Muitas mágoas. Só isso. Parece simples, no começo parece ser normal, até você começar a se sentir assim todos os dias. Ser excluída, ser sempre a segunda opção... "Você está exagerando, olha que menina bonita você é, tem saúde, amigos... Como poderia ter uma vida melhor? Se anime!" É o que dizem. Não é assim tão fácil. Dói quando você se esforça tanto para fazer alguma coisa mas no fim dá tudo errado, sempre parece que está faltando alguma coisa. Ai eu me pergunto "Aonde foi que eu errei?" E as pessoas dizem "Você não errou." Então por que caralhos eu sempre sou a excluída? Por que parece que eu sou sempre a segunda opção? Por que todo mundo parece se dar bem e eu sou sempre "aquela garota"?
Eu cansei. Eu já estava sofrendo muito, eu queria me ver sofrer, eu não aguentava mais viver. Tudo que eu queria, era morrer. Mas quando eu mencionava tal assunto ou as vezes pensava alto, era sempre um "Não se mata não. Você é legal." Bem no fundo, eu queria acreditar naquelas palavras, eu queria mesmo, mas eu não conseguia. Porque na minha mente, ninguém se importa. Então se ninguém se importa, para que continuar aqui? Para ser a garota que atrapalha tudo? Prefiro morrer e ver aqueles que amo felizes. Então foi ai que eu comecei a me cortar. Meus olhos choravam lágrimas e meus pulsos, sangue.
Meu filho com o Mello havia nascido recentemente. Com apenas alguns dias de vida, Owen, o nome que escolhemos para ele, já era a cara do pai. O loiro do cabelo dele era mais claro, assim como o meu, já os olhos, verdes como os do pai. Eu amava Mello e Owen de mais, mas sempre que eu não estou por perto, sempre tem garotas com o Mello. Já conversei com ele sobre isso e ele disse que não é nada de mais, só umas companhias do Matt. Não é que eu não confie nele, mas é que eu olho para aquelas garotas e penso 'Poxa, olha como elas são bonitas, e olha pra mim, eu não sou nada. É óbvio que o Mello seria mais feliz com elas...'
Eu sempre me cortava quando não tinha ninguém por perto. Comecei a ir para a faculdade apenas usando blusa de frio, para que ninguém visse os cortes e começassem a me questionar. Eu me perguntava se um dia eu iria morrer só por causa dos cortes, e eu esperava que sim. Eu já até tinha planos para Owen depois que eu morresse... Eu aposto que o Mello poderia cuidar dele sozinho, ele sabe brincar. Agora sem o Mello, ele teria de ir para um orfanato... O único orfanato que eu confiei foi Wammy's House, mas o problema é que fica em Winchester, longe de onde moramos. E se você estiver se perguntando... Nem a Fer ou a Bia sabem sobre os cortes, e olha que elas são minhas amigas mais próximas. Bia ainda estava grávida de 9 meses, o bebê dela poderia nascer a qualquer momento, então eu e Fer estivemos cuidando muito da Bia.
Um certo dia, Fer decidiu convidar todos nós, que seriam Light, Near, Bia, L, Mello, Owen e eu para a casa dela. As coisas não ficaram boas para o meu lado. Eu fui a única a ir de blusa de frio, e era verão. A primeira coisa que eu ouvi dos meus amigos, já que Mello, Owen e eu fomos os últimos a chegar, foi tipo:
"Nossa, você não tá com calor não?"
"Oxe, tira essa jaqueta ai menina."
"Lembre-se que calor de mais faz mal."
"Oloko como que você consegue..."
Eu simplesmente tentei agir normalmente, então inventei uma desculpa "Ai gente, me deixa. Eu tô com frio, deve ser um efeito pós-parto." Eu disse e eles deram de ombros, parece que funcionou. Não foi uma festa, nada de mais aconteceu. Mello é claro, estava todo orgulhoso e feliz com o filho dele, que bom, porque eu queria partir o mais rápido possível. Ninguém estava falando comigo, então eu fui no banheiro, só para dar aquela olhada básica no espelho e arrumar o cabelo. Eu também havia tirado a minha blusa de frio para eu poder 'respirar' um pouco, mas foi uma péssima ideia, Bia apareceu e viu os cortes "Stefani, como assim mano... Não faz isso... FERNANDAAA VEM AQUI RAPIDÃO." Ela gritou para que Fer ouvisse "Que foi?" Fer chegou perto da porta e Bia apontou para os meus pulsos "Stefani, para com isso sua puta. Eu já te disse pra você não se matar. É irreversível, se você se matar, já era. Então pensa mano..."
