Versos perdidos dentro de um inconsciente perdido, dentro de uma gaveta vazia, dentro de uma angústia vazia...
Para as mulheres que amei, por Abel
Eu que já sobrevivi a incontáveis finais dos tempos,
Já dormi com vento frio arrepiando o passado em minha nuca,
Já lembrei de coisas que nem sabia que residiam em minha mente,
E dentro dela, estavam as memórias delas.
Elas que me mostraram toda a felicidade do mundo,
Apesar de também me transformarem na mais fria peça humana já existente em terra.
Elas me trouxeram alívio a alma, a carne, a boca, ao desejo,
Mas principalmente aquilo que sempre pensamos que não existe até que se prove,
Ah! O amor.
O amor,
O amor de um homem por uma mulher,
De uma vista que pode ser observada unicamente por você,
Como o jeito de um olhar recebido por ela durante seus momentos mais íntimos,
O toque,
As vezes cheio de mistérios mas com a certeza do prazer longe e remoto,
Controlado apenas pelo ego e pelo desejo.
Ah! Mas não seria esse mesmo o amor?
O egoísmo de não querer se dividir em dois, ao mesmo tempo vivendo a metade de um sentimento frio e intenso.
O amor seria uma hipotermia, onde nos embriagados, fumamos, e nos seus cinco graus negativos nos estragamos totalmente nus ao desejo, a morte.
O amor é a morte?
Já me perguntei incontáveis vezes e a cada novo amor desperdiçado essa pergunta ecoava cada vez mais dentro do meu íntimo,
A morte e o amor são mulheres sabias, que nós fazem corteja-las sem ao menos conhece-las,
Que nos fazem deseja-las a cada dia e ao mesmo tempo,
Temos medo de que algumas dessas ceda a nossos encantos e venha se juntar a nós.
