Olhe nos meus olhos, meu amor,
Isso não é uma despedida,
Eu só estou lhe preparando,
Para o pior, para a dor da perda,
Coisa que ninguém fez comigo,
Sempre me cortaram sem prévio aviso,
E eu, pobre em palavras, me calava
Queria não ter que viver isso,
Todos os dias, o peso de acordar,
E manter uma guerra dentro de si,
Calado e se gritar, você se perde,
Eu sei que não está fácil para você também,
Aqueles olhares, os sussuros, até chegar nas vozes,
Elas me feram também
Mas não desista de se levantar,
Por causa do pesar, aguente toneladas,
Seus olhos negros e inchados
Sempre me entregam como foi a sua noite,
Seu male é meu male, isso soa bem,
Eu posso te salvar hoje, só hoje,
Só hoje criei coragem para amar alguém
Eu quero que você lembre de mim,
Mas não agora, que as chuvas da primavera
Dão vida as orquídeas do seu jardim,
Não agora, que você sorri atoa
E tem um frio na barriga particular,
Aquele de estar com o amado, ao lado,
Tendo o medo enclausurado no passado
Quero que lembre de mim no escuro,
Quando estiver sozinha, sem sombra até,
Cigarros e lágrimas não valem como companhia,
Lembre quando as lâminas chamarem,
Querendo secar seu sangue, não sua dor,
Quando estiver de cara com a escuridão,
E ela sorrir para você e te dar a mão
Quando seu corpo estiver multilado pela vida,
E sua cabeça, sem crença alguma, só na morte,
Só assim, lembre de mim, minha,
Lembre e faça de mim sua mola
Para escapar daquele poço escuro,
Que nós conhecemos tão bem como nossa casa,
Do meu rosto, faça um esboço
Do que mais te mantém de pé, sonho ou real
E se quiser rir e gozar da vida,
Lembre da noite das lâminas,
E do fato que eu nunca soube usá-las corretamente,
Veias e nervos demais, sempre reclamei,
Lembre da nossa queda histórica,
Das fotos suas que furtei para mim,
E do meu bigode de leite pelas manhãs
Promete para mim, que quando o céu
Estiver da cor púrpura, daquela cor só nossa,
Vai lembrar de mim, promete,
Assim poderei mostrar o quanto eu te amo,
Te salvando da sua mente,
Lembre dos erros e do meu cabelo desgrenhado,
Lembre, amor, amanhã mesmo,
Eu posso querer estar, mas não estar aqui,
Para te refrescar de mim.
Fim
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Para Dias Bons & Ruins - Allan Rocha
Poetry"Acordei um dia e resolvi contar em poesia tudo aquilo que meu peito queima de tanto querer guardar.." Bem, os temas são bem diversos e também descrevem em mínimos detalhes os sentimentos e pensamentos da cabeça de um adolescente que acredita ser...
