O Bips das máquinas e o som de passos apressados pelo corredor se mesclavam com o característico cheiro de quarto de hospital enquanto Brian estava sentado, pensativo, em um sofá.
-Brian?- disse a figura que estava deitada na cama. Ela estava tão debilitada que sua voz saia quase como um sussurro.-Brian?- repetiu mais alto.
Brian voltou ao mundo real. Sua semana estava sendo tão caótica que era difícil não se perder em pensamentos.
-Desculpa mãe. Eu estou aqui- Brian se dirigiu a cama e se aproximou de sua mãe para poder escuta-la melhor.
-Viajando em pensamentos de novo?
-Sim.-Admitiu o garoto um pouco sem graça.
A mulher dá um pequeno sorriso e coloca sua mão na cabeça do filho na tentativa de consola-lo.
-Não precisa se preocupar-Ela falava lenta e calmamente. Nem parecia estar doente.-Vamos passar por isso juntos. Ok?
Brian admirava a coragem de sua mãe. Mesmo sabendo do triste e inevitável destino ela ainda achava força para sorrir e ser positiva. Ele assentiu com a cabeça, segurando sua emoção.
Um homem de jaleco entra no quarto batendo na porta para anunciar sua presença.
-Com licença.- Disse o médico- Como estão as coisas? Se sentindo melhor, Fernanda?
Fernanda sorri e move a cabeça em sinal positivo.
-Ainda com dificuldade para engulir?- continua o médico.
-Ela está engasgando muito ultimamente- Brian responde.
O médico muda sua expressão, antes relaxada, para uma mais séria e preocupante.
-Isso não é um bom sinal. Parece que a doença está progredindo mais rápido do imaginavamos.
Fernanda tinha Esclerose Múltipla. Uma doença autoimune. Os próprios anticorpos dela estão atacando seu sistema nervoso central, destruindo seus neurônios e nervos. A doença não tem cura e o tratamento é muito caro. Na última semana ela teve que ser internada por causa da falta de ar e já não consegue mais andar sozinha. Por isso está sendo mantida em observação e tratamento no hospital.
-Eu preciso que seu filho se...
-Eu não vou sair.-Interrompeu Brian com determinação.
O médico olhou para Fernanda esperando uma resposta. Ela não parecia surpresa pela reação do filho e fez um sinal para que o médico continuasse a falar. Ele respirou fundo e disse com sua melhor voz técnica.
-Os novos exames mostram que sua capacidade respiratória está caindo exponencialmente, o que indica que a doença está començando a atingir os músculos responsáveis pela sua respiração.
O coração de Brian pareceu pesar uma tonelada. Ele olha para sua mãe naquele estado e se arrepende por não poder fazer nada que pudesse tirá-la daquela situação. O que ele fez para manter ela no hospital já ultrapaçou a linha do que ele achava que poderia fazer. E ele não queria ter que ultrapassar essa limite mais uma vez.
O médico explicou em alguns minutos o atual estado de Fernada e respirou profundamente ao se preparar para dar a notícia final.
- Devido a esses fatores nós estimamos algumas semanas.-Era possível sentir o pesar na voz do médico.
Naquele momento Brian quase desmoronou. "Não pode ser". "Tem que haver uma outra maneira". Ele pensou.
O garoto correu em direção ao médico e o agarrou pelo jaleco numa reação explosiva. Apesar da pouca força de Brian o espanto foi sentido por todos devido a reação do jovem.
- Você tem que fazer alguma coisa!-Brian suplicou enquanto balançava o jaleco violentamente.-
- Brian! Por favor. Pare!- Fernanda suplicava ao filho enquanto segurava as lágrimas.
-Você é um médico pelo amor de Deus! Tem que fazer alguma coisa- Brian continuava a esbravejar.
Uma enfermeira entra relutante no quarto.
-Doutor Carlos?-Ela faz uma pausa e olha para Brian com uma mistura de complacência e temor. Aos poucos ele solta o jaleco e se afasta, recuperando o controle-Estamos precisando do senhor no quarto 14.
Carlos alinha seu jaleco e se volta para Fernanda ainda com tristeza em sua voz.
- Desculpe. Não há nada que eu possa fazer para reverter essa situação. Eu voltarei mais tarde com a receita dos novos remédios. Eles são mais potentes e vão desacelerar os sintomas. Com licença.
A enfermeira acompanha o médico para fora do quarto e fecha a porta ao sair. Brian ainda está de pé com os punhos cerrados e respiração forte enquanto olha fixamente para a porta.
-Ei! Ele está fazendo o que pode. Não o culpe por algo que ele não tem controle- Sussurou a figura pálida que estava na cama.
Algumas lágrimas escorriam no rosto de Fernanda, mas seu sorriso calmo e sereno ainda estava estampado. Ela faz um sinal para que ele se aproxime. Brian imediatamente se acalma ao olhar para ela. Era difícil ficar com raiva perto de uma pessoa que mesmo naquela situação ainda pudesse manter um sorriso sereno como o dela.
Ao se aproximar ele a abaça e acomoda a cabeça no peito de sua mãe. Ela o acaricia e os dois ficam em silêncio por um bom tempo. Brian queria que esse momento nunca acabasse. Queria ter essa sensação para sempre. Mas, no fundo sabia que era uma sensação passageira e por isso aproveitava cada segundo ao lado da mãe. Cada carícia. Cada toque. Sua vida tinha se tornado um desastre desde a descoberta da doença. E agora com os dias contados o seu coração se apertava cada vez mais.
Brian sabia que agora as despezas seriam ainda maiores por causa dos remédios. Se eram mais potentes concerteza eram mais caros. Mas, para isso ele tinha uma solução. Mesmo se odiando por ter que fazer o que tinha que fazer, era tudo que podia fazer. Era por ela.
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O Alqumista do Fogo.
AdventureBrian, determinado a curar sua mãe, se envolve em um mundo no qual ele não se orgulha para poder pagar as dívidas que possui devido ao tratamento da doença. Mas, depois de descobrir um poder adormecido dentro de si ele se envolve novamente em um mun...
