O homem estava deitado em uma maca improvisada montada no acampamento, suas mãos tremiam e seus olhos inquietos se moviam rapidamente, hora olhando o teto da tenda, hora olhando o médico, que cortava suas calças afim de expor os ferimentos. As mãos calejadas tremiam e sua boca seca vez ou outra era molhada por um pouco de cachaça. A dor já o teria desmaiado, mas o nervosismo o mantia agitado demais para isso.
-Teremos que amputar. -Disse o médico se direcionando ao seu assistente.
Neste momento um cubo de gelo surgiu no estomago do jovem soldado, o homem tentou se levantar, mas o assistente o segurou pelos ombros.
-Não, senhor, por favor, não faça isso. Vai sarar, eu tenho certeza. -Disse em desespero.
-Se não amputarmos a infecção se espalha, tem sorte por sobreviver.
-Senhor, por favor, vai melhorar, eu sei que vai.
Neste momento o assistente empurrou seus ombros, deitando-o de volta a maca.
-Tome mais um gole. Disse o assistente lhe entregando o cantil com cachaça. O soldado bebeu em goladas longas, mas seu desespero não foi afetado.
Tampe-lhe a boca para que não morda a lingua -Ordenou o médico. O jovem então pegou o pano vermelho esticado na maca e amordaçou o soldado. Após limpar a ferida, o médico pegou a serra, e com a ajuda do assistente começou a extração. O barulho dos ossos sendo serrados foi abafado pelos gritos sufocados pela mordaça, antes
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Dezembro Negro (EM REVISÃO)
Historical FictionNo ano de 1868, após anos servindo em uma guerra infundada, o médico Augusto Candeia debanda do exército brasileiro no Paraguai e vive uma longa jornada por um território hostil.
