Passadas algumas horas amarrado a esta cadeira, num escuro absoluto, posso observar muitos fatos de minha vida passarem como um filme. Coisas do passado que moldaram o que sou hoje. Porém, os acontecimentos que se sucederam de forma linear e irreversivelmente direcionados a esta situação completamente surreal, eu não consigo me lembrar com clareza.
Numa cela úmida, cheirando mofo, braços e pernas amarrados à uma cadeira, com uma leve dor de cabeça, provavelmente indicando que fui trazido desacordado, mesmo porque não consigo me lembrar de nada além de me despedir de Ana Clara, sexta à noite, ao sair de sua casa. Quando recobrei a consciência já me encontrava assim.
Tentei sem sucesso chamar por alguém, porém não tive coragem de gritar. Não quis demonstrar desespero e tentei manter a calma diante de tal inverossímil condição. Mesmo porque acreditava que meus raptores não teriam o descuido de me prender em um local passível de socorro mediante gritos.
De repente flashes de memória começaram a disparar e tudo me levava a crer que isso era consequência dos progressos da minha investigação ao suposto candidato à presidência da república que surgiu de forma misteriosa no cenário político nacional com métodos nada convencionais e de sua organização que mais se assemelhava a uma seita de fanáticos!
Se eu estiver correto em minhas suposições eles devem querer saber o quanto eu sei, e provavelmente me PERSUADIR a desistir...
Eu deveria estar com medo, mas de alguma maneira sinto que não me farão mal. Afinal eu não poderei falar disso a ninguém. Quem acreditaria numa história tão fantástica? Primeiro porque não terei provas. Segundo porque nem sei direito a quem acusar. Terceiro e mais importante, porque eles já tem algo contra mim que acabaria com minha credibilidade!
Meus pensamentos foram interrompidos de repente pelo barulho de uma portinhola retangular que se abriu abruptamente à minha frente, fazendo brotar um feixe de luz e revelando alguns detalhes de minha alcova. Nada além de um quarto vazio com uma espessa porta de prisão.
– Confortável? – Disse uma voz masculina do outro lado da porta.
– Muito, se puder trazer um chá com torradas ficaria bem melhor! – respondi indignado, me lembrando da imensa hospitalidade demonstrada no edifício-sede do Grupo Radar.
– Vejam só! Manteve o bom humor... – replicou a voz com satisfação.
– Escuta aqui camarada... – Fiquei agitado, mas ao tentar me mexer, senti dores pelo corpo. – Hei... que fizeram comigo?
– Calma ai! Vai com calma... estamos decidindo seu futuro nesse momento... vamos deixar você pensando mais um pouquinho... depois conversamos.
Escuro absoluto novamente. Ouvi passos se afastando:
– Ei... Espera aí... – Gritei inutilmente.
Senti um misto de frustração e indignação. Uma dúvida inquietante tomou conta, acompanhada de um certo embrulho no estômago. Aquela sensação de que algo não está certo.
Se essa "organização" possui tantos recursos financeiros, humanos e tecnológicos, o que poderia acontecer afinal? Uma reviravolta histórica na democracia brasileira! E pior, ninguém teria noção de quem está por trás disso...
Comecei a me lembrar de como tudo havia começado há algumas semanas, no comitê de Pedro Alencar, meu chefe, mentor e, provavelmente, o próximo presidente do Brasil.
Eu ainda estava confuso, por isso comecei a refazer meus passos. Me lembro como estávamos todos aguardando ansiosos e confiantes o resultado da pesquisa encomendada pelo Sindicato das Indústrias Alimentícias, nossos aliados na campanha presidencial que deve começar em menos de 4 dias, dependendo do tempo que fiquei desacordado!
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O Protocolo
Science FictionUma campanha presidencial em tempos atribulados. Um pseudo candidato improvável. Um mistério envolvendo uma estranha organização. Ficção e realidade se misturam em uma história incrível sobre conspiração, poder e verdades obscuras.
