Alguns dados, nomes e características são baseados na magnífica obra de Mary Balogh, "Ligeiramente Perigosos".
A festa estava enfadonha.
Enfadonha de um jeito tedioso e beirando a frivolidade, como todas as outras que compareceu naquele ano magistralmente ocioso. A música de fundo do ambiente tinha alguma excelência ao menos, porém não a bebida de safra rara, então abandonou o uísque de fogo numa bandeja qualquer que flutuava com copos vazios.
Não suspirou, somente o fez mentalmente.
As pessoas de sua classe social e estirpe abriram passagem para que passasse. Podia sentir olhares curiosos, mexeriqueiros e temerosos por suas costas, frente e lado. Nunca poderia se ver livre então os acostumou fazê-los temer. Não apenas seu sobrenome arrepiava colunas e arregalava os olhos alheios àquele nível, mas sua aparência própria dizia não apreciar a companhia de ninguém dali.
Perante o sangue era perigoso e, o mais importante, poderoso. Elite da elite.
Estava em um posição rara para sua idade e condição, equivalente em méritos perante bruxos de requinte como Lucius Malfoy, Cantankerus Nott e o próprio Ministro da Magia atual. A única diferenciação que se podia fazer sobre o sobrenome deles contra o seu é que ainda preferia o anonimato, a desconhecida personalidade, o aparecer em raros e escassos momentos antes que qualquer pessoa desvendasse seu caráter.
Para isso comparecia a poucos eventos, saia da Inglaterra com frequência e atuava em comunicação unicamente para negócios.
Outro parecer único era não ser o patriarca da família e mesmo assim obter tal reputação, fato que compartilhava com o Ministro, este também tendo o pai ainda vivo, o que indica o começo soberano e ilustre que alcançou sozinho perante o sangue.
Sobre os vitrais largos de arquitetura antiga transmitiam iluminação ao ambiente naquele glorioso dia ensolarado porém por mais que os raios da estrela que regia o sistema estivessem exuberantes, eles não se enquadraram no ambiente como quentes e sufocantes, a temperatura contrastava no equilíbrio ideal. A tarde poderia ser descrita sem exageros como perfeitamente agradável.
Entediado pela beleza exauriente, caminhou tranquilamente a um lugar com menos sons de conversas levianas e, de perto, um tanto criminosas perante as leis vigentes atuais da Magia.
A Mansão dos Rockwoods lhe era conhecida desde que era um menino preparado para cursar aquele tipo de convenção social, por isso movimentou-se sobre corredores e salas como se fosse o anfitrião da ocasião. Durante muito tempo foi amigo íntimo de Boufior, filho falecido de Hector, por isso conhecia os cômodos da suntuosa casa. Muito esteve ali também para transar com a irmã de Boufior, Avril Rockwood, também morta na Terceira Guerra Bruxa.
Não guardava sentimentos saudosos pelo amigo perdido, pelo único motivo de que: ele era tolo. Tolo o suficiente junto da irmã para se entregar de corpo e alma ao propósito de um mestiço sujo.
Voldemort não passava de um ser mal amado doente de suas próprias ambições por traumas causados e maligne natural de um amor construído por trapaça pela qual foi concebido e muitos do próprio escalão se enganavam de segui-lo sendo que somente o sangue puro genuíno poderia elevar o mundo a perfeição mágica da descontaminada falta de almas raras.
Interrompeu seus passos quando ultrapassou o beiral bronze da porta e alcançou os jardins.
De cara o cheiro das flores impregnava as narinas e transmitiam um frescor desarmonioso pois era verão e naturalmente não nasciam nessa época, evidenciando o apelo mágico perante o querer egoísta e mesquinho de quem se responsabilizou pela decoração em tê-las desabrochadas. Permaneceu distante o suficiente das tendas armadas sobre a grama verde onde havia assentos e um farto buffet servido, já que se tratava de uma festa de chá.
