A estranha em meu quarto

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Estranha, essa era a palavra que a definia.Muito pelo seu jeito diferente,seu comportamento,como se a todo momento quisesse apenas afastar as pessoas.Ninguém sabia o porque,na verdade ningém queria saber,para todos ela era uma panaca quequeria apenas atenção.Eu não pensava isso,mas também não fazia nada para ajuda-la,nem sabia se ela precisava,e apenas a conhecia por ser minha vizinha.Todos os dias a via em seu quarto,passava praticamente o dia inteiro no notebook. Nunca chegamos a conversar antes daquele dia,o dia que a conheci realmente,não a garota que todos diziam por aí,a verdadeiragarota,a verdadeira Leslie Norman.

Já era de madrugada,não se ouvia barulho algum na casa,meus pais dormiam,a lua iluminava a noite.Eu acordei com o barulho do computador ligado,embora eu tivesse o desligado antes de dormir.Naquele momento senti um calafrio percorrermeu corpo,fiquei paralisado,enquanto suor frio escorria pela minha testa.Agarrei a coberta apenas por extinto, obvio, uma coberta não impediria nada.Pensei em gritar,mas o medo impedia,minha garganta parecia tampada,minha respiração era forte,tentava controla-la para não anunciar a pessoa que estava ali que eu havia acordado,talvez logo fosse embora,devia apenas fingir que ainda dormia.

-Desculpe-me se te assutei Pietro,é que não quis incomoda-lo o acordando,mas precisava de seu computador,é rápido prometo.- aquela voz era familiar,sabia que a cohecia.Ainda com medo,consegui me virar para ver quem era a pessoa.Imediatamente a reconheci,aquela postura arcada,primitiva,a blusa de moleton vermelha de sempre,a calça preta rasgada,o allstar velho e todo sujo,Leslie Norman.No mesmo instante senti um alivio total,meus musculos relaxaram e meu coração diminui os batimentos,respirei fundo,enquanto pela primeira vez,ficava feliz em ve-lá. Mas o que ela fazia em meu computador?ela tinha o dela,ignorando o fato de aquilo ser invasão de domicilio.

-O que você pensa que está fazendo?Isso é invasão,vou chamar a policia!- falei me levantando da cama.Fui paraa porta do quarto,preste a sair.

-Volte aqui,ou juro que corto sua garganta!- disse ela,toda sinistra,novamente senti o calafrio.Fiquei com a mão na maçaneta da porta,se saisse correndo não daria tempo de ela cortar minha garganta.Mas,ainda sim,apenas fiqueilá parado.Teria ela coragem de praticar tal ato?Não queria pagar pra ver,embora duvidasse muito.

-O que você que?- perguntei ainda lá parado.

-Já disse,apenas usar o computador,meu pai tirou o meu de mim.Segundo ele,devo ir para o mundo real,conhecerpessoas reais.E meio que estou fazendo isso,não é?- ela era medonha,como dizia as coisas,como se fosse superior,Leslie não era estranha,era aparentemente uma egoista narcisista.

-Poderia ter pedido,amãnha,não precisava fazer isso.-falei,tentando me acalmar e distrai-la.

-Poderia,mas quero fazer isso hoje,o amãnha é muito demorado.E não se preocupe,jamais cortaria sua garganta, apenas fiz jus ao meu apelido de estranha.- ¨E de repente não devo me procupar?¨,perguntei a mim mesmo.Talvez aquelefosse o momento,até quando ficaria ali parado,tinha que fazer alguma coisa,devia.Sem pensar direito,abri a porta do quarto e sai correndo pelo corredor,imediatamente avistei a porta do quarto de meus pais,tiha que chegar apenas ali etudo voltaria ao normal,mas senti um peso em meus pés e quando percebi me aproximava do chão em alta velocidade.Joguei

meus braços para frente para impedir que eu batesse a cabeça,enquanto era puxado de volta para meu quarto,tentei fazer

força para frente,mas tudo fora tão rapido que quando percebi já estava dentro de meu quarto novamente.Leslie me virará

para cima de forma brusca,ela estava em cima de mim,segurando em meus pulsos,pondo meus braços contra o chão,fazia força,mas

ela estava com a vantagem(fisicamente falando).

-Escuta aqui seu moleque,só quero usar o computador,se quisesse te matar teria feito enquanto você dormia.Então fica quietinho aqui até eu terminar tá bem?!Vou te soltar e se você fizer isso de novo não me responsabilizo por meus atos.- terminouela.Aos poucos foi aliviando a força que fazia contra meus pulsos,fiquei parado a olhando com raiva,era tão patético tudo aquilo.Rapidamente fechou a porta e voltou para o computador.Me levantei e fiquei em pé perto da janela,não tentaria fugir novamente,apenas a forma como ela me pegára e me trouxera de volta já fora assustadora o suficiente,e não tentaria pela janela,era pior ainda,uma queda de 6 metros,e somente naquele momento me perguntei como foi que ela conseguiu entrar.

-Tá demorando,sabia?- perguntei a ela.Estava irritado o bastante por aquela noite,quem aquela garota pensa que é,para ir invadindo daquele jeito.Mas não me importava,logo ela iria embora,logo amanheceria e tudo voltaria ao normal, nunca mais falariamos um com o outro de novo.

-Eu sei,é que estou tendo dificuldades,eles tem um software mais avançado do que eu esperava.

-Eles?Quem são eles?- perguntei me aproximando dela.Pude ver que haviam varios numeros na tela do computador,talvezcódigos,não fazia idéia do que se tratava,mas era algo bem estilo hacker.-O que você está fazendo?

-Invadindo o pentágono para roubar informações para vender aos terroristas.-respondeu ela com um sorriso.

-O que?!Isso é crime sabia!?

-Calma,to zuando você,na verdade estou invadindo uma empresa de tecnologia para roubar informações para venderaos seus concorrentes.

-Continua sendo crime.-definitivamente,Leslie Norman,não era apenas estranha,era era tudo de ruim do mundo.

-Crime é o que essas empresas fazem com as pessoas,não aguento mais todo esse capitalismo.O mundo sofre,pessoas morrem de fome,e essas empresas não prestam para ajudar,o dinheiro delas não é apenas delas,é do mundo.- aos poucos fui me afastando,sentei em minha cama e fiquei lá olhando aquela garota cometer um crime cibernético,será que ela não pensava nas conseguencias daquilo,até que pude perceber que talvez ela estivesse usando meu computador paranão se dar mal,fazia todo sentindo,o pai ter tomado o notbook era uma ótima desculpa,ela pensou em tudo.

-Epera,vão rastrear meu endereço de IP,por isso você está usando meu computador.

-Não se preocupe,estou usando um programa que está mudando constantemente seu endereço de IP.Jamais vãoacha-lo.- não fazia idéia se aquilo realmente funcionava,mas o que eu poderia fazer,jamais a agrediria,já ela pelo contrário não pensaria duas vezes.

Amanhecia quando Leslie finalmente terminou de fazer o que estava fazendo. Agora tudo seria como antes, fora apenas uma noite diferente, a qual eu jamais esqueceria, mesmo se quisesse . Não aguentava de tanto sono, minhas pálpebras pesavam uma tonelada, minha cabeça doía, e a cada dez segundos eu bocejava. Mas não queria dormir até que ela fosse finalmente embora. E quando ela disse o tão aguardado tchau me joguei na cama, estava com frio, mas imediatamente dormi.

A narquiaWhere stories live. Discover now