~Em uma noite como qualquer outra, decidi viajar. Nem mesmo fiz as malas. Coloquei no bolso do jeans o RG e algum dinheiro. Nem mesmo o inseparável celular iria junto. Determinada e decidida, comprei uma passagem de ida.
Me vi diante do mar. Estava lindo naquela noite, como um noivo fatal que se enfeita para o casamento. O céu nublado escurecia suas águas revoltas e escondia a lua em nuvens escuras.
Meu coração se empacava no meu peito por que não havia uma passagem de volta. Quando criança era tão fácil entrar em minhas águas e brincar, deixar que ele brincasse em volta de meu corpo, mas agora, a hesitação.
Sabia que não se tratava de uma brincadeira. Se queria ir? Queria, mas o medo.
Pensei em tudo, especialmente nas pessoas. Eram tantas, tantas que me confortavam. Doeria ficar sem elas. Sem o gato, que me lambia a cara cada vez que me pegava chorando.
Mas e as pessoas que me tratavam com escárnio, indiferença? O grande mar me faria esquecer? Talvez. Eu esqueceria, mas por quanto tempo?
Lembrei, de uma vez que li em um grafite na rua "Haja hoje para tanto ontem".
Estou cansada de tanto ontem.
Parei, olhei para os meus braços, há mais de cinco anos multilados por cortes. Eram tantas cicatrizes. Retalhada em todos os sentidos. Retalhada pelo preconceito, retalhada pela doença, retalhada pela pressão que eu mesma me impunha. Devo ir adiante.
E fui...
História em parceria com:
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| S.O.S Garotas Em Fuga |
AdventureTentar fugir dos problemas, pode ser um problema. Você pode fugir de casa, mas não pode fugir de si mesma e de seus demônios. "A vida é como um ônibus e nós matamos o motorista"
