O coração acelera. Estou nervoso. Irei vê-la e não estou acreditando nisso. Vou tocar sua pele, provar dos seus lábios.
Depois de tanto tempo longe do meu amor, vou poder ama-la.
Olho mais uma vez o relógio e percebo que já está na hora. Minhas mãos suam em ansiedade enquanto eu batuco as pontas dos dedos na mesa em que me encontro.
Me concentro na entrada do restaurante e o meu coração erra uma batida enquanto a vejo entrar pela porta, os cabelos voando por conta do vento frio lá fora, os seus olhos vagam pelo local a minha procura e logo me encontram, ela me cede um sorriso e vem em minha direção sendo recepcionada pelo garçom que a acompanha até aqui.
O caminhar calmo e lento apenas antecipa minha expectativa. Eu realmente não posso acreditar que ela está aqui, vestida com simplicidade, escancarando sua humildade para quem quiser ver e isso me encanta a cada dia que passa. Ela não tem vergonha de suas origens e de ser quem é, tudo com ela parece ser simples e fácil demais. Eu a amo. E não tenho nada a me opor sobre isso.
Me levanto, um breve aceno com um pequeno beijo no rosto e aquela velha frase vaga pela minha cabeça "beijo no rosto se torna estranho quando as bocas já se conhecem", seria cômico se não fosse trágico.
Eu a deixei ir embora.
Pois é, eu deixei o amor da minha vida, a dona do meu coração, a mulher pela qual eu faço de tudo ir embora.
Nossa história não foi fácil, por mais que ela fizesse todos os nossos momentos serem. Ela tem um leveza na alma e uma delicadeza no toque. Eu me apaixonei por ela desde a primeira vez que a vi, me encantei com o sorriso que os seus olhos me davam. Ela é incrível. É forte. É a mulher que eu quero dividir minha vida e dessa vez não a deixarei ir embora, eu lutarei por ela e a farei feliz no final.
Nos sentamos e ela parece tão nervosa quanto eu. Três anos separados, três anos jogados fora, três anos completamente infelizes da minha parte.
Me deitei com outras mulheres, usufrui de seus toques, tentado a esquecer os dela. Provei outros lábios, mas o seu gosto não saia de minha boca. Ninguém, nem as mais belas mulheres me fizeram esquecer dela.
Maitê Andy.
O nome do meu antigo e atual amor. Meu eterno e infinito amor.
"Maitê." seu nome, depois de tanto tempo silenciado em meus lábios, parecem dançar em minha língua e salpicar minha saliva, que saltita em emoção. "Quanto tempo..." afirmo em tristeza. "Estou feliz em vê-la novamente!"
"Posso dizer o mesmo, Vicent." sorri.
"Pedi o nosso vinho, espero que não se importe." Digo nervosamente.
"De maneira nenhuma!" Seus olhos escuros varrem o local com curiosidade. Estamos em Paris, em um restaurante pequeno e aconchegante e isso é a cara dela. "Você não poderia ter escolhido restaurante melhor, Vicent. Ótima escolha, devo ressaltar."
"Que bom que gostou, querida. Fico feliz em agrada-la." Sorrio de forma doce.
"Devo admitir que fiquei surpresa com seu convite depois de três anos sem notícias suas." Seu rosto franzido em desagrado é visível e ela não faz questão de esconder.
Quando eu disse que a deixei ir embora, não foi necessariamente ela a ir. Eu tenho uma relação muito complicada com minha família, eles tem muito dinheiro, um império formado por meus avós que foi passado para meus pais e que seria meu, se eu não tivesse me apaixonado por ela.
Especificamente, eu deveria me casar com quem fosse melhor para minha família, uma mulher com tanto dinheiro quanto meus pais e o próximo passo seria comandar o reinado do Vicent's. Uma rede de grandes lojas de diamantes que só vem crescendo. Mas digamos que eu estraguei os planos perfeitos quando me apaixonei por uma simples confeiteira.
