Prólogo

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João já estava entediado de ficar navegando no Facebook, era quase cinco horas da tarde e faltava pouco para acabar mais uma semana de trabalho. Agora era só aproveitar o carnaval que está aí, viajar para Ouro Preto, em Minas Gerais, e curtir aquele carnaval universitário que só lá sabia fazer.

Ele não tinha serviço para fazer, tudo estava vazio, todos que podiam já foram viajar, sobrou só ele, o cara da TI. Estava ele ali para garantir que o sistema iria continuar funcionando até o final do expediente. Bem, se algo desse errado só iam perceber mesmo na próxima quinta-feira depois do feriadão. Porém, o chefe mandou que ele ficasse aqui até o último minuto, "velho chato de galocha" era a ideia que melhor representava a opinião dele sobre o chefe.

"Cara, que tédio ficar aqui sem ninguém, nem café fizeram hoje à tarde!", pensou João enquanto esperava o relógio bater as 17 horas para poder fechar o ponto e partir para o aeroporto pegar o voo.

Atualizou a página do Facebook mais uma vez, vários amigos já estavam postando fotos do tipo #PartiuCarnaval, e logo seria ele fazendo o mesmo em frente ao avião. Então ele olhou para o topo da página do Facebook e viu que uma amiga havia compartilhado um vídeo, ela escreveu no compartilhamento: "Será que é verdade, só de pensar já fiquei toda arrepiada..."

Bateu nele aquela curiosidade de saber o que era, mas nem tanto assim, ele sabia que seria alguma bobagem de alguma coisa assustadora, até pensou que podia ser alguma pegadinha daquelas que aparece uma cara feia do nada para assustar quem está assistindo o vídeo.

Apertando o play, o vídeo começou: "Meu anjinho está vivo, estou vendo ela aqui na minha frente com esse aplicativo, olhem todos, minha menininha continua viva!!!"

O vídeo mostrava uma criança de no máximo três anos de idade em seu vestido florido e a voz de uma senhora aos prantos. Na descrição original do vídeo estava: "Minha menina voltou, não sei explicar, esse aplicativo chamado IWatchSpirits mostra ela pela câmera do celular, não sei explicar isso. Só sei que consigo ver e ouvir minha menina pelo celular. #IWatchSpirits".

Travei ao ver aquilo, bateu aquele gelo nas costas como se tivesse acabado de passar um fantasma atrás de mim, todos os pelos do corpo ficaram arrepiados. "Deve ser alguma ação de marketing, tem que ser", ele falou para si mesmo.

Depois de uns trinta segundos, ele sentiu o calafrio diminuindo e viu que no final do texto tinha a hashtag #IWatchSpirits, essa hashtag permitia ver tudo o que estavam falando sobre esse tal aplicativo de celular.

João criou coragem, clicou na hashtag e esperou carregar. Havia mais de dez mil posts, alguns estavam falando sobre o aplicativo, outros eram vídeos aparentemente também mostrando pessoas que deveriam estar mortas.

João rodou a página para baixo e escolheu outro vídeo, esse segundo vídeo foi de um jovem de uns treze anos que estava em um parque onde tinha uma pista de skate. Ele fez um giro com a câmera e mostrou a cena, parecia um Zumbi Day, cheio de espíritos esfarrapados, alguns meio animalizados, outros parecendo que tinham participado de algum filme de terror, daqueles onde os zumbis saem da terra, era bem desconfortante.

Existiam vários posts com vídeos, mas teve um que deixou João bastante estarrecido, era um vídeo do presidente do Brasil, nele mostrava um discurso para um canal de TV, alguém estava ali do lado usando o aplicativo para filmar. Mas o que mais chocou João foi ver uma aura negra saindo do presidente e um espírito sentado na cacunda dele, como se fosse uma criança brincando de cavalinho, mas não era uma criança, era um ser deformado, que muito assustava.

Aquilo remexeu com as entranhas dele, João quase vomitou com a cena escabrosa. O presidente falava sobre justiça social, porém, o que se via não condizia com suas palavras.

João estava se sentindo perdido, se isso que ele estava vendo fosse verdade, o mundo a partir dali não seria mais o mesmo.

Terceira RevelaçãoStories to obsess over. Discover now