"Por que a gritaria?"
Mello apareceu atrás das duas e eu tentei esconder meus pulsos mas Bia fez com que eles ficassem a vista "Vocês podem me dar licença? Eu preciso conversar com ela em paz." Mello pediu e as garotas voltaram para a sala. Antes que ele pudesse começar a falar, eu já perguntei "Cadê o Owen?" "Com o L. Agora minha vez de te fazer perguntas. Que. Porra. É. Essa?" Ele perguntou e apontou para os meus pulsos "Não é nada de mais..." Eu respondi baixinho "Como assim não é nada de mais? Se pegar uma veia importante ai, você morre." Ele disse, não tão calmo "Que legal... Morte."Eu disse baixinho novamente "Para com isso agora. Me explica o por que disso. Morte é irreversível, se você morrer, morreu. E você consegue imaginar o quanto de gente vai sentir sua falta? Mano o Owen acabou de nascer, mesmo que eu saiba cuidar dele, você é a mãe dele carai, vai deixar ele sozinho mesmo?" Eu não respondi, não respondi porque estava chorando em silêncio "P-Parece que ninguém liga... Que ninguém se importa comigo... Eu só queria ser legal, eu só queria ser alguém melhor..." Eu finalmente respondi "...Até você tá saindo com companhias melhores... Eu já vi você conversando com muitas garotas que são de longe muito mais bonitas do que eu." Eu continuei "Mano, na moral, elas que vem conversar comigo, e eu só converso normal, qualquer coisa que elas digam que sugira mais que amizade eu já saio fora. E elas são meio que amigas do Matt, então relaxa... A gente tem um filho." Ele disse "...Você estava bêbado quando aquilo aconteceu. Eu também estava, mas talvez se a gente não tivesse bebido, o Owen não estaria aqui hoje." Eu disse e ele respirou fundo, tentando manter a paciência "Só te falo uma coisa: Noite no chalé. Do que você lembra?"
"..."
"A gente não usou nenhum tipo de droga, foi por nossa livre e espontânea vontade, então o Owen estaria com a gente de qualquer jeito." Mello finalizou e eu fiquei meio que sem argumentos, mas mesmo assim tentei falar alguma coisa "Mas-" "Mas nada, fica quieta." Ele disse e me beijou. Não só para que eu ficasse quieta, mas porque ele quis mesmo. Depois disso, Mello sugeriu que andassemos um pouco lá fora, para aproveitar o silêncio da noite "Gente, cuidem do Owen por nós, a gente só vai caminhar um pouco lá fora. Não vamos demorar." Mello disse e abriu a porta para mim.
Caminhamos até chegarmos em um parque que ficava bem perto da casa da Fer. O bairro onde ela mora é considerado perigoso durante a noite, mas qualquer coisa, o Mello já resolve. "Consegui te convencer a não fazer algo estúpido? E você nunca me disse que tinha depressão..." Mello disse "Porque eu não tinha... E bem..." Eu hesitei e não terminei minha frase "Garota, se você morrer, não sei o que eu faço. Muita gente gosta de você, e eu principalmente. Seus amigos precisam de você, o Owen precisa de você... Eu preciso de você." Ele sussurou para mim. Ele sempre faz isso, porque ele sabe que isso me faz ficar cada vez mais apegada a ele "Você é tipo uma droga... Que eu me vicio mais a cada dia..." Eu disse e ele concordou "Pra mim você é a mesma coisa. Por isso que eu queria que você fosse minha pra sempre." Ele disse e desviou o olhar, ele provavelmente é bem tímido ao confessar alguma coisa "Como assim? Eu já sou 100% sua." Eu disse e tudo que ele conseguiu fazer foi pegar uma caixinha onde estava uma aliança "Sei que não foi romântico mas... Casa comigo?" Ele perguntou e eu imediatamente o agarrei dizendo sim. "Impossível recusar..."
"Impossível é ficar sem você. Se você morrer, parte de mim morre também. Sei que vai fazer tipo um ano que a gente se conhece, mas quando o amor é real, tem que se valorizar. Eu te amo, assim como eu amo o Owen, e pretendo te amar até o último dia de minha vida. O Owen é novo ainda, mas saiba que ele te ama também."
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Death Note: Ideias Deixadas De Lado
FanfictionÉ importante que você esteja acompanhando minha fanfic "Death Note: Universo Alternativo" para entender. Esse "livro" consiste em ideias que se passam no mesmo universo da fanfic mencionada acima, mas que não foram usadas. Também é importante saber...
