Atolado na merda. É como me sinto estando tão perto do que eu quero e não podendo tomar, inferno, desde Maria eu não quis mais ninguém.
Eu nem mesmo fodia mais, o máximo era pagar uma prostituta pra me chupar e aliviar um pouco da minha tensão. Eu tenho estado entorno de Helena há um longo tempo, sou sua sombra desde que Matteu surtou sobre um dos guardas cobiçando a garota aos quatorze anos e em nenhum momento a vi como uma mulher.
Eu tenho quarenta e cinco anos e sou quebrado demais para agir de forma diferente, mas desde o atentado ela se tornou tão... Vulnerável. Pouco a pouco Helena foi desencadeando emoções em mim, eu queria ampará-la e tentar ajudar com sua dor. Eu também perdi tudo, também perdi um filho e entendia bem o vazio que encontrava em seus olhos.
Inacreditável o tamanho de sua força, ela foi se reerguendo e demonstrando uma força invejável. Eu queria aquela força, eu a queria...
Rangi os dentes revoltado por sentir meu corpo responder ao me lembrar do dia em que a vi somente com uma camisa de Matteu, aquele dia foi a borda pra mim. A vergonha me atinge ao me lembrar da forma como me masturbei assistindo meu chefe e amigo tomá-la.
Depois daquele dia saí de meu caminho para evitá-la e isso resultou em sua fuga. Eu ainda não conseguia colocar minha mente em torno do fato de Matteu tê-la traído, mas não cabia à mim julgar.
Eu vi meu amigo passar por várias fases de miséria até alcançar o nível da apatia total. Ele deixou de se importar com tudo, o único momento em que demonstrava algum afeto era perto de Giovanna ou Vincenzo, em contrapartida se tornou o que sempre quis. Um Capo que entrasse para a história, conseguiu fazer com que todas as demais máfias se cuvarsem à seu bel prazer.
Helena resolveu voltar bem a tempo e surpreendeu a todos com a notícia de que teve uma filha e a manteve afastada de nós por todo esse tempo, a ver novamente me colocou no calvário. Ainda mais bonita, como era possível ser tão bonita? Isso não importa no entanto. Helena e Matteu se amam sem medida, da mesma forma que eu amo minha Maria.
Todos pensam que eu não sou capaz de sentir emoções e prefiro dessa forma. Ninguém tem que saber que as imagens dela queimam meus olhos cada vez que eu me deito, cada vez que sinto cheiro de pêssegos a dor amarga da saudade me invade. Já fazem vinte anos que eu a perdi e ao contrário do que as pessoas tanto pregam não ficou melhor ou mesmo mais fácil. Dói da mesma forma que ou pior, por diversas vezes pensei em desistir de tudo.
Não existe nada que eu queira mais que me juntar à ela, mas sei que não seria o que Maria iria querer e não poderia desapontá-la dessa forma. Respirei fundo sentindo a porra do meu coração apertar, esta sensação sufocante não me abandonaria jamais.
Toda a raiva que me motivava me abandonou assim que matei até o último dos Woodnov e todos seus subordinados que participaram da atrocidade que destruiu minha vida, tudo que ficou foi a dor crua.
Pobre Maria, tão boa e pura. Pessoa nenhuma merece o que ela passou, me mata saber que eu não pude evitar seu sofrimento. Aquele canalha nem mesmo foi capaz de lhe permitir uma morte rápida, ele levou seu sofrimento durante dias.
Fechei meus punhos ao me lembrar da fita, ver todos aqueles homens a estuprando enquanto ela clamava por ajuda... Clamava por mim!
"Matteu? Não faça nada que possa vir a se arrepender mais tarde." A voz de Vincenzo me puxou das lembranças obscuras e me trouxe de volta ao presente.
Um olhar para meu amigo e soube que ele descobriu a verdade, era apenas uma questão de tempo até que a bomba estourasse. Quando vi Giovanna chegando com um ex-funcionário de Helena e a forma como os dois se fitaram eu soube que ele era o único com quem ela havia se envolvido.
No entanto o tal Daniel não se manifestou, apenas fingiu que não a conhecia. Ignorei a voz que me mandava contar tudo para Matteu, não era meu negócio e eu já havia falado sobre isso com Helena.
