* Paloma*
_ Alex me espera!_ grito enquanto corro atrás dele_ Por que tanta presa?
_ Acho que aqui já tá bom._ ele para sem fôlego e faço o mesmo.
_ Bom pra quê?_ olho ao redor. Estamos perto do rio de águas claras.
_ Pra te entregar isso._ ele pega um anel de bijuteria desses que vendem na frente da nossa escola_ Esse anel é o símbolo da nossa amizade._ ele coloca no meu dedo e depois no dele_ E eu prometo que sempre vamos ser amigos.
_ Eu também prometo._ nos abraçamos forte.
Depois para comemorar a nossa amizade pulamos no rio, apostamos que ficava mais tempo sem respirar debaixo da água e também brincamos de jogar pedras na água e contar quantas vezes elas quicam antes de afundar. E quando já estava ficando tarde fui para a minha casa e Alex foi para a dele.
Assim que cheguei mamãe me mandou tomar banho, depois ela me ajudou com o cabelo e então eu, ela e a minha irmã Tálita descemos para jantar com o papai. Ele estava feliz porque a colheita logo iria chegar e as nossas pimentas são uma das melhores da região.
Na hora de dormir mamãe me colocou na cama, me deu um beijo de boa noite e depois foi para o seu quarto com o papai. Não demorei a dormir, estava exausta de tanto que corri e brinquei hoje.
Acordei com uma agitação e gritaria do lado de fora, também senti um cheiro de queimado. Fui correndo até a janela e vi o meu pai com mais uns peões tentando apagar o fogo do nosso deposito, mamãe aparece com Tálita chorando em seu colo e me abraça. Maria trás um pouco de leite morno para Tálita e para mim, mamãe fica conosco até a confusão toda acabar.
Fica difícil dormir outra vez e fico apenas rolando de um lado a outro da cama. Levanto antes do despertador e vou até o banheiro escovar os dentes e me arrumar para o café da manhã. Quando chego a mesa papai está com uma cara de preocupado e mamãe tenta acalma lo, eles tentam disfarçar mas eu sei que o estrago foi grande.
_ Com licença senhor._ Francisco, o capataz da fazenda chega tirando o chapéu_ Achamos isso quando estávamos limpando o deposito._ entrega um isqueiro para o meu pai.
_ Obrigado Chico, pode ir._ ele nos acena com a cabeça e depois vai embora. Papai olha para o isqueiro e fica ainda mais sério_ Não pode ser.
_ O que foi meu amor?_ mamãe também olha o objeto e fica séria_ Não deve ser o que estamos pensando, eles nunca fariam isso.
_ Também achava isso, mas contra provas não à argumentos._ papai levanta quase derrubando a cadeira.
_ Aonde você vai?_ mamãe pergunta levantando junto com ele.
_ Vou tirar essa história a limpo e vai ser agora._ eles somem juntos e eu fico com Tálita que está distraída com a comida e não deu atenção ao que acabou de acontecer aqui.
Belisquei um pouco da comida e depois fui junto com a minha irmã para a sala de tarefas, ficamos pintando, ou melhor, eu fiquei pintando enquanto a Tálita rabiscava. Depois de um tempo mamãe aparece e fica junto com a gente, mas a sua cara não está muito boa.
Estávamos assistindo um desenho quando papai chega praticamente soltando fumaça pelo nariz. Joga a chave da caminhonete em cima da mesinha de centro e passa as mãos nos cabelos tentando se acalmar.
_ Como foi?_ mamãe pergunta.
_ Ele negou tudo é claro._ papai bufa e anda de um lado para o outro_ Disse que eu estava louco, mostrei o isqueiro com o brasão dos Martinez e ele disse que eu podia ter falsificado._ ele para e me olha_ A partir de hoje você não fala mais com o Alessandro, não quero ter mais nenhum contato com aquela família.
_ Mas ele é o meu melhor amigo e estuda comigo._ argumento já com vontade de chorar.
_ Não estudam mais._ ele fala de um jeito que me assusta_ Você vai estudar em um colégio feminino na capital. Já está decidido e nem adianta me olhar com essas caras._ ele sobe como um furacão e mamãe fica sem reação.
Sinto os meus olhos ardendo e um nó na garganta, uma lágrima escorre por meu rosto e mamãe tenta me consola. Mas eu saio correndo em direção ao rio, as palavras de papai ainda estão na minha cabeça. Eu não sei bem o que aconteceu entre ele e o pai do Alessandro, a única coisa que eu sei é que nós dois não temos culpa.
Quando chego ao rio vejo que mais alguém resolveu vir. Assim que me aproximo descubro se tratar de Alex, que ao me ver vem e me abraça. Como eu ele também chora e acho que o pai dele também o proibiu de falar comigo. Vamos até uma pedra que fica na margem e ficamos olhando o rio.
_ Alex, eu não quero deixar de te ver._ digo chorosa.
_ Eu também não._ ele olha para o nada_ Nem sei porque tudo isso. O seu pai chegou na minha casa brigando com o meu e depois o papai disse que eu ia para o colégio militar e que não podia mas de ver.
_ O meu pai disse que eu ia para uma escola de meninas na capital._ digo secando o rosto_ Mas eu não quero ir, as meninas de lá devem ser chatas e não vou poder tomar banho no rio e corre pelo campo todo dia.
_ Seja como for, me promete que não vamos deixar de nos falar._ ele pede segurando a minha mão.
_ Eu prometo._ digo olhando nos seus olhos_ Os nossos pais não vão nos separar._ nos abraçamos.
Ficamos ali até que escutamos passos vindo em nossa direção e decidimos que era melhor nos despedir. Um dos peões do meu pai estava a minha procura, assim que cheguei em casa levei a maior bronca e fiquei de castigo no meu quarto. Mas não me importava porque pior que isso é ficar longe do Alessandro.
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Quando Acontece o Amor
RomanceAlessandro e Paloma eram inseparáveis quando crianças, mas um mal entendido fez com que as suas famílias se tornassem rivais. Paloma foi mandada para um colégio de meninas na Cidade do México e nunca mais soube notícias de Alessandro. Agora que está...
