Capítulo I- QUEM FAZ O PARTO?

7 1 0
                                        

Aléxia

  Os gritos aumentaram cada vez mais, causando uma enorme agonia em todos os que estavam no jardim. Se não fosse tomada alguma atitude, realmente haveria um terremoto. Ao menos a explosão havia acabado, assim que Scott nos tirou de terra firme.

Era possível de se ver uma silhueta parada em frente a porta de entrada da Instituição, quando nos aproximamos um pouco mais perto, conseguimos ver de que se tratava de Miguel. O mesmo não conseguia se manter em pé, e a expressão de susto era presente em seu rosto.

- O que aconteceu, Miguel?- Perguntei curiosa.

- A Va-nessa...-Disse o garoto gaguejando.

- O que tem ela?- Perguntei novamente, mas Miguel pareceu ainda mais assustado.

- O que aconteceu com a Vanessa?- Perguntou dessa vez Scott, de forma exaltada. Miguel, dessa vez, fechou os olhos e respirou fundo, trazendo o ar de volta ao peito.

- A Vanessa entrou em trabalho de parto.- Respondeu ainda de olhos fechados.

- Esses gritos são dela?- Perguntou Scott, enquanto Miguel apenas afirmou.- Ótimo, acabei de descobrir o dom de Vanessa.- Disse Scott, dando as costas para Miguel.

- Heloysa, você e Aléxia vão ter que subir e tentar ajudar Vanessa. Eu vou continuar aqui e tentar silenciar os gritos dela.- Falou Scott se aproximando dos outros.

- Tudo bem, vamos!- Exclamou Heloysa pegando em minha mão, assim que Scott me desceu de seus braços.

Nós duas corremos com dificuldade até chegarmos no quarto onde Vanessa estava, me arrisco em dizer que o pior foi subir as escadas. Os gritos de Vanessa eram muito fortes, nos impedia de fazer qualquer coisa.

- EU ACHO MELHOR COLOCARMOS ALGUNS ALGODÕES EM NOSSOS OUVIDOS, É IMPOSSÍVEL DE SE CONCENTRAR COM ESSES GRITOS!- Grito, afim de que Heloysa conseguisse me escutar.

- BOA IDEIA, EU ACHO QUE TEM ALGUNS DENTRO DA MALA DE PRIMEIRO SOCORROS DE DENTRO DO BANHEIRO, VOU PEGAR.- Respondeu ela, também  gritando, saindo do quarto em seguida.

- ALÉXIA, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?- Perguntou Íris adentrando o quarto.

- O BEBÊ VAI NASCER!- Respondo, deixando Íris assustada também, assim como eu.

- VOLTEI, ESPERO QUE ISSO NOS AJUDE.- Disse Heloysa, aparecendo novamente no quarto. Todas nós pegamos um pouco de algodão e tapamos os ouvidos.

- O QUE A GENTE FAZ AGORA?- Perguntou Íris terminando de colocar o último algodão em seu ouvido.

- UM PARTO.- Respondeu Heloysa, como se a pergunta fosse óbvia.

- ESTÁ BEM, EU VOU MELHORAR A PERGUNTA DE ÍRIS: QUEM FAZ  O PARTO?- Questiono, fazendo nós três nos encararmos.

- Eu amo esse ramo que envolve "salvar vidas", ou a "medicina", você sabe que meu sonho é ser enfermeira, Aléxia. Mas quando eu fizer a faculdade e os cursos, e assim souber o que estou fazendo. Eu não tenho formação alguma, tenho medo de fazer um mal a Vanessa e ao bebê.- Se justificou Íris.

- Eu tenho pavor de sangue, amiga. Eu posso começar o parto, mas assim que eu ver sangue, irei desmaiar ou ficar apavorada. Me desculpa, mas não posso...- Disse Heloysa, então percebo que só restava a mim conduzir o parto.

Fico sem saber o que fazer, olho pela janela, e vejo os meninos correndo de um lado para o outro, tentando por meio da magia silenciar os gritos de Vanessa, a mesma se contorcia na cama, provavelmente, estava sentindo uma forte dor. Desvio meu olhar para o outro lado do quarto, e percebo minhas duas amigas se encarando, sem saber o que fazer. Então minha ficha cai: tudo dependia de mim. Toda a responsabilidade estava sobre em mim. Se eu não fizesse nada, deixaria uma mãe e seu filho morrer, e sei que me sentiria culpada pelo resto da minha vida. Fecho meus olhos, tentando procurar uma solução, então uma luz me vêm a cabeça:

- EU VOU FAZER! MAS PRECISO DE QUE ME AJUDEM... TUDO BEM?- Pergunto e as duas assentem.- EU VOU PRECISAR DE:  UMA BACIA GRANDE COM ÁGUA MORNA E OUTRA PEQUENA; ÁLCOOL; LUVAS;  UMA TESOURA AFIADA; QUATRO TOALHAS LIMPAS; UMA BACIA VAZIA; COBERTORES E TRAVESSEIROS; 5 LENÇÓIS LIMPOS,  ALGODÕES E GASES.- Digo firmemente, vendo as duas confirmarem e saírem do quarto em seguida.

