o cômodo

23 0 0
                                        

Meu nome é Vanessa, não irei contar meu sobrenome, já que não é necessário. Minha aparência física, antes de tudo começar, não importa também. Não voltarei àquele corpo. Vamos logo a história.

Eu tinha uma vida normal, estudava, trabalhava e tinha alguns amigos. Os que eu mais gostava, e ainda gosto, eram o Felipe, a Letícia e a outra Letícia. Por incrível que pareça eles continuam com a mesma aparência. Bem, e também havia o André... Um homem genuinamente belo, que eu tenho uma queda.

Estava em um evento de animes, em meus plenos 15 anos. Andava de um lado para o outro, parando pra conversar com cosplayers e pessoas que eu conhecia, quando vi André com seus amigos. Sorri e fui caminhando calmamente... Não, não, fui correndo. Além de lindo, era um youtuber relativamente famoso. Abracei os outros primeiros, deixando um deles, que era meu amigo, e ele por último.

O nosso diálogo foi breve, mas o suficiente para eu gostar ainda mais dele. Conforme o tempo passava, voltei a fazer o que estava fazendo e notei uma porta estranha, que eu juro que não estava ali antes.

Um brilho me atraia e eu fui. Quando entrei vi o André parado numa outra porta do outro lado do cômodo. Aproximei-me lentamente, tocando seu ombro, ele segurou meu pulso fortemente.

— Ai — exclamei, assustada com seus dedos fechando-se em meu pulso. — André, o quê...? — De repente, sinto-me puxada para aquela luz tênue, que ia ficando cada vez mais forte. Fecho meus olhos, com força. Enquanto a luz vai enfraquecendo eu abraço André firmemente. Abro os olhos quando a luz fica suportável. Então, tudo fica escuro. Largo ele e olho em volta.

Só consigo sentir um poder obscuro nos cercando.

*E os últimoss chegaram...* Diz uma voz sibilante masculina. *Bem vindoss a fortaleza, humanoss*

— L-Lorn? — pergunto, e uma grande porta de madeira se abre. Uma mulher com feições puxadas levemente para o réptil se aproxima. Draca. Sem dizer nada, ela nos guia para fora daquele local escuro, levando-nos para uma outra sala, onde estavam os meus amigos. Lê, de pele morena e grossos cachos até o meio das costas, na companhia da Lety, de cabelos castanho chocolate e olhos castanhos. Os olhos castanhos de Felipe cintilavam em uma curiosidade inocente, enquanto explorava o lugar. Ele também tinha pele morena clara e cabelo preto.

Draca analisou a minha situação, tocando minha peruca, já que estava fantasiada e eu sinto um calafrio. De repente eu era naturalmente meu cosplay.

— Não queremoss  fantasiass. — Sua voz sibilou em meus ouvidos.

— Entendido — respondi com naturalidade, sem encara-lá. As lentes de contato viraram minha íris, a peruca agora era meu cabelo, as orelhas felinas e a cauda se fixaram em mim nos tornando um ser, apenas.

— Irão ter suas jóiass dos Ssangue. E o nome SsaDiablo. — A voz de Draca ecoou pelo pequeno cômodo, fazendo com que a comemoração dos reencontros nem começasse. — Ssua misssão é ajudar a manter o triângulo unido e forte para a chegada da Feiticeira.

Eu era a única que entendia, um passo em falso arruinariamos tudo, um pequeno detalhe, mudariamos toda a história.

— Então, onde está Tersa? — perguntei.

— Quem é Tersa? — perguntou André, confuso. Lê, a outra única que entendia, reforçou:

— Já está no reino distorcido?

— Como assim? — Lety e Felipe perguntaram em uníssono

— Tecendo a teia, Letícia — Ela aponta para Lê. — Você atende agora pelo nome de Anielle. Venha comigo.

Ela apenas obedeceu, com uma cara confusa. Depois de saírem da sala eu fiquei olhando todos, então perguntei:

— Como chegaram aqui?

— Eu, o Felipe e a Lê estávamos no shopping. Entramos em uma loja e uma luz forte apareceu do nada. Quando vimos, a gente estava aqui. Aliás, onde é aqui? — Lety falou, apressada.

— Aqui é a fortaleza. Só não lembro se estamos em Terreille ou Kaeleer — respondo.

— Como vocês vieram parar aqui? — Felipe perguntou, animado demais.

— O André começa — aponto para ele.

— Não entendi direito. Mas eu me separei dos meus amigos pra comer alguma coisa, quando eu vi um cômodo que não estava lá e eu decidi investigar. Tinha um livro no chão e uma porta que brilhava. Peguei o livro e ele se desfez, flutuando para a porta e eu me aproximei. Passei pela porta e fiquei num limbo de luz, por uns dois minutos, eu acho — ele sorri de lado —, quando eu senti a mão dela no meu ombro, eu a segurei puxando ela para dentro, por instinto. E aparecemos em uma sala escura.

— Fomos recebidos diretamente por Lorn... — falei quando a porta abriu-se e Draca adentrou o recinto, novamente.

— O próximo... — Ela fitou Felipe — Você será Kale. Venha comigo. — Ele também a obedece. Não falamos mais nada. Depois de um tempo foi Lety, que agora era Mary. André virou Andrew. Chegou a minha vez...

Blood, But Not At AllWhere stories live. Discover now