Nosso vôo durou seis horas. Eu estava cansada, mas esse cansaço era pequeno diante de minhas preocupações.
Um novo lugar, novas pessoas, uma nova escola...era terrível estar em um lugar ao qual nunca pisei antes.
Minhas mãos estavam suadas quando peguei minha mala.
Eve estava sorridente, seus olhos brilhavam de tanta alegria, afinal ela amava Oregon. Papai não parava de repetir que estava ansioso pra conhecer a nova lareira de seu escritório.
E eu...bem eu estava ali, já era uma conquista.
Meu quarto novo era rosa, com cortinas verdes vômito, uma cama e um guarda-roupa que parecia da era vitoriana.
A casa era aconchegante, e Eve tratava de trazer o cheiro doce de seu incenso, o que acalmava os nervos.
Peguei minha última caixa e fui colocar em meu quarto. Ainda não tinha me acostumado a chamar tudo aquilo de 'meu'.
-Parece um pouco desanimada Aurora-papai falou quando voltei a sala.
-É apenas cansaço-falei dando de ombros.
-A nova escola irá lhe reanimar-ele disse com um sorriso acolhedor.
-É, quem sabe...
Oregon é um lugar lindo, qualquer um que pesquisar as fotos deste lugar irá se encantar, mas pra era difícil ver beleza enquanto o que apenas existia em mim era preocupações.
Fui ajudar Eve no jantar, era bom estar perto dela, ela tinha uma áurea que acalmava qualquer pessoa.
Eve sempre esteve presente em minha vida, desde que minha mãe tinha morrido. Eu tinha seis anos quando meu pai apareceu com aquela mulher de rosto pequeno e cabelos ruivos. Eve não era aquele tipo de madrasta que tentava ocupar o lugar vazio de uma mãe, ela sabia que nunca estaria no lugar de minha mãe. Ela não se importava quando falávamos de minha mãe ou quando eu olhava as fotos antigas de minha família. Eve nunca foi de disfarces ou teatro, ela era apenas Eve, sem adições.
Quando terminamos de comer, fui deitar um pouco, estava sem sono mas sentia que precisava de um descanso.
Da minha janela eu olhava o céu, as estrelas pareciam ter mais brilho aqui, ou talvez eu nunca tenha parado pra olha-las.
Eve bateu em minha porta.
-Pode entrar.-falei ainda deitada.
Ela sentou em minha cama.
-Está tudo bem?-ela perguntou amavelmente.
Sentei também.
-Não.-falei olhando nos olhos dela.
Não tinha pra quê mentir pra Eve, ela era a única pessoa com quem eu compartilhava meu segredos, ela me conhecia tão bem que perceberia se eu tivesse mentindo.
-O que acontece?
-Estou preocupada com tudo isso, Eve, eu não sei como irei me adaptar a tudo isso aqui.
-Tenha calma, logo você irá fazer novas amizades, irá começar a deixar seu pai com dor de cabeça, irá voltar tarde, logo irá se apaixonar...
-Epa, epa, mas divagar-falei levantando as mãos.-Eu nem bem cheguei aqui ainda.-disse rindo.
Ela abraçou-me.
-Você irá sobreviver a tudo...
-Ser adolescente é uma barra.
Ela riu.
-Você já quase não é mais adolescente, logo irá fazer dezessete anos!.
-Mesmo assim, é uma barra.
-Amanhã iremos a praia.-falou se levantando.
-Não sei qual será a graça, irá chover.-bufei.-Deixa eu ficar em casa.-implorei parecendo criança.
-Vamos todos juntos, seu pai precisa relaxar depois dessa mudança. E pense como será bom, leve um livro e aproveite o momento, talvez o sol resolva aparecer-falou saindo do quarto.
Três horas e meia inteiras pra ir em uma praia cheia de pedras, e onde nem o sol aparece pra dar um oi.
Puxei o lençol e fechei os olhos.
Primeiro o que apareceram foram as imagens, algumas borradas, em todas eram pessoas que choravam, pessoas mortas, os gritos de dor veio depois. Todos em uma floresta. Então aquele relâmpago.
"Vale do rio brilhante" vozes estranhas repetiam. Eu sentia que estavam me chamando.
Uma criatura apareceu no meio daquele lugar sombrio. Era alta e tinha rosto de humano, sua boca costurada grosseiramente, e seus cabelos cheios de musgo. Sua pele era escura, assim como seus olhos.
Ela andou até onde eu estava. As pessoas haviam desaparecido, mas as vozes continuavam.
A criatura olhou-me e avançou.
Acordei ofegante, meu coração acelerado, meu corpo suado.
Olhei meu alarme. 03:45 AM. Levantei e respirei fundo, o chão do meu quarto estava frio, passei pelo corredor e entrei no banheiro. Lavei o rosto e olhei meu reflexo no espelho. Um rosto cansado, cabelos castanhos, olhos azuis e um nariz fino. Eu particularmente não me achava bela. Eve sempre disse que eu me menosprezava, pois para ela eu era muito linda.
Voltei pra meu quarto e fiquei pensando no pesadelo louco. Tudo culpa desse tanto de árvores que tem por aqui, este verde está acabando com minha sanidade.
Fechei a cortina e esperei o sono voltar.
"Vale do rio brilhante", o que seria aquela frase?, e por que daquele pesadelo que parecia real?
Eu e minhas dúvidas. Tentei deixar de lado a coisa toda, afinal foi apenas um pesadelo bobo. Talvez eu deveria parar de comer muito a noite.
Capítulo revisado.
*Se tiver algum erro perdoe-me mas entendam que eu escrevo no celular*
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O INVERNO CONCLUÍDO COM ALGUMAS EDIÇÕES
ParanormalAurora Kendell não imaginava que sua vida se tornaria diferente com uma mudança, o mundo que ela conhece está prestes a mudar, ela conhecerá pessoas que guardam histórias e até coisas sobre a vida dela, coisas que ela nunca imaginou que existiram. F...
