A dama da noite

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A neve cai, serena

em sua grandeza.

Oculta tudo o que se move,

abafa todo lamento.

No alvo deserto da inocência

quem reina é a dama da noite,

aquela cuja pele se funde

ao branco entorpecido da geada.

Aquela cuja gelidez suga a vida da relva

e petrifica a alma dos que se entranham

por entre seus labirintos.

Se prestares atenção,

poderás ouvir o seu doce canto,

cuja melodia suave faz dançar

o sangue quente dos corações juvenis.

Aquele que se aproxima, entretanto,

sentirá a dissonância de seu frígido toque

a sugar-lhe a vida

enquanto fita os seus olhos opacos,

coloridos pela iminência da morte.

Devaneios de invernoWhere stories live. Discover now