Aquela foi a primeira vez que eu olhei diretamente em seus olhos. Comecei a distingui-lo na multidão. Ele deixou de ser só mais um. Por simples mérito dele. Ele estava lá sem ser solicitado e com prontidão me estendeu a mão. Nunca me acostumo com inícios. Com os fins sou mais familiar. No início eu me sinto impotente, frágil e facilmente descartável. É uma sensação angustiante. Por isso preparo minha mente para o término. Um rápido e cedo fim. Mas quando isso não acontece tão rápido eu fico sem reação.
As pessoas têm uma tendência em não ter dificuldade de me dizer adeus.
Quando não dizem...
E quando elas decidem ficar? Esse é o maior problema. Quanto mais o tempo passa mais vai ser doloroso pra mim.
Eu sou difícil de ser conquistada mas quando você consegue eu me apego fácil. Sou uma grande antítese. Ele está tentando fazer isso. Diz ser meu amigo. E eu acredito. Quero acreditar. Ele merece um pouco de confiança de minha parte. Eu não inspiro nenhuma. Eu sou pedinte. Eu sou tola. Uma simples marionete dependente da ação alheia para me movimentar. Temo dar passos que nunca dei só. Nesse quesito sou totalmente vulnerável mesmo que não aparente ser. Eu não esperava isso da parte dele. Eu não esperava nada. Ou melhor esperava o pior. Porém, contrariando minha pouca fé ele me ofereceu um olhar e veio sem pensar duas vezes em minha direção e segurou minha mão.
Fiquei abismada com aquele gesto. O toque das pessoas é algo interessante. Parece que nós precisamos algumas vezes de contato humano. Eu nunca tive. Nunca pensei que precisasse. Vejo que preciso rever os nunca da minha lista. Fiquei com frio e olhei para os lados e me senti sozinha outra vez. Fiquei arrasada. Mas lembrei de seu toque e me aqueci. Não foi o bastante. Voltei a sentir frio. Não aprecio o frio. Ele me expõe. Torno-me fria também. Fria e sem companhia estava. Tinha voltado a estaca zero. Ou simplesmente ao esperado.
Só que você não deixou que eu tivesse esse pensamento por mais tempo. Agora te distinguo entre as pessoas. Você faz o mesmo. E vem até mim. Com um sorriso no rosto. E eu devolvo. Eu sempre quis que algo assim acontecesse. Pegou-me desprevenida. Antes era eu e ponto. Um dia um velho moço vislumbrou ao longe como se tivesse previsto que eu um dia conseguiria falar diretamente com as pessoas mesmo com meu jeito egoísta e elas me aceitariam. Eu não deveria ter duvidado. Duvidei porque esse velho moço foi embora como tantos outros. Sua palavra tinha perdido a credibilidade para mim. Porém, isso ocorre. E me deixa tão feliz. Como não me sentia há muito tempo.
Ele se auto denomina moço. Será que ele vai embora também? Eu estava a deriva. Temia por um déjà-vu. Meu temor passou. Mãos acenaram para mim e meu lugar já estava preparado entre eles. Se eu não já estivesse treinada a me mostrar sempre forte. Teria chorado. Senti-me um vilão tendo a sua redenção no meio dos heróis. Me chamam de heroína. Não sou. Talvez ainda não. Ainda espero pelo abandono dos heróis. A dor da queda é proporcional ao quão alto você sobe. E se eu subir e isso só me machucar mais? O velho moço partiu meu coração. O que será que esse novo moço fará?
