CAPÍTULO 1
O sol alcançou meu rosto me trazendo de volta à lucidez.
- Maldita hora que mudei meu quarto para este lado da casa. - foi
o primeiro pensamento do meu dia, ou da tarde, já que o relógio na parede
mostrava que eram 14: 00hs.
Minha cabeça doía, na verdade sentia dor em meu corpo todo. Eu
queria me levantar, mas parecia que estava amarrada. Com muita difi culdade
joguei lentamente minhas pernas para fora da cama e me sentei, franzi a
testa e indaguei.
- Que noite foi essa?
Meus pensamentos estavam irritantemente confusos, eram só
lembranças vagas da noite anterior.
Levantei-me e me vi no enorme espelho, a calça jeans estava toda
amarrotada, a blusa vermelha tinha mancha de algum líquido ressecado, o
batom borrado deixava meu rosto parecendo de boneca na mão de uma
menina.
Bem devagar, fui caminhando em direção à cozinha, estava com
medo de encontrar minha mãe, meu relacionamento com ela não andava
muito bem desde que sai de sua barriga. Dona Valéria conseguia estragar
meu dia com apenas uma palavra, acho que era uma espécie de dom que
ela tinha.
Eu já havia decidida que não seria uma mulher amarga como ela,
talvez por isso meu pai chutou o pau da barraca e foi embora.
O principio básico era que quando eu me casasse com Erick, o
fantasma do divórcio não existiria em nossas vidas... Ele me amava e eu o
amava.
Abri a geladeira e fi xei os olhos em alguma coisa, mas não consegui
pegar, meu corpo estava debilitado.
Depois de alguns segundos, estiquei o braço e peguei uma jarra com
suco de goiaba, não gostava da fruta, mas era o melhor que tinha. Senteime
na cadeira da cozinha e senti meu celular vibrar no bolço de trás da
minha calça, tomei um copo de suco em um só gole e coloquei o celular
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sobre a mesa, ele continuou a vibrar, eu não iria olhar agora, já sabia o que
tinha lá, centenas de bom dia de grupos e mais grupos que haviam em
meu WhatsApp, garotos pedindo fotos em vão, querendo me conhecer.
Ser bonita às vezes me entediava, muita gente paparicando.
Com muita determinação, eu me levantei e fui ao banheiro. Percebi
que a porcelana da sala estava brilhando, os móveis no lugar, impecáveis,
minha mãe estava animada e o fato dela ter feito tudo sozinha deve tê-la
deixado uma fera.
Meu estômago começou a embrulhar.
Meu Deus! Vômito não! Agora não!
Entrei no banheiro correndo e a vontade de vomitar passou.
Sentei-me no vaso sanitário e senti uma leve dor na região de minha
genitália, eu conhecia aquela dor, ela era sentida depois de uma noite
prazerosa com Erick, mas aquilo não fazia sentido, eu o vi na última sexta, e
hoje era segunda-feira. Ignorei a dor junto com os pensamentos estranhos.
Tirei toda minha roupa e fi quei diante do espelho.
Havia algo errado comigo, eu amava meu corpo, meus seios eram
acima do tamanho médio e fi rmes, agora tinha um hematoma no lado
inferior do meu seio esquerdo. Levantei minha mão direita e toquei em
cima da marca na esperança de que doesse, pois a dor ia me dizer que
aquilo não era o que eu estava pensando. Só que não doeu.
Comecei a entrar em pânico quando surgiu a ideia de que aquilo foi
feito pela a boca de um homem. O medo aumentou ao me lembrar das
dores que senti quando me sentei no vaso.
Da noite anterior, eu só me lembrava de sair dos altos da Avenida
Afonso Pena, de carro com uma amiga que eu não via há muito tempo,
com três rapazes e um casal de lésbicas, eu estava entusiasmada por rever
Linna Maika, mas os acontecimentos posteriores eram obscuros.
Meus olhos começaram a marejar de lágrimas.
O que eu havia feito? Eu tinha transado? Com quem? Com quantos?
Uma lágrima rolou até o canto de minha boca e eu passei a mão
trêmula em minhas partes íntimas e senti de novo a leve dor.
Estava claro sim, traí o melhor namorado do mundo, o mais altruísta,
abnegado, calmo e compreensivo, entre todos os homens que conheci.
Saí da frente do espelho com pressa de tomar banho para ir ver meu
celular, talvez uma conversa pelo WhatsApp esclareceriam as coisas, talvez
só fosse paranoia minha, os pensamentos negativos eram comuns depois
de uma noite de farra.
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Meu cabelo estava oleoso, o loiro vivo agora estava um amarelado
meio morto, não iria lavar agora, também não iria postar nenhuma foto em
meu Facebook, milhares de curtidas não fariam do meu dia melhor, nunca
fi zeram.
Limitei-me a não pensar em coisas desnecessárias para manter o
foco naquilo que realmente me importava, celular! WhatsApp!
A casa estava vazia, então saí nua, pingando água pela porcelana, ao
entrar de novo em meu quarto, notei que minha poltrona de estudo estava
fora do lugar e o notebook ligado, minha irmã Aline só tinha cinco anos,
mas ela sabia mexer em coisas que eram difíceis de acreditar.
Abri meu guarda-roupa e peguei uma calcinha qualquer, um short
leve e uma blusa velha, me vesti e desci as escadas. Sentei-me no sofá da
sala, olhei para o painel que sustentava a televisão, a procura do controle
remoto, não o achei, e quando abaixei os olhos até a mesa do centro, vi
o porta-retrato que abrigava a foto de meu querido Erick, me angustiei e
olhei para o celular.
