Tudo começou quando eu tinha onze anos, os anos noventa estavam chegando na metade e eu morava na maior favela da América latina. A rocinha naquela época tinha mais espaço e menos saneamento básico, muito menos do que tem hoje. Pra se ter uma ideia quando chovia água de vala entrava onde eu morava. Porém mesmo com a favela desse jeito o tráfico já era alto e os bailes eram o ponto alto para os traficantes.
Com onze anos eu fugi a noite pela primeira vez. Éramos seis, meus pais, meus dois irmãos e minha irmã. Eu sou a mais velha das crianças. Nós morávamos no térreo do prédio que meu pai fez sozinho. Tive de esperar todos dormir para eu escapar.
Era pouco mais de uma da manhã quando sai de casa com saia curta e blusa preta justa. Sempre fui baixinha, porém além disso eu tinha um corpo maduro para minha idade. Meus seios já eram bem desenvolvidos para idade e minha cintura violão aonde passava chamava atenção. Em outras palavras, eu não parecia ter a idade que tinha.
Encontrei Camila, minha melhor amiga, em frente ao beco onde morava. Ela também usava saia curta, porém sua blusa era branca. Camila tinha dezesseis anos, um dia, enquanto papai trabalhava, mamãe teve que sair e pediu para vizinha passar os olhos em nós, porém a vizinha mandou a filha, Camila, ficar conosco.
Naquela noite Camila iria me levar para conhecer o baile da rua um. Estávamos subindo o morro quando ela acendeu um cigarro e deu uma tragada.
- E aí, novinha, animada? - ela perguntou expirando a fumaça do cigarro pelo nariz. Um sorriso em seu rosto.
Camila era tudo que eu queria ser: uma garota descolada, que chamava a atenção onde passava e tinha o que queria a hora que queria. Não sei como ela conseguia, mas eu queria e naquela noite eu ia descobrir como.
- Tô. - falei, sorrindo.
Conforme caminhavamos, alguns garotos passavam assobiando, outros abraçavam Camila e a beijavam na bochecha, nesses momentos ela aproveitava para os apresentar a mim. Só no caminho conheci quatro garotos e um deles me chamou a atenção.
- Muito prazer, gatinha. Meu nome é Anderson. - ele estendeu a mão.
- Angélica. - apertei a mão dele. Que garoto lindo.
- Espero te ver depois. - o garoto me deu um beijo na bochecha e desapareceu rua abaixo.
- Ele é gato. - falei.
Camila olhou para mim, o mesmo sorriso de antes no rosto.
- Eu tirei o cabaço dele. - ela disse, como se não fosse nada de mais. - ele tem um pau gostoso. Mas já tem uns dois anos isso então ele deve tá bem mais experiente. Não faz o meu tipo, só que recomendo.
- Nossa. Porque transou com ele se ele não faz seu tipo? - perguntei a ela, o som do funk que tocava no baile já chegando até nossos ouvidos.
- Sabe, novinha, a primeira vez que dei pra alguém achei que fosse algo especial, só que não é. - nós paramos na frente de um bar, onde ela se sentou no degrau de entrada e eu ao seu lado. Ela deve ter percebido minha cara de choque que sorriu. - algumas garotas conhecem sim um garoto que a faz se sentir especial, chegam até a casar com eles, mas no fim descobrem que era tudo mentira. Sexo é só prazer, só isso. Quando aprendi isso já tinha sido decepcionada três vezes, achei que era especial e eles me trataram até bem, mas no fim só queriam minha preciosa buceta.
As palavras de Camila me deixaram um pouco triste, porém lembrei de meus pais. Meu pai e minha mãe já não faziam mais sexo, eles mesmo falavam sobre isso. Minha mãe não gostava mais e acho que tudo tinha haver com o fato de meu pai ter amantes. É, achei que Camila tinha razão.
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A Dama da noite
RomanceOi, não vou te contar meu nome de verdade - todos os nomes serão falsos - mas vou contar a você como ganhei meu apelido de Angel e então como me tornei a Dama da noite. Não foi uma estrada muito fácil, nem tudo foi ruim também. Com o passar da histó...
