E ontem foi mais um dia de ir para Caxias, realizar as provas do curso de Biblio da UCS. A semana foi toda assim, repleta de nervosismo por conta das avaliações, ansiedade por rever colegas e professores, preparativos para a viagem, etc e tal. Sábadão, 6h da matina e a vivente lá, no ônibus, agoniada com os conteúdos, sabendo que iria passar as duas horas de viagem lendo feito uma louca porquê, né..aquela altura do campeonato eu já nem me lembrava do que tinha estudado o trimestre todo. E eis que surge meu companheiro de percurso. Praticamente se jogou no banco do meu lado. Nem dei muita atenção pois estava mais preocupada com meus resumos, coloquei meu fonezinho e esqueci do mundo. Ou pelo menos tentei. Logo percebi que eu teria problemas com o moço. Sabe aquelas criaturas ansiosas? Muito ansiosas? Muito, muito, muito ansiosas? Era ele. Não sei se era a primeira viagem dele, se estava fugindo da polícia, se iria pedir alguma dama em casamento...só sei que cada vez que o bus diminuía a velocidade a criatura se espichava toda, quase se levantava do banco, com uma cara de "já chegamos?". Jesus, que agonia! E isso foi a viagem toda. Te juro que, quando chegamos em Caxias, eu já tinha esquecido completamente as provas e estava fantasiando mil maneiras diferentes de jogar aquele traste pela janela. Mas sobrevivi a provação. Obrigada, Senhor por ter me dado paciência que eu não merecia! Bueno, desembarquei, rezando para nunca mais ter o azar de cruzar meu caminho com aquele vivente, e me joguei em um táxi para chegar a tempo na faculdade. Bora realizar as provas, reencontrar a galera, confraternizar e assistir umas palestrinhas bacanas. E eis que surge o grande momento de voltar para casa. Mais correria, táxi, pensamento positivo para conseguir um lugar no próximo ônibus para Poa. Ufa...quase chorei de alívio quando a menina me disse que sim, tinha alguns lugares vagos. Poltrona 37, pode ser? Amiga, só quero ir pra casa descansar, vou até no bagageiro se for necessário. Mais corre-corre para chegar a tempo pro embarque, até que.. Enfim tudo resolvido. Lugarzinho na janela garantido, perto do banheiro mas nem tudo é perfeito nessa vida, não é mesmo? Um pivete desaforado sentado na poltrona traseira, comendo aqueles salgadinhos fedorentos mas..fazer o quê? O importante é que estamos voltando. Mas sempre tem aqueles passageiros de última hora e nesse caso não foi diferente. Eis que surge ELE. O atrasado. Não, não era o mesmo moço que viajou comigo na ida. Quem dera. Era um brigadiano. Já assistiu o filme "Segurança de shopping"? Pois então, ele era a versão brasileira do personagem principal. E adivinha onde ele foi sentar? Sim, no único banco vago. Ou seja. Do. Meu. Lado. Ou melhor, ele se sentou no banco dele e na metade do meu. Carambolas e carambolinhas, vai ser uma viagem e tanto, pensei eu, encolhidinha no meu canto, grudada na janela. Ao menos, avaliei, em caso de assalto eu serei a pessoa mais segura dessa bagaça. Bom, todos a bordo, que comecem os jogos! E assim, aos trancos e barrancos, começou minha volta gloriosa ao lar. Mas minha sorte (ou a falta dela) é um negócio a ser estudado pela Nasa. O motora levou a sério a solicitação de transformar o ambiente em algo aconchegante e quentinho. Ligou aquela porcaria do ar a toda, me senti no auge do verão porto-alegrense. Saca aquele famoso calor dos infernos? E adivinha de onde sai o ar quentinho e agradável? Sim. Da lateral. Ou seja, do lugar onde eu estava firmemente prensada pelo meu querido segurança particular. Como se não basta-se tudo isso, meu coleguinha da frente resolveu arriar seu banco, sentando quase no meu colo. E o moleque de trás começou a chutar minhas costas. E minha garganta começou a coçar, por conta de uma alergia que aparece nas horas mais inoportunas. E assim foi minha volta sublime a Porto Alegre: cozinhando em banho-maria, acuada por todos os lados, tentando não respirar para não iniciar uma crise de tosse, com cara de paisagem para não deixar transparecer minha raiva e desespero...Amiga, que situação!. Demoramos 2h15min para chegar. Duas longas horas e quinze minutos intermináveis. Tive tempo de sobra para amaldiçoar todos os santos e discípulos citados no antigo, novo e póstumo testamento. Mas sobrevivi. Desci toda renga, torta, em estado compacto mas viva. E que venha a próxima aventura!