Meu aparelho alertava a falta de memória, eram nove grupos
no aplicativo, fui saindo de um por um, tinham muitas mensagens no
privado, mas uma em especial uma me chamou a atenção, era minha amiga
confi dente Julia Valencia.
A mensagem dizia;
- Amiga você é ridícula!
Ela nunca tinha sido grossa comigo, pensei que fosse brincadeira,
mais tarde eu responderia.
Rolei a tela do celular para baixo e fi quei em choque.
O nome do contato era Amor... Meu Erick, mas a mensagem
começava com meu nome inteiro e ele nunca me chamava assim. Algo não
estava bem, na sua foto de perfi l não estava nossa foto como era costume.
Um mix de sentimentos passou pela minha mente em pensar que
naquela mensagem poderia estar escritas palavras não muito agradáveis.
Sentimento de puro medo e insegurança fi cava circulando em volta
de minha cabeça como se fossem os anéis de Saturno.
Fiquei um breve tempo olhando pra tela do celular até que me deu
coragem e abri para ler, mas seria melhor não ter abrido. O texto me
massacrou.
"FERNANDA MATTOS, EU QUERO QUE VOCÊ
SEMPRE ESTEJA BEM, FIZ DE TUDO PARA MANTER NOSSO
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RELACIONAMENTO NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS, MAS CHEGA
UMA HORA QUE NÃO DÁ MAIS, SOU PÉSSIMO EM FAZER VISTA
GROSSA, ESTOU INDO EMBORA. NÃO ME PROCURE, NÃO SE
ESFORÇE, OBRIGADO PELOS MOMENTOS BONS. APENAS
CUIDE MELHOR DO SEU FUTURO, A PARTIR DE HOJE NÃO
FAÇO MAIS PARTE DELE."
ERICK SANTIAGO.
Para minha decepção, hoje não era primeiro de abril, não era um
blefe, de novo as lágrimas vieram sem serem convidadas.
Do que ele fi cou sabendo? O que estava fazendo da minha vida? Por
que eu só faço merda? Eu estava perdendo a melhor pessoa do mundo e a
culpa era minha.
Percebi que ele estava online e resolvi perguntar o que estava
acontecendo, mas quando comecei a digitar, tive que parar e assistir sua
foto de perfi l sumir lentamente sugerindo que eu estava sendo bloqueada.
Tentei ligar e caiu na caixa de mensagem.
Quando achei que nada podia piorar, minha mãe chegou, ela estava
com seu uniforme azul de palestrante, suas feições eram de indignação, sua
voz era o refl exo do seu rosto.
- Você não ia ontem à casa de Pâmela Messa? - disse ela alterando
o tom de voz - desde quando Pâmela te deixa assim?
- Estava boa a gandaia, Fernanda? Olhe pra mim, garota
irresponsável!
Eu ia mandar ela para o inferno, mas neste momento minha mãe era
o menor de meus problemas.
Mesmo que eu quisesse, as palavras não saiam, minha voz estava
embargada em lágrimas, nessa hora veio às náuseas e não consegui segurar,
um jorro de vômito saiu de minha boca em direção do pé de minha mãe...
Droga!
Os sapatos caríssimos dela não mereciam aquilo, em seguida caí
de joelhos, minha barriga doía, minha mãe me insultava, só saía líquido,
obviamente eu não tinha comido nada. Quando o vômito cessou, eu estava
fraca e desidratada, minha expressão devia estar péssima.
Fiquei em pé e minhas mãos tremiam tanto que parecia que eu sofria
de mal de Parkinson.
Minha mãe se calou e me ajudou a caminhar até o banheiro, pelo seu
rosto dava pra ver o que estava pensando.
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Pobre garota, com apenas 17 anos e nesse estado.
A água forte bateu em minha cabeça e comecei a me lembrar do meu
melhor amigo Matheus Villa, ele também não deveria estar feliz comigo, já
que o deixei sozinho e saí com estranhos na noite anterior.
Ainda tinha minha sujeira para limpar na sala.
Vesti a mesma roupa e saí do banheiro, o chão da sala já estava limpo.
Ao chegar à cozinha, minha mãe estava fumando seu cigarro na
porta, ela estava de cabeça erguida, seus pensamentos estavam longe.
- Podemos conversar, Dona Valéria? - falei envergonhada.
- Vá dormir, fi lha, depois conversaremos. - disse ela sem me olhar.
Seu silencio era pior do que seus gritos. Ela estava coma razão.
Tomei um copo de água e fui para o meu quarto, minha boca estava
amarga, meu hálito deveria estar fétido.
Ao me deitar, eu só pensava em Erick, as palavras por ele escritas
tinham um peso enorme.
Encolhi-me como uma bola e abracei o travesseiro de coração que
ele havia me dado. Meu corpo fi cou amortecido e os pensamentos agiam
devagar, eu só queria que o pior dia da minha vida terminasse. Caí na
inconsciência.
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Ovelha Negra - na teia de intrigas
RomanceFernanda é uma típica garota popular de 17 anos. Inesperadamente, surge um vídeo seu de conteúdo sexual, em mãos erradas, e seu mundo colorido fica de cabeça para baixo. Abandonada pelo seu amor, tentando entender o inexplicável, ela se vê presa num...
