Levar o resto do trabalho para sua residência estava fora de cogitação, já que Henry nunca fora desse tipo, preferindo constantemente ser o exemplo em virtude de seu grande cargo na empresa. Muitos dos outros funcionários o invejavam pela sua determinação e até mesmo pela sua frieza, já que Henry nunca envolvia relações muito pessoais com seu próprio trabalho.
Claro que isso não o impedia de olhar para algumas regiões mais íntimas de sua diretora financeira, que na maioria das vezes parecia não ter maldade alguma sobre seu superior. Naomi Yamada foi contratada a cerca de dois meses atrás, alegando que precisava de trabalho em razão do tratamento da doença de seu pai e outros choramingos. Henry nem prestou muita atenção, até porque, a maioria das outras fêmeas que trabalhavam na empresa não passavam de verdadeiras barangas fedorentas, portanto só trouxe Naomi para dar uma variada.
Henry contou pelo menos doze mensagens de sua irmã, Bethany, no celular, perguntando a ele se compareceria ao jantar de hoje. De acordo com ela, havia um comunicado importante. O tipo de comunicado importante que ela dava era sobre o que eles jantariam amanhã, normalmente. Apenas dizia que era importante para atiçar a curiosidade de Henry e o trazer logo para casa. Não era que ele não gostasse de Bethany, mas havia momentos em que ele simplesmente gostaria de ser filho único.
Fretcher só deu sua tarefa como finalizada quando ela finalmente fora encerrada. Seu corpo e mente estavam preenchidos pelo estresse, organizando seus últimos pertences para que voltasse pra casa e ficasse mais estressado ainda.
- Boa noite, chefe. - Naomi se despediu dele assim que o mesmo deixou a sala, com sua beleza sublime de hábito. Henry estava ocupado demais até para trocar palavras, por isso somente lançou um sorriso ladino na direção da asiática.
O caminho de volta foi menos demorado do que imaginava, o que fez com que Henry voltasse para casa com a convicção de que apenas tomaria um bom banho e descansaria, mesmo que não fosse por muito tempo. Porém, as visitas barulhentas de sua casa lhe provaram o contrário para sua infelicidade.
A dois cômodos de distância da sala de jantar já poderia escutar as conversas de sua irmã com alguma visita, aparentemente um homem. Um homem que poderia fazer parte do comunicado - verdadeiro comunicado dessa vez - que ela daria.
- Henry! Achamos que você não ia estar aqui pro jantar! - Bethany exclamou ao notar a presença do irmão mais velho, junto com um homem que sorriu com simpatia para ele, e o outro que nem fez questão de o olhar - Bom, acho que esse é o meu comunicado.
- Que comunicado? - Henry questionou com uma sobrancelha arqueada, olhando para os dois rapazes tentando se lembrar de onde já os tinha visto.
- Esse é o Hugo, meu namorado - Bethany apontou com o olhar para Hugo, o homem que assimilava ser mais velho do que o outro. Ele sorria gentilmente, talvez para tentar se enturmar com seu cunhado - E esse é o meu cunhado, David. Bom, eu finalmente arranjei coragem para te apresentar o Hugo, nós namoramos há três semanas e eu estive procurando a hora certa para te dizer.
Henry meio que entendia o porquê. Mesmo com o sono, as memórias do executivo se recordaram daqueles rostos. Hugo e David Sánchez eram membros de uma gangue da qual alguns de seus funcionários se meteram em um grande problema no passado, a verdade é que eles não eram nem um pouco gentis como pareciam ser, e muito menos eram bons o suficiente para sua irmã. Henry não tinha discriminação com aquele tipo de gente nem nada, mas a questão é que ele achava que Bethany merecia bem mais que aquilo.
- Com licença, Beth.. podemos conversar a sós por um instante? - Henry desviou seu olhar para o mais calado de todos, que via alguma coisa interessante em seu celular e nem se preocupava em ter uma boa reputação com o cunhado de seu irmão.
- Ah, claro, só espera um.. - antes que Beth voltasse a conversar empolgadamente com os garotos, Henry a puxou pelo pulso para outro cômodo da magnífica residência - Ei, espera, me solta!
Antes que Henry iniciasse com seu sermão e seus mil motivos para acabar com aquele relacionamento, olhou para todos os cantos ao seu redor para se certificar de que não tinha ninguém, então ficando pronto para liberar o bolo que havia na garganta.
- Ficou maluca, Beth?! Nunca ouviu falar sobre essa família?! - Henry tentou dar sua bronca o mais baixo possível para que eles não ouvissem do outro lado - Esses caras são uns dois sem-futuro que só sabem viver de drogas e bebidas. Acha isso certo?!
- Primeiro, Henry, a maioria das coisas ditas sobre eles são boatos - Bethany soltou seu pulso com força, sem medo de iniciar uma discussão em favor do namorado - E outra, eu sei muito bem me cuidar! E mesmo assim, eu não preciso, sei que o Hugo não é esse tipo de pessoa.
- Sério? Não é? Então me fala, onde vocês dois se conheceram? - Henry cruzou os braços com desdém, já tendo uma certa ideia de qual seria a resposta de Beth.
- Em uma boate. - Henry suspirou alto, revirando os olhos e balançando a cabeça com desgosto - Mas não foi o que parece, Henry! Você fala como se ele tivesse apontado uma arma pra minha cabeça para nós dois namorarmos. Eu não tenho culpa se você adora julgar as pessoas pelas aparências.
- Você tem que terminar esse namoro agora, Bethany! Agora mesmo, tá me ouvindo?! - o irmão quase gritou, mudando seu tom de arrogante para furioso em uma questão de segundos.
- Supere, Henry Fretcher.
Bethany não deixou que ele falasse nem mais uma palavra, voltando para a sala de jantar e conversando alegremente com seu namorado e seu cunhado, como se nada tivesse acontecido no cômodo ao lado. Mas isso não ia ficar assim. Fretcher iria acabar com isso, mesmo que significasse acabar também com a felicidade da irmã. Não só por eles serem perigosos, mas principalmente por eles poderem manchar o nome da família.
Henry estava determinado a acabar com isso, não importassem quais fossem seus obstáculos.
YOU ARE READING
O CEO e o Badboy
RomanceO que acontece quando dois mundos diferentes se encontram? Henry Fretcher é o CEO da SL (Silverlight) Equipments, uma empresa responsável pela produção de equipamentos médicos, e a empresa fundada pelo seu pai. Embora tente manter as aparências, Fr...
