Eternidade (Reescrito)

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Essa fanfic está passando por mudanças e está sendo reescrita, sendo este capítulo o primeiro deles. Aqui você encontrará a história de Kalissa, a primeira garota em Neverland capaz de conquistar a confiança verdadeira dos meninos perdidos. Todos os fãs de Peter Pan e Ouat são bem-vindos, e espero que gostem da tragetória dela. Obrigada! 

~ Gabi 

××× 

"Aquilo foi um verdadeiro pesadelo. Mas eu acordei, e agora me encontro em um sonho. Mas eu não sabia que sonhos eram apenas pesadelos que desejávamos viver." - Kalissa Castleword.

[Arco 1 - A chegada; 01 - ??]
[Capítulo 1 - Eternidade] 

| Kalissa Narrando 

Meu quarto estava diferente. Talvez pela presença de uma recém chegada no orfanato, mas talvez apenas pelo meu bom pressentimento. Os dias sempre foram corridos, principalmente quando eu estava aqui.
Há pouco um ano fui adotada pela família Rickman, que desde minha chegada me receberam de braços abertos. Eu sinceramente nunca esperei ser levada do lugar em que cresci, muito menos ser adotada por uma família tão boa quanto a de Merilyn. Da primeira vez que a vi pensei que ela fosse um tipo de bruxa malvada que comeria minha carne quando eu dormisse, mas eu me enganei. Mesmo indo embora e me livrando do tratamento ruim dos funcionários no orfanato, eu insisti para que o meu pai - Jonathan Rickman - me deixasse voltar todos os dias depois da escola para passar um tempo com as crianças que agora viviam por lá. Eu fui a última a ser adotada de todos com quem cresci, e pensava que se um dia deixasse às portas rangentes para trás, nunca mais voltaria nem pelo mínimo detalhe, mas algo sempre me prendeu ali; muitas outras garotas como eu existiriam, e muitas sofreriam tanto quanto. Não deixaria que nenhuma delas se rendesse ao pessimismo, ou a esperança - algo que eu mesma continuo sem.
Passei a mão no desenho na parede, deixando-me levar pela memória de duas meninas levadas pintando a dona do orfanato com chifres de demônio. Sorrio levemente, com minha mente vaga em onde estaria Sarah, a garotinha que desde o começo me apoiava e me suportava mesmo em uma prisão invisível como àquela. Mesmo quando eu era levada para o reformatório e retornava com a mente irritada e cansada, ela sempre esteve ao meu lado. A porta é aberta devagar, e vejo um rostinho curioso espiando. O garotinho - que não devia ter mais de seis anos - foi em minha direção, escondendo com sua manga seu braço direito. Me abaixo para ficar de frente com ele, e seguro em seu ombro como forma de apoio.

— Eu não sabia que viria hoje, tia Kalissa. — Ele disse, com a voz baixa e receosa. Ergo uma sobrancelha demostrando minha indignação.

— A velha não consegue sequer avisar vocês. Ah, quando eu tiver uma vida virei e levarei todos daqui para longe. Agora me diz o motivo de estar assim, pequeno.

O garoto apenas abaixa a cabeça, como se tivesse feito algo errado. Respiro fundo e pego seu braço escondido pela manga com delicadeza, podendo ver uma marca roxa por todo o lugar. Prendo minha respiração sabendo o que ocasionou aquilo.

— Ela fez de novo, não é? — Murmuro, vendo ele assentir sem dizer nada. — Peça para todos dormirem aqui hoje, e tranquem a porta. Eu vou conversar com a velha e ver se ela entende de uma vez por todas, ok? — Beijo sua cabeça e me levanto, olhando com pesar e melancolia seu machucado. — Não deixaria isso acontecer novamente, pequeno. Acredite, a velha nem sempre foi assim.

