As coisas melhoram

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- MENSAGEM ON -

Isabel: oi, você tá bem? Por que tem faltando tanto? Estou preocupada.

- MENSAGEM OFF -

Eu não respondi. Estava morrendo de sono por ter passado a noite em claro, mas fui pra escola mesmo assim. Fui andando. Passei pelas mesmas praças onde meu pai costumava me levar quando eu era criança; não conseguia segurar as lágrimas. As lembranças me sufocavam. A imagem do sorriso largo que meu pai dava enquanto me esperava no final do escorregador me enchia de vontade de abraça-lo. Sentei num banco da praça e comecei a chorar, eu já tinha desistido de ir pra escola. No caminho de volta pra casa eu vejo um carro com um homem e uma garota no banco de carona. Era a Isabel.

O carro parou, ela desceu, veio em minha direção, e o carro foi embora.

Ela me olhou com os olhos arregalados e disse:

— O que houve?

E eu só conseguia chorar.

— Me deixa tentar te ajudar. - Ela falou com uma voz que transmitia uma sinceridade inexplicável.

Aquela foi a coisa mais linda que eu tinha ouvido naquela semana.

Ela me deu um abraço que juntou cada caquinho que meu coração tinha se tornado, enxugou minhas lágrimas e disse:

— Venha, eu te acompanho até sua casa.

Fomos andando até minha casa. Chegando lá ela disse.

— Eu posso entrar?

— A casa está bagunçada. - Eu respondi com uma voz meio trêmula.

— Não tem problema. - Ela respondeu olhando nos meus olhos.

Assim que entramos ela viu minha mãe sentada no sofá tomando café.

— Quem é ela? - Minha mãe me perguntou.

— É minha amiga. - Eu respondi com vergonha.

— Vocês não deveriam estar na escola? – Minha mãe perguntou com um rosto que expressava dúvida.

— Os professores faltaram. - Isabel retrucou rapidamente.

Subimos as escadas e fomos no meu quarto. Ela perguntou o que estava acontecendo e eu expliquei a situação que estávamos. Ela começou a chorar comigo.

— Sei o que é isso. - ela falou com uma voz baixa como se estivesse pensando alto

— Não, você não sabe... - Eu respondi olhando pra baixo.

— Minha mãe faleceu quando eu tinha 14 anos, eu moro com meu padrasto. – Ela respondeu com os olhos cheios de lágrimas

aquilo foi um choque em mim, eu não conseguia entender como uma pessoa naquela situação conseguia demonstrar tanta força e felicidade. Ela disse que se eu quisesse ela me ajudaria a sair daquela situação

— Você nunca vai esquece-lo, mas uma hora você vai entender que a vida vai seguir e ele já fez a parte dele aqui, agora faça a sua. - Ela disse.

Cada conselho que ela me dava me deixava menos triste e a deixava mais linda aos meus olhos.

— Vem, vamos dar uma volta na cidade. - Ela falou pra mim enquanto sorria.

Então fomos; ela me levou onde ela costumava frequentar quando era criança. Era um parque no centro da cidade. Paguei um açaí pra ela e ela me comprou um cordão escrito "stay strong" que significa "permanecer forte". Ela nem imaginava o quanto estava me ajudando. Em um dia ela fez por mim o que ninguém tinha feito na minha vida toda. A tarde foi passando, e com ela a tristeza que eu estava sentindo. A Isa já tinha se tornado uma das pessoas mais especiais para mim. Já estava a noite, então levei ela até sua casa e depois fui para minha.

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