"Senhor, perdoai-vos pois eles não sabem o que fazem."
A heresia daquela cena estava presente em cada detalhe.
Talvez fossem os olhos castanhos que banhados em pura luxúria encaravam a estátua que parecia o fitar de volta. Daquela perspectiva Jesus parecia bem menos ameno e acolhedor como na grande maioria das vezes era, e o homem abaixo de seus pés não poderia se sentir mais digno de tamanha irá.
Talvez fossem os sons sôfregos e roucos que seus lábios rosados permitiam escapar a cada novo movimento cálido e necessitado. Os olhos da estátua lhe fixavam com tamanha frieza que se era possível imaginar a qualquer momento que as mãos largariam dos pregos que as fixavam e iriam até si castigando-o pelo pecado e sobre o julgo das mãos de fé ele achava ser digno de tal castigo.
Talvez fosse a sinfonia laboriosa dos corpos entrelaçados naquele jogo sujo e necessitado no qual eles se encontravam mergulhados.
Talvez aquele fosse o gosto do pecado, tão doce quanto o mais puro mel e tão saboroso quanto o magnificente fruto das videiras do oriente.
Talvez aquela sensação maravilhosa de sentir-se preenchido por outra pessoa fosse o dito prazer, um prazer que pela primeira vez ele sentiria por completo, sem a culpa da obscenidade o corromper no fundo de sua alma.
Não agora...
Não esta noite...
A tempestade rugia no exterior do templo. O céu parecia desabar sobre suas cabeças, o paraíso devia estar inflamado tamanha era a blasfêmia, Deus parecia querer avisa-lo que a cada novo minuto em que se permitia ser invadido por aquele ser pecaminoso, seu ser estaria fadado ao mais profundo do abismo.
Sabia...
Sabia o que o futuro lhe reservaria...
Sabia mas não se importava.
Não hoje...
Não agora...
Talvez a razão estivesse contida naquelas orbes púrpura que o fitavam em meio a escuridão.
Talvez fossem os cabelos negros e macios que lhe acariciavam o abdômen a medida com que seu dono se arremetia sem pena em seu interior.
Talvez fosse aquela pele extremamente branca avermelhada por toda a região na qual apertou, mordeu e arranhou tudo num desejo desesperado de o sentir mais, de sentir mais daquele calor, mais daquele pecado impudico e descarado que o seu maldito corpo insistia em gritar por mais...
Quem sabe a razão não estava escondida no interior daqueles lábios macios colados sobre a pele de seu pescoço...
Ou então nos braços fortes que lhe circulavam o tronco obrigando-o a permanecer ali, quieto e submisso ao prazer daquele pecado.
Pecado...
Aquele homem era a personificação viva de pecado...
Entregando-se a ele seu destino era claro...
"A parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre."
Perdoa-me pai, mas se nesses braços é o inferno que me aguarda, eu queimarei com desejo e no fogo eterno firmarei minha morada.
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Pecado
FanfictionNaquela tempestuosa noite de verão, ele conheceu o verdadeiro pecado. Conteúdo +18 Essa história é uma viagem de uma escritora a meia noite de um domingo de férias, não leve nada do que tiver escrito a sério, eu não escrevi isso para afrontar crenç...