A velha foi a responsável por me criar. Diferente da dona do orfanato ela sempre me tratou o melhor que conseguia, e seus únicos surtos eram quando ela não tomava a medicação. Agora parece que com a saída da antiga administradora, ela parou de cuidar de sua saúde para se concentrar em seu novo cargo, e seu estresse passou a ser descontado nas crianças. Recentemente algumas delas acabaram desaparecendo, muitas encontradas mortas em vielas por overdose. Meu palpite é que elas tentaram fugir da velha, e acabaram no mundo das drogas. Patético é o mínimo para se dizer isso.

Após deixar meu antigo quarto, viro corredores atrás da velha. Eu nunca soube como ela se chamava, ninguém - nem sequer ela - se incomodou em me dar esse mísero detalhe, e mesmo agora que não faço mais parte do orfanato, continuo sem saber. Mas tampouco me interesso, não faria diferença alguma na minha vida.

Encontro ela conversando com a dona Kim, parecendo extremamente desesperada. Sinto meu estômago revidar e meu rosto se contorcer em uma careta. O que diabos poderia ter acontecido?

Me aproximo das duas e puxo o ombro da velha para longe, esperando que Kim ou ela dissessem algo. A dona resmunga irritada, e se vira para ir embora, sendo impedida pela voz da velha a chamando.

— Está na hora de ensinar que nem tudo será um mar de rosas por ter saído daqui, Kalissa. Kim, preciso que prepare aquele lugar.

Me arrepio e dou passos para trás, tentando sair do lugar. Me arrependi de imediato de ter confrontado a velha quando alguém estava lá. Cometi o erro de pensar que me livrei das correntes invisíveis que me mantiveram aqui. Prendo minha respiração ao meu braço ser agarrado brutalmente, enquanto sou arrastada pelos largos corredores até o setor que eu nunca ousei explorar.

— Me largue, bruxa velha! — Me debato, tentando sair de seu constante aperto. Ela nunca teve tanta força, e nunca achei que ela perderia a linha com alguém. 

Sou jogada e trancada em um quarto escuro. Havia apenas uma janela - também trancada - que iluminava o local. Ela sabia esse tempo todo as sérias consequências de ter me trancado em lugares assim quando criança. Nictofobia foi uma delas.

Rastejo até uma das paredes do lugar, e encolho minhas pernas circulando elas pelo meu braço. O medo de dominava e me enchia cada vez mais, e a presença aterradora do escuro fazia com que os minutos parecessem eternos. Eu percebi que independente de tudo, eu nunca me livraria das correntes invisíveis, e as carregaria por toda e qualquer eternidade que existisse. Seja ela em fkrma de cicatriz, ou de lembranças. Nunca me livrarei desse maldito orfanato e nunca poderia ajudar as crianças daqui.

As lágrimas quentes descem pelo meu rosto, e todas as minhas lembranças chegam em um rápido flash. O bullying na escola, o tratamento aqui, as crianças que falhei em proteger, quando fui adotada. Tudo se passava pela minha mente enquanto sentia as lágrimas salgadas caírem e ouvia o som alto de meus soluços, e a tremedeira de meus ombros e corpo.

Mas então algo aparece. Duas luzes iluminam o que eu não via, e ao erguer vejo uma sombra. Olhos brilhantes semelhantes a duas estrelas, com corpo negro e esguio. Ela estica a mão em minha direção. Fico parada, ainda tentando me acalmar.

— Posso te livrar de toda essa dor, criança. — Ela disse, sem mover os lábios. — Você só tem que segurar minha mão.

Não hesito diante da oportunidade, e agarro a sombra de uma só vez. A janela quebra diante de meus olhos, atraindo a atenção de seja lá quem estava do lado de fora. Vejo que estava no último andar do orfanato e sou levada para cima, em um voo perfeito em direção do céu estrelado e iluminado. Sorrio e me deixo relaxar, talvez eu estivesse rachando e enferrujando àquelas correntes, e estivesse me curando da dor que as memórias me causam.

Fecho os olhos. Os escuro parecia pisar em cima de mim, me humilhando. Mas mesmo assim me senti confortável, eu estava, finalmente, segura.

E espero que isso dure uma eternidade.

Bad destiny (Sendo reescrita | Hiatus)Stories to obsess over. Discover now