Quando eu decidi que era a hora de informar aos meus queridos pais que iria me casar com Maitê, eles deram os jeitinhos deles e tornou nossa vida um inferno, eu aguentei durante um tempo, mas a pressão foi muito grande e eu um covarde. Fugi o mais rápido possível para as muralhas do aconchego da casa dos meus avós, eles me acolheram e me aconselharam, cada um de sua maneira.
Ordália, minha vó, me deu os seguintes conselhos: se sua felicidade depende dela, não fique longe, você será infeliz. Ela é engraçada, pois sempre diz o óbvio, mas é um doce e me fez entender que sim, eu seria infeliz sem minha Maitê. Já meu avô, Emanuel, foi um pouco mais duro, mas compreensivo no final e me disse que eu deveria deixar de ser um covarde e parar de chorar como uma criancinha e ir atrás dela imediatamente.
Por mais que tudo que tenhamos hoje seja por causa deles, eles são sensacionais e comandaram tudo com a maior sabedoria e caráter do mundo, e o netinho tão amado deles não querer nada disso, não os ofende, eles me entendem e eu os amo por isso.
"Sempre tão direta." Reviro os olhos internamente e lhe dou um sorriso de canto.
"Eu não diria direta, apenas curiosa." Ela me encara e sinto que seu olhar corroe meu interior. Maitê está com raiva. "Uma pessoa não some por três anos e depois volta como se nada tivesse acontecido, sem ter uma boa explicação para isso." Seu cotovelo se apoia na mesa e seu queixo em sua mão, ela me olha inquisitivamente e se inclina um pouco para frente. "Vamos Vicent, me diga qual o motivo de seu ilustre convite depois desse tempo tão longo separados. A curiosidade está me esmagando por dentro." O deboche é claro, enquanto as palavras ríspidas saem de sua boca. "Eu não gosto de mentiras, gostaria de lembra-lo. Aquilo de 'preciso de um tempo para pensar', não colou comigo, infelizmente." Seus olhos se reviram e uma risada amarga escapa de seus lábios. "Três anos foi tempo suficiente para pensar ou você precisa de mais?" Seu rosto em descrença, se mexe em forma negativa e isso me deixa apavorado. "Você é um tolo se realmente pensou que eu cairia em suas desculpinhas de merda, eu não estive com você durante quatro anos brincando de 'conte sua mentira'. Eu te conheço muito bem para saber quando mente para mim e devo ressaltar que eu odeio quando você o faz."
"Maitê, eu vou te explicar tudo, eu prometo! Mas por favor, não agora. Vamos, aproveite o jantar, estivemos muito tempo longe um do outro, eu só quero ter um momento de paz com você, sem nossos problemas." Suspiro em esperança e vejo sua expressão se suavizar.
"É difícil ter um momento de paz com você, sabendo que você mente para mim!" Esbraveja, mas não deixa de olhar para mim e ver como anseio por isso "Mas tudo bem, vamos aproveitar o jantar."
O vinho chega e vejo como a taça se choca com seus lábios e penso que poderiam ser os meus no lugar daquela maldita taça.
"Eu senti sua falta." A frase fica solta no ar, pesando o ambiente e esmagando qualquer possibilidade de respirar. O ar me falta aos pulmões e o suor corre frio pelas minhas costas, sinto um buraco enorme no estômago e um nervosismo imenso em pensar que talvez ela não me queira mais.
Depois de minutos que pareceram uma eternidade, sua voz soa fraca, como se tudo fosse um segredo. Uma prece proibida sussurrada.
"Eu também senti falta suas."
Tudo parece parar. O relógio retrocede horas. O ambiente em nossa volta some e o meu coração esmaga meu peito. Seus olhos parecem tristes demais, a tristeza não faz parte dela, mas está lá. Presente de forma tortuosa e amarga.
Maitê parece quebrada.
Eu a quebrei.
*
VOCÊ ESTÁ LENDO
Eternity Is Our Home.
Romance"A eternidade é a nossa casa, mas apenas você, querido Vicent. Apenas você, é o meu lar." Eu sou um barril de pólvora, ele é a minha faísca, fisicamente nunca dariamos certo juntos e quando entramos em contato um com o outro, tudo que somos capazes...
