Há um buraco em meu peito
Tão sereno quanto as águas de uma lagoa
Mas tão profundo quanto o oceano que nunca ninguém ousou desvendar
Se engana o observador
Mas nunca o mergulhador
Que se afoga em silêncio por entre minhas águas
Sem que nenhuma alma possa se apiedar
Há um buraco em meu peito
Tão escuro e tão vazio que mal se pode enxergar
Quem entra, não sai
Quem sai, já não quer mais entrar
Há no entanto, uma luz em meu peito
Que só os mais corajosos conseguem encontrar
Estes porém, morrem desejando nunca ter encontrado
Ter a deixado lá
Pois pior que não saber de nada
É saber demais.
Os que sabem tudo não vivem em paz.
Ha um buraco no meu peito
Que há de viver para sempre lá
Não haverá no mundo alguém capaz de tirar
Nem o mais esperto poderá
Nem o mais valente tentará
Quanto a mim
viverei pra sempre assim
Com um buraco em meu peito
Cada dia me consumindo
Enquanto ele fica maior
Eu vou sumindo
E quando eu sumir
Sua escuridão será o que sobrará de mim
E terei então a paz de não existir.
*Gisele Rodrigues
