Alexander não sabia como, nem porque. Um dia Gabriel era seu melhor amigo, no outro estavam se beijando. Sabia que era errado, mas seu amor por ele o fazia ignorar todas as regras estúpidas que foram obrigados a aprender. Naquele momento escrevia novamente em seu diário. Que se tornara a coisa mais perigosa do mundo para ambos, porque era lá que ele contava tudo o que sentia, já que não tinha ninguém para desabafar.
"... Ele é incrível. E que eu queime no inferno, mas estou perdidamente apaixonado por ele. Encontramos um lugar novo, aonde ninguém vai. Lá podemos fumar e sermos livres tranquilamente. E o melhor momento do dia, é ouvir a bicicleta de Gabriel na estradinha de cascalho da minha casa...".
Enquanto isso, o rosto de Gabriel ainda ardia um pouco. Levou um tapa do pai por discutirem por causa do mesmo assunto de sempre, nunca entendeu o que havia de errado em amar alguém, porém seu pai voltava a pregar que amar alguém do mesmo sexo era algo que o faria ir para o inferno e ser torturado pelo próprio demônio. Havia saído de casa para poder aliviar um pouco a raiva que guardava em si... Não conseguia parar de pensar no melhor amigo, mas se sentia feliz por não ter sido empurrado quando avançou com calma para perto dele e o beijou, naquela maravilhosa tarde que parecia que fora ontem, mas já fazia meses. Ele sorri de lado com a lembrança e coloca as mãos nos bolsos. Não se espanta quando percebe que já está no caminho da casa de Alexander, nem saiu com a bicicleta pela raiva, olhando um pouco da garagem e vendo que o carro dos pais dele não está na garagem, em seguida tocando a campainha.
Alec abre a porta e da um sorriso imenso, mas desfaz ao ver a expressão dele.
-Entra. - ele diz apenas dando espaço para o outro
-Foi mal... - Gabriel entra e mexe as mãos nos bolsos, fazendo uma careta.
_Senti sua falta... - Alec diz fechando a porta e abaixando a cortina. Só então vai até ele e o beija
Gabriel passa os braços pela cintura dele e sorri, o beijando mais uma vez e encostando a cabeça no ombro dele.
-Também senti muito a sua falta... - Gabriel diz após se afastar, encostando-se à mesa - desculpa não ter vindo antes...
_Você está bem? - Alec pergunta o olhando e então fechando o diário e colocando na caixa de madeira, com cadeado.
-Briguei com o meu pai de novo... - ele diz indo para frente e então se escorando na mesa novamente - Eu estou louco pra sair desse lugar! Cidade pequena, mentes pequenas, corações pequenos!
-Qual o motivo dessa vez? - Alec passa a mão no próprio rosto
-Hum... Eu... - ele coça a nuca e faz uma leve careta - Fui tentar argumentar novamente quando ele falou da nossa vizinha lésbica...
- Eu soube. Teve até o atentado à namorada dela pela aquela gangue de malucos. Precisam só de uma prova para fazerem coisas horríveis com quem não é "normal" - ele faz as aspas no ar - Viram uma foto eu acho... Queimaram as roupas "impuras" delas.
- Aqueles caras são uns doentes... E meu pai os apoia... Caramba, qual o problema dessa cidade? Gente ignorante, eles que vão ir para o inferno.
_Vou guardar isso... - Alec sorri de lado dando dois tapinhas na caixa que acabou de trancar e indo para o próprio quarto, guardando a caixa.
Gabriel olha ele subir e fica curioso com a caixa, indo atrás e abraçando o mesmo por trás.
-O que tem nessa caixa?
-O meu diário. Eu comecei a tranca-lo. Você parou de escrever comigo... Então... Eu continuei. Mas escondo bem.
-Você ainda... Err... Escreve nele? - Gabriel solta o mesmo um pouco e se encosta-se à porta, sorrindo.
YOU ARE READING
Take me to church
RomanceEm uma cidade pequena onde a religião domina e é utilizada para amedrontar as pessoas e a própria população apoia uma gangue assassina que coloca as coisas em ordens, dizendo a si mesmo e aos outros que é em nome de Deus; Alec e Gabriel quebram as r...
