Seria tarde demais se eu percebesse o quanto eu era estúpida? Era agoniante, eu nunca iria saber que eu estava praticamente sendo uma escrava.
A escova de cerdas lisas é passada pelo meu cabelo que parecia incrivelmente brilhoso, minha mãe dissera que certos tipos de comida faziam nosso cabelo melhorar. Isso é bom, assim não precisaria gastar meu mínimo salário com besteiras para cabelo.
A cortina estava encardida, então a pouca luz que entrava no quarto, era quase amarela. Às vezes me pergunto oque estou fazendo da minha vida, sendo que nem tempo de lavar a cortina tenho.
Vesti uma roupa surrada, uma que eu poderia rasgar e queimar para poder trabalhar em uma padaria suja e horrivelmente quente.
Eu provavelmente estava preparada para uma guerra; Cabelo amarrado, roupa velha e sapatos desgastados.
Mas eu estava apenas me preparando para trabalhar.
- Bom dia senhorita Kim.- Um dos empregados da padaria me cumprimentou, mas eu apenas acenei com a cabeça. Não gosto de ter nenhum tipo de contato com os homens daqui, tenho uma má impressão de todos.
Eu tenho instintos bons, minha mãe me disse e acredito que herdei isto dela.
Mas não acredito que o instinto dela seja tão bom assim, ela nem mesmo percebeu que meu pai tinha uma enorme vontade de matá-la.
A cancela do balcão ía e voltava, parece que todos são trabalhadores aqui mas na verdade era eu a escrava.
Aquele barulho de madeira encostando seguidas vezes uma na outra, estava prestes á me irritar. Mas apenas botei um pano em meu cabelo e começo mais um dia de fazer massas.
- Ei Kim, me chama quando a massa estiver pronta.- O homem encostou no balcão com um palito entre os dentes, seu fedor de álcool era o mais evidente.
- Sim senhor.- Confirmei sem cruzar olhares pois tudo o que menos queria era dar motivos para ele me assediar.
Depois de um tempo esticando massas eu voltei para o balcão para olhar o movimento na padaria e uma garota chamou minha atenção.
Sua pele era branca e seu cabelo extremamente escuro, sua roupa era delicada e sua pele de porcelana.
Assim que olhei para a minha pele percebo que o meu nível é bem a abaixo do dela.
- Bom dia senhorita!- Ela dizia animada e eu me surpreendi.
Uma madame me chamando de senhorita? Sem me esmurrar como barata no chão?
- B-bom dia oque deseja?- Eu desastradamente peguei o bloco de notas.
- Gostaria de encomendar 900 unidades de canapés, soube que o de vocês tem uma receita especial!- Ela me observava com brilho nos olhos mas não entendia o porquê de tanta animação.
- E-eu sinto muito senhorita, é possível que os nossos canapés já não sejam os mesmos.- Digo lentamente tentando fazer com que a mulher não se arrependa depois de gastar dinheiro.
- Uh, seu chefe sabe que fala isso? Hahaha.- Ela sussurrou mas sua risada era alta fazendo com que as pessoas na rua voltassem a atenção na moça na minha frente.
- E-eu estou apenas sendo sincera senhorita.- Apavorada eu olho para os lados conferindo se ele possivelmente poderia estar ouvindo.
- Tudo bem, então faça você, diga que mandei, eu sei que era sua mãe quem fazia. Não se preocupe, um dia conseguirá sair daqui.- A moça saí deixando um pedaço de papel sobre o balcão.
"Kim Jisoo - Kiss&makeup
13578-0942
Virei pegar daqui á três dias!
Qualquer imprevisto me ligue."
Talvez a madame não saiba que um telefone é caro e eu não tenho condições para comprar um, apenas temos um na loja.
- Noah, temos encomenda, infelizmente ficarei trancada na cozinha três dias seguidos!- Digo tentando fazer com que minha voz alcançasse o ajudante.
- É uma pena, mas não pense que vai ficar de folga.- Ele diz lavando sua mão enquanto observava o quadro de avisos.- Kiss&makeup huh? Então ela trabalha para esta famigerada empresa.
- É famigerada? Eu não sabia.
- Você atende madames e nem percebe, se o chefe souber disso,- Ele fez um gesto de garganta cortada.- Já era.
- Eu sei, mas ele não sabe não é Noah?- Disse me encostando na mesa.
- Talvez.- Ele sorri, pois ele já sabia onde aquilo iria parar.
Ou era isso ou sofrer alterações anormais no meu corpo por trabalhar em um inferno sentindo meu braço dolorido e parar de pouco á pouco. Ou minha perna bamba com várias veias de tanto ficar em pé.
(...)
Hoje eu acordei na cama dele, acordei de novo, eu não me orgulho disso, eu não gosto disso, provavelmente existem outros caminhos, mas por quê eles não aparecem para mim?
Era melhor do que a minha condição.
- Jen, que tal vir tomar um banho?
Apesar de Noah ser uma pessoa muito gananciosa, ele tem um lado de cuidado nele. Pois ele passava a esponja tão levemente nas minhas costas, a vontade de voltar para a cama e dormir só aumentava. Mas eu não posso faltar. Eu tenho que voltar.
- Creio que isso não será para sempre.- Noah diz em uma voz baixa.
- O quê?
- Você é uma mulher de verdade Jennie, sempre admirei você, como mulher. Meu tio é realmente um babaca em tudo, e sabe, você não precisa transar comigo toda vez que quiser esconder um segredo.- Sua mão escorrega de minha costa com meu movimento, virando-me de frente para ele.
- E-então...?- Eu não sabia oque dizer, ninguém nunca havia me tratado daquele jeito.
- Eu gosto de você, e sobre eu te tocar naquele dia sem sua permissão, eu sinto muito, infelizmente começou desse jeito, mas eu gosto de você á muito tempo e eu só tinha vontade de te abraçar.
- Não, não, a culpa não é sua...
- É claro que é Jen, você não pode viver se culpando e se desculpando. Mesmo que se ache impotente, você não é, eu sei disso.
- Obrigada...- A ponta de seu nariz estava vermelha devido o vento frio, seu cabelo loiro agora estava escuro por conta da água, sua pele era ferida por toda parte; oque me faz imaginar:
Quem sente mais dor?
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Passenger
FanfictionJennie é uma dos poucos moradores do distrito de Sailbon, um dos mais pobres da Província de Gwangyoksi. Ela trabalhava como assistente de um padeiro popular, mas era freqüentemente assediada pelo mesmo, fazendo sua revolta aumentar á cada dia. Em u...
