Prólogo

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Luna, a garota que mora no mesmo quarto que eu me acordou:

- Kimberly, acorde! Hoje vão visitar o orfanato!

- Eu não quero ser adotada, Luna.- resmunguei.

- E por quê não?

- Olhe bem para mim. Eu tenho oito anos.Ja estou velha demais. Fora essas manchas horríveis nas minhas pernas. Ninguém iria me querer.

- Que tolisse! Tenho certeza que iriam prefirir você. Eu preferiria você.

- Mas você não é uma adulta, Luna. Você é só uma garota de 12 anos.

- Meninas, por favor desçam.- Freya disse. Eu gostava dela. Ela era gentil com a gente, principalmente comigo. Ela é como uma mãe para mim.

- Ja vamos!- Anunciei.

Descemos a escada correndo, e quando chegamos lá embaixo, havia um homem alto e ruivo, provavelmente solteiro, pois não tinha nenhuma mulher o acompanhando e nenhuma aliança em seu dedo.

- Crianças, esse é Landon Roberts, ele veio aqui para adotar um de vocês.-Freya explicou.

- Oi, Senhor Roberts!- Falamos em coro.

- Senhor Roberts, esses são Elias, 10 anos; Jocelyn, quatro; Jonathan, 11; Mary,5; Letícia, 17; Nicolas,14; Luna,12; Sabrina, 7; e Kimberly, 8. Sinta-se a vontade para conhecer as crianças.

Freya saiu do cômodo e o Senhor Roberts começou a nos perguntar várias coisas, como nossa comida preferida, brinquedo preferido, etc...

Freya voltou e o chamou para ir até sua sala, enquanto nos deu a ordem de ir para nossos quartos. Mas Luna, claro, não lhe obedeceu e ficou atrás da porta ouvindo a conversa, enquanto eu fui para o quarto para desenhar.

Minutos depois, Luna veio correndo falando que o Senhor Roberts tinha uma filha deixada aqui, e que veio para o orfanato justamente para buscá-la.

Uma meia hora depois, aproximadamente, a Senhora Smith entrou pela porta, anunciando que eu era a escolhida. Meus olhos marejavam, e eu fui correndo abraça-la. Finalmente eu iria ter uma família!

- Eu vou sentir saudades de você, Luna. E de você também, Freya. Você me disse que ia trazer seu filho pra cá e ainda não trouxe!

- Me desculpe. Espero que um dia você possa conhecê-lo. Eu espero mesmo.

- Sem problemas. Eu preciso arrumar minhas coisas agora, se me dão licença.

- Claro! Te esperarei lá embaixo.

Arrumei as minhas coisas em uma pequena mala, levei só o essencial, nada de mais.

Desci as escadas,radiante, e fui me despedindo de cada órfão. Abracei Freya novamente, e ela sussurrou algumas palavras em meu ouvido:

- Você nasceu para brilhar, Kimberly. Você vai conquistar coisas especiais e que serão só suas. Me prometa que não vai deixar ninguém roubar suas coisas, Kim. Não deixe isso acontecer. Nunca.

- Pode deixar. Ninguém vai roubar o que eu nasci pra ter. Nunca.

- Nunca se esqueça disso, Kim. Todos podem parecer radiantes e brilhantes, mas eles não são o Sol. Você é.

A abracei com mais força. Não estava preparada para um adeus. Mas eu tive que dar.

Então eu acompanhei meu pai até o carro e dei um adeus para todos com a mão. Luna até chorou! Eu ainda vou reencontra-la.Eu tinha que fazer isso.

Cheguei em minha nova casa e subi até meu quarto, onde fui arrumando minhas coisas. Somente um pequeno detalhe me deixou totalmente decepcionada:

- Pai, se não se importar, posso pintar meu quarto de verde?

- Claro que sim, querida.

- Posso te fazer uma pergunta?

- Sim.

- Por que vocês me abandonaram?

-Sente-se querida, é uma longa história.

Sentamo-nos e ele começou:

- Sua mãe e eu eramos casados, há muitos anos atrás, até que ela decidiu se separar de mim. O que ela não sabia, era que estava grávida. Quando descobriu a gravidez, nós ja estávamos separados, e ela decidiu te esconder de mim. Quando você nasceu, ela te mandou para um orfanato. Ela se casou e teve outra filha. Quando me contou sobre você, eu imediatamente saí por aí para te procurar.

- Mas se ela teve outra filha, por que me abandonou?

- A "Religião" dela não a deixa ter filhos fora do casamento.

- E por que eu tenho essas manchas na perna?

- Eu também tenho, querida.- ele disse levantando a calça. - Isso é raro. Eu vi poucas pessoas na minha vida que tinham uma mancha assim na perna. Mas duas? Isso é herança. Somente as melhores pessoas têm.

E pela primeira vez na vida, eu me senti feliz por ter essas manchas. Eu percebi que eu não estava sozinha. Eu era única. E especial. Eu era o Sol.

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