Capítulo 1

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Acordei com uma lambida da baly, cachorra chata.Sem abrir os olhos procuro o telemóvel em cima da cômoda, 7:30 da manhã.

- Não acredito. Quem acorda em pleno domingo, a essa hora? -Resmungo fazendo careta para ela, que ladra em resposta.

-Já entendi.

Faço café para acordar, já que não vou conseguir dormir mesmo. Coloco a sua ração e ela vem toda feliz abanando o rabo e ganha carinho em seus pêlos como gosta.

Baly minha fiel companheira, lembro-me como se fosse hoje,quando o encontrei atrás da minha casa com olhos tristes e tremendo de frio, a minha mãe não quis ficar com ela, mas depois se apaixonou também e então passou a ser nós os três. Porém não durou muito e ficou só nós as duas, quando a Sra. Melany decidiu que era jovem o suficiente para fazer uma viajem sem fim com John.

O dia está lindo, tomo banho e decido aproveitar e fazer uma corrida pelo campo. Madeiral é uma pequena zona de Cabo Verde, com um verde sem fim e poucas casas, um local ideal para esquecer do mundo. Começo a caminhar cumprimentando alguns vizinhos. Não sei muito deles ,mas sei que gostariam de saber sobre mim, vejo isso nos olhos curiosos, mas não dou importância. Num lugar pequeno todo mundo sabe de todo mundo.

Começo a correr, sempre gostei de exercitar além de manter meu corpo em forma, alivia e muito.

Chego em casa cansada e gosto disso, sentir-me livre e capaz, é sem dúvida o que mais gosto. Paro à frente do espelho e vejo minha imagem, apenas 22 anos alta de pele escura, cabelo à altura dos ombros, um corpo esbelto, olhos castanhos escuros. Gosto do que vejo. O telefone toca, tirando-me dos pensamentos, é a Mary.

- Oi. -Digo sem convicção.

-Meu Deus, quanta animação, também estou com saudades. -Rio do seu drama.

-Desculpa, tudo bem contigo?

-Sim, disse que ligava e até agora estou a espera. Por favor não faz isso, chega de fugir, não vai adiantar. - Três meses ouvindo a mesma coisa. Não tem como fingir para ela, minha melhor amiga desde a infância, temos a mesma idade, é mais escura que eu e tem um corpo bem bonito só que baixinha.

-Não estou fugindo apenas dando um tempo, um desses dias volto.

- Tens noção que, tem 3 meses que ouço isso? Ele viajou, com a rapariga. -Ela diz com um tom de irritação, as vezes parece que ela tem mais raiva dele do que eu.

- Já não me importo com o Fábio, e apesar de tudo já não existia amor entre nós dois, era só atração e mais nada. -Respondo, realmente era isso, embora mas daquele jeito me afetou muito. A nossa relação já não era o de antes, mas não esperava encontra-lo com outra na cama.

- Mas tinham uma relação, e traição é traição. -Ela suspira. -Só quero te ver feliz.

- Estou bem e acho que foi melhor assim, o que aconteceu foi só uma desculpa para terminar.

- Você é que sabe, então depois falamos.

- Txau beijinhos, amo-te muito.

- Eu também.

Faço o almoço e as meio dia não tenho muito para fazer e decido ir a praia com a baly. Visto meu fato de banho e faço meia hora de carro, da minha casa à praia. Quando chego fico um pouco afastada, coloco o protetor e me deito de costa, e a baly se encosta em mim.

Após algum tempo, sinto como se alguem tivesse nós olhando. Olho para o lado e vejo um mulato alto me olhando sem nem mesmo disfarçar.

-Nunca viu uma mulher? -Digo já irritada com o seu descaramento. Ele dá um sorriso meio de lado, (e de tirar o folego), mas que só consegue me irritar mais ainda.

-Para falar a verdade muitas, mas não como a senhorita. -Ele abre um sorriso e faço indiferença.

Ele chega perto e me viro para outro lado. A traíra da baly gosta dele e aproxima.

-Não tem mais nada para fazer?

-Não. -Ele diz, simplesmente. - Chamo-me Dillan, prazer.

-Não perguntei. - Digo de má vontade. Pelo amor de Deus, eu só queria ficar um pouco sossegada.

-Mulherzinha chata. - ele sai me xingando. Parece chateado. Ainda a culpa é minha, tira minha paz e eu sou a chata.

Baly me encara como se eu tivesse feito algo inaceitável. Essa cachorra as vezes me dá medo. Ele despe a camisa e entra na água, não consigo não observa-lo, e que corpo meu Deus. Suspiro vendo o seu corpo todo definido. E o rabo? Nossaa!!!

Fico ali pensando que talvez, não houvesse necessidade de ser tão agressiva. Me aproximo e ele simplesmente me ignora. Bufo, perdendo a paciência, agora vai se fazer de difícil.

-Sou a Leila prazer ! -Digo meio sem jeito, pois sei, que fui um pouquinho grossa.

- Não perguntei . - ele me dá o troco. Quando estou saindo da água ele me puxa pelo braço. Me viro e fico de frente para ele, muito perto, mais do que queria, mesmo assim não aguento e algumas lágrimas escorrem pelo meu rosto.

Está maluca Leila? E olha que o TPM já passou. -Digo mentalmente.

Tento ser forte mas parece que ultimamente tudo corre errado. E dá uma vontade de gritar para o mundo! Ou simplesmente chorar a frente de um desconhecido lindo, com um rabo desejável.

-Por favor, não chore. _Quando me apercebo, já estou aos prantos, abraçado a ele e baly latindo preocupada.

Me afasto dele e saio da água, mas ele me segue. Pego a baly.

- Está tudo bem querida.

- Eu não queria deixá-la assim, desculpa. -ele diz com a voz um pouco angustiado.

-Desculpe por ter sido grossa. -Dou um meio sorriso, e não sei porque mas fiquei mesmo sem jeito, o que se torna uma novidade para mim.

-Normal sou um desconhecido Leila.

-Mesmo assim. -Digo sem jeito. -É daqui? -Digo mudando de assunto.

-Não, mudei para o madeiral tem dois dias. Sou de Nova Vila.

Fico calada, mudar de um lugar de muita festa, agitação para um meio do nada deve ser por algum motivo forte, tal como eu.

-As vezes é bom sair do agitado para a calmaria. Mas no meu caso precisei mesmo me mudar. -Ele diz, como se lesse o meu pensamento.

Sorrio em resposta, e ficamos ali vendo o pôr do sol e conversando sobre a vida.

Além da Atração (Completo) Stories to obsess over. Discover now