
:)
Quando Matheus finalmente saiu do banho, eu já estava pronta para detonar tudo. Passamos a noite e madrugada toda jogando.
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VIRTUAL
RomanceRelacionamento à distância é algo comum nos dias de hoje, apesar de nem todas as pessoas gostarem. Nicole é uma dessas pessoas, nunca se imaginou em se interessar por alguém que mora em outra cidade, que dirá em outro estado. Mas é como diz o velho...