Os dois estavam felizes e esperando gêmeos, apenas a vida perfeita o que me faz duvidar que ela tenha chamado o brasileiro até aqui. Eu vi a forma como ela não se atreveu a desistir em momento algum enquanto Matteu estava naquela cama, mesmo diante da hipótese dele jamais acordar Helena se manteve irredutível.
O pior veio quando ele deduziu tudo sozinho, aparentamente Helena não havia dito toda a verdade. O olhar de decepção em seu rosto quando nos fitou vai ficar para sempre marcado em minha memória.
Matteu fez muito por mim, ele é meu único amigo, a única pessoa em todo esse mundo de merda em quem eu confio.
Quando Maria foi levada eu fiquei desesperado, a polícia colheu meu depoimento e disse que iria investigar, mas não sou idiota. Todos temem a Bratva, ninguém iria contra eles e minha única alternativa foi levar o caso até a Cosa Nostra.
Fomos atacados no território deles e Maria era italiana, eles viviam pregando sobre proteção à população italiana. Se existia alguém que poderia ajudar seriam eles, foi um raciocínio lógico.
Com esse pensamento fui até um restaurante local onde eu sabia que eles se encontravam e pedi para falar com o Capo, alguns dos homens riram de mim ironizando meu pedido. Eu não estava em meu melhor estado de espírito o que me levou à atacar um dos imbecis, naquele momento pensei que realmente iria morrer e tenho certeza de que se Matteu não tivesse intervido eu não estaria mais aqui.
Quando vi aquele menino no final da adolescência não lhe dei muito, mas todos pareciam temê-lo e por algum motivo ele resolveu me ouvir. Quando terminei de contar a história ele mandou que todos os homens que estavam na sala fossem investigar, Matteu me tomou sob sua asa e não mediu esforços para localizar Maria.
Quando eu estava sem rumo ele me ofereceu a chance de canalizar todo esse sentimento para algo produtivo, vingança.
Ele me estendeu a mão e em momento algum cobrou algo que eu não poderia dar, enquanto todos os familiares de Maria tentavam me consertar Matteu estava ali me oferecendo uma saída sem cobrar nada em troca.
Eu definitivamente não gosto dessa sensação ruim na boca do meu estômago ao vê-lo indo embora, mas antes que pudesse segui-lo ouvi o som dos pneus acelerando para fora da propriedade.
***
Estava terminando de malhar quando começaram a esmurrar a porta do quarto. Suspirei e me levante puxando uma camisa sobre meu corpo.
Ao abrir a porta me deparei com uma Camilla desesperada.
"É a Helena..." Foi tudo que precisei ouvir para entrar em alerta, cheguei na frente da casa bem a tempo de ver Vincenzo descendo a escada com ela no colo.
"Temos que levá-la ao hospital o mais rápido possível." Contive o revirar de olhos ao ouvir o comentário óbvio, assim que Vincenzo me alcançou tomei Helena de seus braços.
"Ligue para Matteu." Ignorei os olhares dos dois e corri até o carro, tentei não me concentrar na forma como o perfume dela nublava meus sentidos a cada passo que eu dava ou na forma como seu corpo estava pressionado no meu. Não vá até lá...
Cuidadosamente a coloquei no banco traseiro, Camilla já estava lá dentro com todas as coisas do bebê. Dei a volta no carro e entrei, Vincenzo se sentou no banco do carona com o celular no ouvido e uma expressão frustrada no rosto.
"Inferno, Matteu, atenda a porra do telefone." Meus lábios se contraíram ao ouvi-lo xingar, apenas não combinava com ele.
O caminho para o hospital não foi tão longo e assim que entramos Helena desapareceu no corredor. Prendi a respiração tentando ignorar as malditas lembranças deste lugar, onde eu beijei Maria pela primeira vez, onde a pedi para se casar comigo...
Engoli em seco sabendo que não iria embora daqui, mesmo que as paredes brancas me atormentassem. Eu tinha um dever para com Matteu e não estava prestes a descumpri-lo agora.
É isso pessoal, não me matem hahaha estou deixando este prólogo aqui e provavelmente só volto a postar após minhas provas terceira semana de Dezembro. Bjs e até a próxima. 😘😘😘
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Minha Luz
ChickLitSérie O Capo - Vol. 2.5 Marco tinha a vida perfeita pela qual sempre lutou. Uma carreira promissora como neurocirurgião, um casamento maravilhoso com a mulher de seus sonhos e um filho a caminho. Perder sua mulher e seu filho para a Bratva fez o mu...
