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oin gente, tudo bom?, então eu voltei a escrever novamente depois de anos, eu acho, e dessa vez não vou apagar meu livro. Espero que gostem dessa nova história.

Ester

-Você é só mais um velho o qual afastou todos de sua vida já que a única coisa que você sabe fazer é beber, por isso mamãe está morta e a culpa é toda sua, tudo o que você fez esses anos todos foi me culpar e foi você que a matou - já estava com lágrimas nos olhos, ia subir as escadas mas ele me deteve, puxou e apertou meu braço com muita força.

-Sua mal agradecida eu te dou um teto para morar, comida e sempre cuidei de você sua idiota - apertou meu braço com mais força.

-Eu te odeio - gritei, ele me deu em resposta um soco, caí no chão e ele me socou de novo e de novo, as lágrimas embaçavam a minha vista e o sangue se aglomerava em minha boca, eu sentia ele escorrendo pelo meu pescoço e então ele parou.

-Nunca mais repita isso novo, sou seu pai mereço respeito porra - cuspiu no chão e adentrou a cozinha.

Eu me encolhi no canto desse cômodo e chorei tanto quanto choro todos os dias, sempre silenciosamente, tentava o máximo não fazer barulho. Estou tão cansada de tudo isso, dessa situação, dele, da humilhação, do sofrimento, eu estou com tanta raiva, por que você tinha que ir tão cedo mãe? isso não é justo, preciso de você. Eu vejo meu pai saindo da cozinha com uma garrafa de vodca nas mãos e olhando em minha direção.

-Não faz drama, deixa de ser infantil - deitou no sofá, ligou a televisão e bebeu um gole dessa bebida direto da garrafa.

Levanto e subo as escadas sem fazer barulho, fecho a porta do meu quarto e deito na cama, o sangue mancha meu lençol, vou ao banheiro e lavo meu rosto, tento não sentir tanta dor mas é quase impossível, então tiro todo o sangue e me olho no espelho. Jesus Cristo, meu rosto estava com um corte em minha bochecha, não é grande mas em volta dele está tudo roxo e verde, tem um corte mínimo na minha boca que está doendo muito, coloco remédio que já está no final, tiro minha roupa e entro no chuveiro. Por um milésimo de segundo esqueço de tudo e aproveito esse momento, então começo a chorar, chorar como chorei no dia do acidente, me encolho no canto do box, meus soluços são intermináveis e então eu decido. Vou embora, eu não aguento mais, aguentei tempo demais e já está na hora de acabar.

Saí do chuveiro coloquei um moletom e um short frouxo, peguei minha mochila e coloquei tudo que eu julgo necessário. Roupas, o endereço, um livro, "celular" o qual é mais antigo que minha vida, fone, carregador, escova de dentes, minhas poucas maquiagens e uma foto minha com meu pai e minha mãe antes do acidente, de quando eu era feliz. Respiro fundo e coloco dentro do meu bolso, fecho a mochila, saio do meu quarto, desço as escadas sem fazer barulho e vejo meu pai deitado no sofá dormindo com a garrafa vazia caída no chão, vou até a mesa de centro e pego sua carteira, abro e pego todo o dinheiro disponível lá dentro, de qualquer forma ele ia gastar esse dinheiro com bebida ou com prostitutas, vou andando em direção a porta e a abro.

-Adeus papai - olho para ele uma última vez e então fecho a porta, vou andando calmamente até a rodoviária, uso esse tempo pra pensar se o que estou fazendo é certo. Já está tudo escuro e a rua deserta, pelo menos não é muito longe.

Chegando na rodoviária, que tem poucas pessoas, vou até o atendimento para comprar uma passagem.

-Boa noite - tento dar o melhor sorriso, a moça olha pra mim e se assusta levemente - eu quero uma passagem para Lakedale, por favor.

-Ah, deixa eu ver se tem alguma aqui - fica dando vários cliques no computador.

-Obrigada - aguardo um momento - o mais rápido possível por favor, tipo para agora.

-Oh, se for para agora você vai ter que parar em uma cidade próxima a Lakedale, chamada Townwood e depois pegar um ônibus para o seu destino desejado - diz olhando para mim.

- Tudo bem, parece ótimo - entrego o dinheiro e ela me entrega a passagem do trem e do ônibus e me entrega o que sobrou do dinheiro, sobrou mais do que eu esperava - eu queria saber uma coisa, quanto tempo o trem vai demorar para chegar?

- Em torno de 30 minutos - diz dando cliques no computador.

Obrigada e boa noite - sorri para ela e fui em direção a um dos bancos, sentei e coloquei meu fone de ouvido, clicando no aleatório, a música preenche meus ouvidos e pude relaxar, abri minha mochila e peguei meu livro e comecei a ler onde eu parei, nem percebi quando o trem chegou até a mulher me cutucar e apontar para o mesmo.

-Meu Deus - digo entre risos - Valeu mesmo, salvou minha vida - literalmente, digo correndo até o trem, entrando vou indo em direção as cadeiras do fundo fico do lado da janela, olho para a estação em movimento, logo o trem ganha velocidade, encosto minha cabeça na janela, respiro fundo e fecho meus olhos dormindo.

Então e aí?, continuo ou não?

Uma nova chanceOnde histórias criam vida. Descubra agora