Olhei pela janela e vi um caminhão de mudança chegar na casa ao lado, fazia um certo tempo que ninguém alugava aquela casa. Vejo algumas pessoas saírem do carro entrando na casa com caixas, parecia uma típica família, a não ser por um garoto estranho que me chamou atenção, ele estava cabisbaixo, com uma touca e camisa de frio, o que era estranho já que estávamos no verão. Pela cara do garoto ele não parecia ter gostado muito da ideia de ter que se mudar.
Tomo um susto na janela quando minha mãe grita meu nome — Deus do céu, minha mãe era louca — estava quase na hora de se arrumar para ir a igreja. Minha mãe sempre nos leva para lá, e com o tempo aprendi o que era amar de verdade, e também descobri que além de cristã sou uma ótima cantora — sendo bem modesta.
— Lara já tá na hora de se arrumar — gritou minha mãe da sala, me fazendo sair da janela do meu quarto.
— Vou me arrumar agora mãe — respondi gritando.
Já eram 18:30 e eu ainda estava terminando de me arrumar, super normal no meu caso.
— Lara por favor você não é nenhuma celebridade para tá se arrumando tanto — disse ele impaciente, na porta do meu quarto.
— Daniel para de drama já tô terminando só vou pegar minha Bíblia — respondi, dando um sorriso sarcástico.
...
O culto havia sido maravilhoso. Haviam muitas coisas nesse mundo que me fazem feliz, mas sentir a presença de Deus era com certeza a melhor se todas as coisas. A sensação de não estar sozinho, sentir o abraço daquele que lhe criou, era simplesmente inexplicável. O pastor havia pregado em João 3:16 e 17.
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça,mas tenha a vida eterna.
Porque Deus enviou o seu filho ao mundo não para que condenasse o mundo,mas para que o mundo fosse salvo por ele."
A luz da casa dos novos vizinho invadia a janela do meu quarto formando vários feches de luz, era como uma constelação particular.
Me levantei da cama depois de alguns bons minutos apenas imaginando meu mundo particular. Fui em direção a janela e fiquei parada por alguns segundos em frente a ela, lembrei do garoto que eu havia visto a algumas horas atrás.
E por algum motivo todas as vezes que eu lembrava de seu rosto so conseguia enxergar a tristeza, ele parecia precisar de ajuda, por alguma razão eu sentia isso, desde o primeiro momento que eu o vi. Eu conhecia a tristeza, por um longo tempo ela havia residido.
Meu pai morreu quando eu tinha dez anos e a tristeza que já morava de mim só aumentava, pouco a pouco, me consumindo.
Passei um tempo isolada e triste, mas por um lado me sentia aliviada por ele ter ido, era melhor, para mim, e para a minha família. O acidente de carro não havia apagado o passado dele, nem o nosso passado. As marcas ainda estão no meu corpo, no do meu irmão e no da minha mãe. Eu ainda tinha pesadelos, lembranças, lembranças horríveis das noites intermináveis que eu passava quando ele era vivo.
Mas a maior parte disso já passou, eu aprendi a sorrir, aprendi que amigos são essenciais para seguirmos em frente, para nos ajudar.
Eu sei disso porque eu lembro como foi mais fácil passar por tudo com minha amiga ao meu lado, como foi mais leve. E até hoje eu agradeço a ela, a ter me ajudado a encontar meu melhor amigo.
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Procura-se Motivos Para Sorrir
Romance(DOIS CAPÍTULOS TODA SEXTA-FEIRA) Nem mesmo três cirurgias, um ano e meio com câncer de fígado e um transplante de pulmão conseguiu fazer o jovem Dave parar de sonhar. Depois de passar treze anos de sua vida dentro de hospitais por todo os Estados...
