O rapaz bêbado ainda me perseguia. Escondi-me rapidamente atrás de uma árvore.
Os sons dos galhos sendo esmagados por seus pés me causavam medo e davam-me arrepios.
- Vamos, garota. Apareça para mim - gritou o rapaz e dei um sobressalto de susto com a voz próxima a meu corpo.
Comecei a orar mentalmente; eu não sou religiosa, mas fora uma das primeiras coisas que passaram pela minha cabeça.
Já suspeitava que não não deveria ter vindo à essa festa, preferia ter ficado em casa. Lendo meus prediletos livros mitológicos ou assistindo a filmes do mesmo gênero. Mas não, Safira continuou a insistir: "Vamos, Amber, vai ser legal. Eu mereço, é meu aniversário".
- Se você não vier até aqui, vou contar até três. Apareça! - gritou, irritado.
Não tinha para onde correr ou para onde se esconder. Não havia escapatória para fugir. Eu estava começando a suar frio e a tremer.
- Já que você insiste. Um... Dois... E é três! Má escolha, princesa - avisou, já começando a voltar a me procurar.
Encolhi-me entre o tronco da árvore, mas não pareceu funcionar já que senti um ar quente bater sobre minha bochecha esquerda. Fechei os olhos por reflexo.
- Achei você! - falou enrolado por conta da bebida.
- Não, por favor! Me solta! - eu implorava, mas ele não parecia se importar.
- Cale a boca, garota - mandou, enquanto me pressionava na árvore.
Eu já deixava as lágrimas rolarem por meu rosto, molhando meu busto destapado pelo decote do vestido. Ele começou a desabotoar sua calça e eu avistei seu membro ereto. Aquilo me dava repulsa, nojo.
- Hoje você não escapa de mim.
Durante o momento em que ele tentava puxar meu vestido para o meio de minha cintura ouvimos os arbustos se mexerem. Não havia vento algum.
- Quietinha - sussurrou e tapou minha boca com sua mão que, infelizmente, fedia a cigarro.
Novamente os arbustos se mexeram. Havia algo ali. Ou alguém. Rápido como um tigre.
- Não, hoje é você que não escapa - falou um homem de voz fria.
Apenas tive a visão do rapaz que iria me estuprar perder a cabeça. Literalmente.
Havia sangue por todos os lados, inclusive em meu rosto. A figura criminosa estava caída sob meu pés, decapitada. Eu não sabia se sentia alívio ou horror pelo acontecido.
O homem em minha frente brincava com um sorriso maldoso em seus lábios. Seu pescoço era ressaltado por grossas veias que quase pulavam para fora de sua pálida pele. Seus olhos, cores de violeta, exalavam luxúria e prazer por morte, se é que isso existe. Seus dedos eram cercados por anéis da mesma cor de seus intensos olhos. Havia um cordão em seu pescoço. O cordão carregava um cristal de cor magenta.
- Nem você escapa, meu amor - fora a última coisa que eu ouvi antes do homem abrir sua boca e revelar presas mortíferas.
Em um movimento rápido, apenas senti seus dentes afiados perfurarem meu pescoço agressivamente, como se fosse um papel num grampeador. A diferença é que doía. E muito.
Se eu deveria ter corrido? Talvez. Mas se tivesse o feito não estaria aqui para contar esta história.
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MALOK
VampireEm seu décimo nono aniversário, Amber Malok decide se mudar para a casa de seu pai em Deadly Hill, uma pequena cidade no Estado de Kansas. Mal sabia elas as coisas que viriam a seguir. Sua vida sofre uma transformação depois de presenciar presas cap...