- VANESSA, EU QUERO QUE ME ESCUTE!- Grito, chamando sua atenção.- EU VOU AJUDAR VOCÊ A GANHAR O BEBÊ, MAS PRECISO QUE COLABORE. É DESCONFORTÁVEL DEMAIS DE FAZER QUALQUER COISA OUVINDO SEUS GRITOS, AINDA COM ALGODÕES NOS OUVIDOS, CONSIGO OUVIR. OS MENINOS ESTÃO TENTANDO SILENCIAR, MAS ESTÁ DIFÍCIL PARA ELES, VOCÊ PRECISA COLABORAR, TENTA AMENIZÁ-LOS, PELO BEM DO SEU FILHO, CERTO?- Pergunto e Vanessa assente, então percebo que seus gritos ficarem mais baixos e abafados.

  Vou até o banheiro e amarro meu cabelo em um coque alto, lavo minhas mãos e os antebraços  com sabonete e a água morna que escorre do chuveiro.

- Trouxemos o que pediu, Alex.- Diz Íris, colocando juntamente com Heloysa, as coisas em cima da cama.

Vou até o meio das pernas de Vanessa para conferir a dilatação. De alguma coisa me serviram as aulas de primeiros socorros em biologia ano passado. O primeiro estágio da dilatação, não é tão dolorido e sofrido para a mãe. Já o segundo, acompanha uma dor insuportável e é possível de se ver a cabeça do bebê. Confirmo minha teoria: Vanessa está na segunda fase.

- Íris, você vai me ajudar. Ajude a Vanessa a colocar um dos lençóis entre suas pernas, e depois, lave suas mãos e os antebraços.- Digo e Íris concorda.

Eu estico uma das toalhas na cama, e, após esterelizar a tesoura com o álcool, coloco em cima dela.

- Vanessa, eu preciso que você faça toda a força que conseguir, já estou conseguindo ver a cabeça do bebê.- Falo, percebendo que Vanessa ouviu o quer eu disse. Os gritos de Vanessa estavam mais suaves, mas ainda presentes.

Aos poucos, consegui enxergar os ombros do bebê, se Vanessa fizesse um pouco mais de força, conseguiria pegá-lo por completo. Uma gritaria que começou  no andar de baixo do Instituto, foi se aproximando até chega na porta do quarto.

- EU QUERO VER MEU FILHO, ELE VAI NASCER!- Gritou Matheus.

- CALMA, MATHEUS. VOCÊ NÃO PODE ENTRAR AQUI, FARÁ MAL A VANESSA!- Exclamou Heloysa.

- Vanessa, me escuta, não dê atenção a eles, dê atenção a mim! Eu quero que você faça mais força, por favor.- Digo, percebendo a garota fazer ainda mais força, se esgotando.- VAMOS, VANESSA. FALTA POUCO, SÓ MAIS UMA VEZ!- Peço mais uma vez.

Vanessa dá mais um de seus gritos, que fez com que o chão tremesse novamente. Heloysa e Matheus que discutiam, se calaram com o choro fino de uma criança que se exalou pelo recinto.

- Tínhamos razão, é Julieta!- Digo olhando para a menina que eu segurava em meus braços, enrolado em um dos lençóis.

- Minha menina!- Exclama Vanessa, quando entrego a pequena  seus braços. Matheus entra pelo quarto correndo, e para em frente a sua namorada, seus olhos se enchem de lágrimas e o rapaz é tomado pela emoção de ser pai.

Trabalho concluído, uma família feliz. Ajudo Matheus a cortar o cordão umbilical de Julieta, não é aconselhável de se fazer isso, mas não tínhamos auxílio médico.

Enquanto eu dei banho e vesti a pequenina, Íris e Heloysa ajudaram Vanessa ao fazer o mesmo. Eu nunca havia feito um parto, mas foi preciso pelo bem de duas vidas.

 

Terra Encantada: Reconhecendo suas Origens. Des histoires addictives. Découvrez maintenant