One

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William e eu estamos fugindo há 84 dias. Uma corrida sem fim que não chegará a lugar algum. No meu planeta, a noite tem 28 horas e o dia tem um tom de rosa anormal para os terráqueos. Terra... O planeta habitável que eu sonhava conhecer, que eu pretendia visitar, mas que agora, não poderei mais...

Sonhava com as cidades e suas modernidades, porque aqui é tudo sem graça. Os mares são agitados demais para barcos e o céu quente demais para aviões. Os professores falavam que os motivos para isso eram nossas três luas e sol um pouco mais perto que o da Terra.

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Acordo com o barulho muito alto de sirenes. Eles nos acharam, é o nosso fim! “É só um carro de socorro” ele diz com um sorriso confortador. Aclimato-me de imediato e me aconchego em seus braços sentindo a pistola em sua cintura. Ainda não a usamos e espero continuar assim. Estamos parados no nosso carro, descansando. Nossa casa. “Durma Simon!” ele sussurra.

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William assobia enquanto dirijo. Passamos quinze minutos arrombando carros em um estacionamento, buscando dinheiro. O dia quente e rosa me estressavam, porque me lembrava de antigamente. Antes da fuga.

Paramos em um supermercado para comprar comida. Entramos separados, logo ficando distante. Não podíamos ser vistos juntos em câmeras de segurança. Buscando por coisas que deem substancias, percebo o segurança me encarando. Tentei disfarçar me locomovendo e então, quando percebo que é inútil, vou até o banheiro me esconder. Preciso proteger William. Ele é inocente.

Lavei o rosto com medo da minha tinta de corpo sair, mas não, ela agora é permanente. Não sou mais amarelado como antes.

Quando levanto, percebo o segurança ao meu lado. Não o ouvi entrar. Ele continuou parado, me olhando por quase dez minutos em silêncio. Eu não conseguia me mexer. Medo e pavor. “Você é o garoto. O que procuram”, isso não era uma pergunta. Comecei a andar, mas ele me segura. É mais forte. Não consigo me desvencilhar e seu sorriso indica a minha derrota. Minha prisão. Quero gritar, mas não posso chamar atenção.  William tem de ficar seguro.

Até que o segurança cair bruscamente no chão, me soltando. O sangue começa a escorrer formando uma poça redonda ao redor de sua cabeça. William está lá, com algo na mão e um olhar assustado no rosto. Sou agarrado com fúria e desespero. Sinto seu beijo forte em meus lábios e amoleço de imediato. Aperto-me sobre ele, querendo-o cada vez mais. Ele é voraz, mas logo para. “Vamos embora meu amor”.

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Tivemos que entrar em uma casa deserta por causa da chuva. Aqui não é igual à Terra. Lá eles se molham, riem e se beijam debaixo d’água. Aqui morreríamos. Planmoon (é assim

PlanmoonWhere stories live. Discover now