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A mudança.

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Em lugar nenhum eu já tinha visto tal semblante. Ela era linda, acolhia todos a sua volta com sua luz e amor. Aquele que não se apaixonar seria o maior dos tolos.

Meu dia sempre começa com um café forte e um pão na padaria mais proxima de casa, pois se não tem café não é um bom dia.
Saio de meu apartamento e como de costume, olho para a porta ao lado que ja vem por meses disponivel para aluguel. Desço as escadas ja sentindo o cheiro de pão recem saido do forno e de café pronto, ao chegar a portaria cumprimento como de costume o porteiro. Ao sair dos portões do edifício Girassol vejo minha vizinha do outro lado da rua acenando e bradando como se fosse minha melhor amiga.
-vai tomar café?- ela pergunta como se já não soubesse
Balanço a cabeça em concordancia e sigo em frente.
Quando chego na padaria uma fila incomum está formada, mesas cheias, pessoas demais. Vou ter de 'tomar café em outro lugar' penso, e saio dali. Penso em todos os lugares possíveis perto de minha casa que aceitariam meu vale refeição, mas não consigo lembrar de nenhum, então resolvo ir trabalhar.
Dentro do ônibus meu estômago corrói de fome, e minha cabeça dói pela falta do café, pego meu livro e tento me distrair até chegar no meu ponto de decida.
O onibus sacode tanto que fico tonto, quando chego em meu ponto desço um degrau e perco a noção de onde está o chão, quase caindo sobre uma moça linda a minha frente. Seu cheiro maravilhoso me deixa extasiado e eu caio no chão, ela parece um anjo.
-Moço você está bem? - ela se preocupa e então me dou conta de que muitas pessoas estão me olhando.
Levanto do chão em um pulo e limpo a roupa, a multidão se esvai lentamente e eu agradeço a preocupação da moça comigo. Ela sorri e então vai em direção contrária à meu destino e eu fico lá, petrificado.
Quando recobrou a consciência a fome vem como um leão e eu volto a ficar tonto, encontro uma lanchonete próxima e lá mesmo como. Pão ruim e café ruim, pelo menos a fome se foi, sigo para o serviço.
Mais um dia normal, cansativo e chato se vai e agora eu sigo para casa, cansado e com mais fome que o normal. Quando desço perto de minha casa vejo novamente a moça de mais cedo e ela parece intocada pelo tempo, seu cabelo continua o mesmo, seu sorriso continua branco e seus olhos tem o mesmo castanho. Como pode a existência de uma pessoa ser tão bela?
Caminho em direção ao edifício Girassol sem fazer contato visual ela me olha, sorri e se aproxima.
- Oi, você lembra de mim? De hoje cedo.
Sorrio.
-Lembro sim.
- O senhor realmente está bem?
Me sinto velho.
-Estou sim, foi só um susto.
-Que ótimo.
Ela bate palmas.
-O que faz por aqui?
Pergunto.
- Estou me mudando para este edifício.
Ela aponta para o Ed. Girassol onde moro.
- Só falta você me dizer que irá se mudar para o apartamento 502.
Sorrio debochado, ela fica sem graça.
-Sim.
Diz quase inaudível. Fico pasmo.
- eu moro no 504
Os olhos dela brilham.
-vizinho!!!
Ela me abraça. Abraço quente e terno, me derreto.
Quando ela me solta eu me despeço sem jeito e subo para meu apartamento. Nunca pensei que eu a encontraria de novo em tão pouco tempo e ainda mais sendo minha vizinha.
Ao entrar em casa largo minhas coisas na mesa e caminho para a cozinha, procuro desesperadamente algo para comer. Na geladeira tenho água, algumas verduras brotando, um queijo mofado e um leite em estado aceitável. No armário tenho pão de 4 ou 5 dias atrás, uma caixa de ovos e um pacote de macarrão pela metade. Pego minha carteira e nem um centavo tenho lá dentro, vou passar fome no mínimo um mês.
Pego o pão e coloco um pouco do leite em um copo, caminho para a sala e começo a escutar barulhos vindos da rua, vou até a janela olhar e lá está um piano sendo puxado e ela gritando em alto e bom som "cuidado".
Quando me vê na janela acena sorrindo e eu retribuo. Queria tanto convidá-la pra vir aqui, mas esta casa está um lixo e não tenho dinheiro suficiente para repagina-la de um dia para o outro.
Sento-me no sofá e relaxo meu corpo tenso e percebo que o leite não estava em estado tão aceitavel como achei.
De meu apartamento consegui escutar toda a noite da nova vizinha, toda sua arrumação e organização. Por volta de meia noite ouvia-se o leve dedilhar em um piano, foi o que me levou a dormir.

A Lua (Concluido)Stories to obsess over. Discover now