CENA I – MARCHANDO AO INFERNO
Caminhando a passos lentos na saída do trem que os deixou em um simpático vilarejo Heitor e Victor conversam sobre o destino e o que ainda ele os reserva.
No momento de maior fraqueza de Heitor, Victor influencia a vontade do alquimista até seu ponto mais alto. Ela... Parece e soa como Cecília.
Victor: Lamentar a sua tristeza é apenas o meu modo de confortar-te caro Heitor! Lembranças de sua juventude inocente sempre aguardando pelo amanhã, esquecendo-se sempre do hoje, você está solitário e eu nomeio sua solidão.
Heitor: Não entendo as durezas de tuas palavras demônio! Diz sentir minhas agruras, porém lembra-me a todo o momento de que estou perdido, sem alma e agora também sem corpo, não rias de minha desgraça.
Victor: Muito pelo contrário meu querido amo estou compadecido de ti e de suas perdas, os pais quando eras uma criança o irmão e agora a amada em intervalo tão curto de tempo, mas nunca deixe-se esquecer que terás a mim ao seu lado por toda a eternidade da vida terrena.
Heitor: Isto o que me mantém firme belo diabo! Sei bem que enquanto eu viver terei em ti meu porto seguro, pois nosso amado senhor tem me tirado tudo. E se ainda estou de pé procurando pela sublimação final, não é mais uma derrota que me fará vencido.
Diga mais de ti a mim demônio! Verdadeiros são os relatos de tua queda? Seu maior desejo é voltar à luz divina?
Victor: (Cínico) Tuas verdades são minhas verdades e nada mais importa caro Heitor!
É noite e enquanto caminham a procura de um lugar para ficar no vilarejo, Victor olha ao redor e nota que se trata de alguma data festiva no local, pois há luzes e algum alvoroço de pessoas mais ao norte.
Heitor: Eu como seu mestre, ordeno...
Victor: Olhe, mais a frente há pessoas em algum tipo de culto! Seria um absurdo procurarmos pousada antes de uma boa diversão, qual seria a vantagem de caminhar ao lado do mal, sem que ele lhe tentasse quanto aos desejos?
Heitor: (ri) És o mestre dos enganos, porém sempre sinceras são as tuas palavras... Vamos ao encontro das tentações.
As festividades se tratavam de um culto ao deus dos comerciantes, pois era o período do solstício de inverno onde as vendas aumentavam em grande porcentagem. Os viajantes adentram ao local.
Vendedor 1: Viajantes?! Que belas roupas trajam, (A Heitor) tenho em excelente estado um colete de gibão que cairia em teus ombros como uma fonte de água corrente límpida em pleno deserto aos olhos dos sedentos.
Vendedor 2 : Levando o colete terei para ti o par de botas certo aos teus pés exaustos.
Victor: Senhores aguardem, por favor, acabamos de chegar e gastar nosso dinheiro em suas nobres mercadorias é de nosso agrado, mas esperem até que estejamos bêbados que certamente a barganha será menor.
Heitor ri da postura do companheiro e enquanto Victor conversa com a dupla de vendedores, Heitor observa as pessoas do lugar, mas sua mente apenas faz lembrar os olhos de sua amada falecida, seus momentos vividos intensamente nos últimos tempos. Victor enquanto conversa com os homens faz questão de vasculhar os pensamentos de seu mestre.
Victor: (na mente de Heitor) Agora me conte tudo sobre sua dor, todos os detalhes, não diga que é amor! O seu coração frágil alimenta meu desprezo.
Heitor: (Com lágrimas nos olhos) Cecília!...
Uma garota que vendia a um camponês um pedaço de bolo, o condenado a vê de costas e corre ao seu encontro, pois o corpo esguio e as madeixas da garota pareciam materializar seu desejo de reencontrar sua amada Cecília. O demônio esboça um sorriso ao canto da boca ao ver seu mestre correr em direção a possível Cecília.
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O ÚLTIMO VERSO PERFEITO (LIVRO 2)
Historical FictionEsta é a continuação da saga O Último Verso Perfeito, baseada no álbum conceitual Black Halo da banda Kamelot que se trata da continuação do álbum Épica. Que tiveram como fonte de inspiração a conceituada obra de Goethe, Fausto. Auxiliado pelo demôn...
