*Prólogo* "Eu prometo."

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   Era verão. Como Alison amava o verão. O sol,o calor que emanava dele  aquecia a pele. Ela o esperava, como fazia todo o verão, e ele sempre chegava pontualmente, vinte e três de Dezembro, em torno das quatro da Manhã. E Alison, com seus doze anos e meio o esperava sentada na calçada em frente a casa de sua avó,como todo ano. Seus pais nunca a viam pular a janela, oque era útil, porque a menina não era muito boa nisso, diferente dele. Ele a ensinara a pular janelas e subir em árvores, mas sempre fora melhor que ela, mas ágil, mas corajoso. Diferente da menina, tímida e sem muitos amigos.
    Era madrugada, a rua estava vazia, senão pelos ruídos de gatos e outros animais que vinham da vizinha. Até que Alison sente o coração bater mais rápido e as pernas bambearem ao ver o carro vermelho que tanto conhecia, que esperava ver todos os anos. A menina se põe de pé, ajeitando os cabelos e o vestido amarelo que ele gostava. Quando o carro estaciona, uma figura de cabelos escuros e olhos excessivamente azuis, boca bem esculpida e pele clara abre a porta do carro. Quando seus olhos se encontram, um sorriso travesso atravessa o rosto do menino. Alison não pensa duas vezes, tira seu sapato que machucavam-lhe os pés, e corre até o garoto o envolvendo em um abraço desesperado.

- Senti sua falta, Daniel. - a voz da garota sai grave. Encosta a cabeça no ombro do amigo, que era poucos centímetros mais alto do que ela

- Senti sua falta, Ali. - Como aquela voz a fazia falta, Aquele cheiro que só ele tinha, o abraço mais forte e acolhedor que ela provara. Daniel era sempre o mesmo, todo sorrisos e palavras doces, oque era incrível. Aquele sorriso bobo de moleque que só ele sabia dar. Era inexplicável oque ele a fazia sentir. E Era assim todo ano, quando Daniel ia visitar a avó no litoral de Oregon,ele e Alison cresceram juntos, mas então o pai de Daniel arrumara um bom emprego em Nova York. Mas nem a distância impedira-os de se verem. Mandavam cartas e e-mails, e Daniel ia uma vez ao ano vê-la. Mas especificamente para ver a avó, pelo menos era a desculpa que dava a seus pais.

- Daniel, fale com Alison e depois entre para falar com sua avó, ela quer vê-lo. - Diz a Sra. Rollins, mãe de Daniel. Depois de comunicar o filho, a mulher de alta estatura pisca para Alison com um sorriso no rosto, fazendo-a corar, os vizinhos e a família dos dois, sempre dizia que a ligação entre os dois era bem mais que uma bela e verdadeira amizade, não podiam estar mais errados, pelo menos pela parte de Daniel.

- Tudo Bem, mamãe. - Daniel responde com os olhos fixos nos de Alison - Não vou demorar.

Depois de um longo silêncio Alison entrelaça os dedos nos de Daniel. Eram sempre quentes,aquecendo- lhe a pele fria de Alison.

- Seus dedos estão frios.. - Daniel quebra o silêncio. Qualquer um que ouvisse tal frase acharia que fosse uma reclamação, mas Alison sabia que não era. - Senti falta disso. Da sua pele. Sempre fria, mesmo no verão.

- Acho que ter a pele fria como a de um cadáver não é muito atraente, Daniel - Alison diz com uma sorriso no rosto, ainda brincando com os dedos do garoto, amava seu jeito diferente

- Bom, para mim é.  - Ele diz com um ar sério, como se tivesse mais idade do que realmente tinha - Tenho uma surpresa para você

- O que é? Escreveu para mim? Senti saudade de seus contos e poemas.

- Sempre escrevo para você, Ali. Mas dessa vez escrevi mais de um. Senti mais a sua falta do que de costume. Eu sempre sinto, mas esse ano foi mais.

   Ao ouvir aquelas palavras, Alison aperta mais a mão de Daniel. Sorri e o olha. O Garoto a entrega o embrulho, Alison o observa, era um embrulho comum, mas só a caligrafia de Daniel no papel faz o coração de Alison palpitar. "De Daniel Rollins;Para Alison Rink". Alison rasga o embrulho sem nenhuma cerimônia e devora as palavras contidas no papel.
     Lágrimas escorrem pelos traços infantis de seu rosto. Daniel tinha talento. Ele escrevia, cantava e tocava bem. Mas sua escrita sempre fora a parte favorita de Daniel. Cada palavra, cada vírgula escrita pelo garoto era carregada de sentimento e sensibilidade. Alison desvia os olhos do papel levando-os aos dele. Daniel a encarava, como se esperasse a aprovação dela.

- Isso é incrível, Daniel. É lindo. - Alison emite as palavras dobrando os papéis delicadamente, como se fossem seu tesouro, algo precioso demais para a garota.

- Que bom que gostou, escrevi apenas para você. - O garoto encara o chão com vergonha demais para emitir as próximas palavras - Você me promete uma coisa, Alison?

- Qualquer coisa, Daniel. - a menina diz, com os dedos ainda enlaçados aos dele

- Me promete que quando crescermos, se não acharmos alguém que nos ame, que nos ame profundamente, vai casar comigo? Parece tolice, mas acho que me casaria com você. Você é minha melhor amiga, se você não achar seu príncipe encantado e eu uma Garota que me ame, mesmo com meu gosto estranho para músicas e filmes, acho que seria feliz com você.

  Suas palavras saem infantis, mas dentro delas havia algo que muitos adultos não tinham. A vontade de ser feliz, de extrair tudo de melhor da vida

- Por que está falando sobre isso agora, Daniel? - A Menina pergunta, nunca fora tão esperta quanto ele

- Por que quero ser feliz um dia, Alison. Não quero ser igual a meus pais, que são infelizes dentro de casa e se amam na frente dos outros. Quero algo verdadeiro, um amor que eu não precise provar para ninguém, apenas para a pessoa correspondida

   Nesse momento, Alison sentiu pena de Daniel. Alison nunca tivera problemas sérios dentro de casa, sua vida era normal demais, não era perfeita, mas não tinha muito sobre oque falar. Já Daniel tinha, vivenciava brigas diárias entre os pais, ficava sozinho com babás e empregadas durante toda a semana, só via os pais no fim de semana. Daniel Rollins era inteligente, bonito e carismático demais para isso. Ela nunca poderia recusar isso, não vindo dele.

- Eu prometo, Daniel.

Doce Dezembro Where stories live. Discover now