Era tarde da noite, devia ser umas nove ou dez horas da noite e o pequeno Jay ainda não havia retornado para casa. Preocupada, sua tia decide então adentrar a floresta a procura do garoto.
Tia Cisa e Jay moravam em uma casa de madeira, em um local rural, onde plantavam o que comiam e nada mais. A velha tia Cisa Fëller possuía um cabelo de cor vermelho forte, tinha lá seus cinquenta e tantos anos, e, por esse motivo, já não tinha a mesma pele de antes. Agora a pele jovem e lisa da senhora Fëller fora tomada por uma pele enrugada levemente, onde expressava a dura vida levada pela senhora. Estranhamente a pele dela possuía algumas cicatrizes na boca, sobrancelhas e testa, embora sempre falasse para seu sobrinho que eram cicatrizes de arranhões e batidas acidentais, o jovem menino sempre desconfiava não serem disso.
Enquanto andava, a senhora Fëller limpou as mãos no seu avental de cor roxa e estampa florida, uma rara combinação mas muito linda. Caminhou passo após passo para dentro da floresta, apressadamente mas ao mesmo tempo tranquila. Ela parou e observou a mata quando ouviu um assobio. Ergueu a cabeça e viu o pequeno menino encima de uma árvore, brincando com um pássaro, que parecia ser um Tordo.
-Você sempre subindo em árvores, hein menino!
Exclamou ela com um sorriso no rosto.
-Desça daí!
Ordenou enquanto via a cara triste do pequeno Jay.
-Ah Tia, a senhora sempre me repreende quando subo em árvores! Não vê que já sou grande?
-Pelo chapéu de Glut, você só tem 13 anos...
Jay nem se importou com o fato de não saber quem era Glut, ele sempre ouvira essa expressão da Tia mas nunca ligou muito para isso, apenas desceu da árvore e caminhou para fora da floresta com a tia.
Ambos caminharam até chegar em casa. Tia cisa abriu a porta e parou imediatamente.
-O que foi, Tia?
-Jay... Corra, saia daqui!
Arregalando os olhos, Jay apenas murmurou algo.
-Me obedeça, Jay, saia! AGORA!
Cisa puxou um dos grampos do cabelo, que mais parecia um Hashi, girou algo parecido com uma tampa na parte lisa e revelou uma adaga brilhante.
A adaga possuía algumas palavras entalhadas. Palavras numa língua e fonte estranha para Jay, que ao ouvir a ordem de sua tia, novamente, não pestanejou e correu em direção à estrada, ouvindo gritos que vinham da casa.
Jay correu por alguns minutos, até não ouvir mais os gritos. Foi quando chegou à velha estrada. Uma estrada iluminada e com poucos carros.
Ele sabia o que sua Tia encontrara. Eram os mesmos homens que haviam assassinado seus pais. Ele não podia voltar, sabia que sua tia não queria isso, mas mesmo assim seu coração o ordenava a tal ato. Sua tia o avisara de que quando ela mandasse ele correr, não deveria retornar. E foi o que ele fez. Jay caminhou até a casa de um velho amigo, Anthony.
Quem recebeu Jay foi o pai de Tony. Um senhor chamado Leroy, que imediatamente deixou o pequeno entrar.
-Tony, eles pegaram ela...
-Eles quem, Jay?
Perguntou o senhor Leroy
-Os caras que pegaram meus pais. Pegaram a tia Cisa, vocês tem que ajudar. AGORA!
Tony e Leroy se olharam por um tempo.
-Tony, leve o Jay com você. Para AQUELE lugar
Tony concordou e puxou Jay consigo enquanto saíam para um cômodo secreto, atrás de um dos quadros.
Jay olhou assustado nos olhos de Tony e se soltou rapidamente.
-MAS E SEU PAI?
-Jay... Você precisa vir...
-TONY... NÃO.
O antigo túnel começou a desmoronar, soterrando Jay e Tony, que desmaiaram na mesma hora.
Quatro Anos Depois
Algo de errado estava acontecendo. Um frio repentino assolava a pele do garoto, que tremia como se houvesse levado um choque. Ele se via em uma sala escura, com três tronos de costas para ele.
-Onde eu estou?
Parecia que suas palavras não alcançavam os tronos
-ONDE EU ESTOU?
