Um homem caminha pelo centro de uma estrada de terra. Um capuz sobre a cabeça cobre por completo o seu cabelo e dificulta a visão de seu rosto. Em suas costas, um grande pacote de couro enrolado e seguro por uma corrente que lhe atravessa diagonalmente o torso.
Após a "Grande Revolta", como ficou conhecida a traição dos humanos, o mundo todo parece ter voltado séculos atrás e está de volta à idade média. Não fosse a presença de alguns resquícios da era tecnológica, poderíamos mesmo dizer que estamos vendo ainda a idade das pedras.
Carros, meios de comunicação e armas são muito utilizados pelos povos retroativos (como são chamados pelos usuários de magia demoníaca) dentro dos muros das cidades protegidas pelos exorcistas juramentados à igreja, porém, além desses lugares, agora já raros, não se vê mais tanto material tecnológico.
Obviamente! Afinal, quem precisa de carros ou telefones quando se descobriu as chaves dos portais ou os selos da telepatia.
Depois das cidades cinzentas dos exorcistas, apenas sobram os caminhos de terra dos clãs. O mundo inteiro está ficando cada vez mais parecido com uma visão de um inferno estéril, sem vida. Há boatos que , onde os contratos existem há mais tempo, a primeira geração de demônios terrenos já governa com leis de fogo a vida dos pobres plebeus que ali estão.
"Bom, acho que já deu" diz o homem em voz alta. Ele retira das costas o pacote e abre-o no chão. Aberto, ele revela três espadas embainhadas.
"Esse couro conseguiu pesar mais do que as próprias espadas. Acho que a próxima cidadela já está por perto. Deve ter um bom lugar lá para dormir e beber um bom vinho."
O homem retira o capuz e revela um rosto com uma pequena cicatriz em formato de cruz na bochecha esquerda.
"O sol ainda está alto demais. Que droga"
De repente, o rosto do homem se modifica. Suas feições tornam-se sérias e seus olhos ficam vidrados , sem piscar. Um som sibilante corta o ar e um objeto se aproxima com uma velocidade extraordinária. Em um movimento lateral, ele se joga para fora do caminho enquanto observa a flecha que foi lançada contra ele passar direto.
Quem atirou?
Ele passa vasculhar as redondezas em busca do autor mas não encontra e nem consegue sentir ninguém. Ele está atento. Qualquer mudança no ambiente pode ser percebida. De repente: um segundo disparo. Dessa vez a flecha vem de frente. Ele se inclina o corpo em direção ao solo para diminuir o alvo e corre para pegar suas espadas.
Tarde demais. Era tudo uma distração. Enquanto ele desviava da flecha, alguém invocou um círculo de transportação ao redor de suas armas que, neste momento, parecem estar sendo engolidas pelo próprio chão.
"Reditus aeternam" ele grita e as espadas voltam ao lugar onde estavam. Ele pega uma delas e a joga em direção à distante floresta de onde vieram as flechas.
Ele então pronuncia os selos "Ut Per Me".
Instantaneamente, ele aparece empunhando a mesma espada que havia jogado contra a floresta e que agora empalava o peito de um arqueiro. Ele olha para o lado e se depara com uma jovem de cabelos prata, terrivelmente assustada com sua presença.
"Amor Fati", uma manipuladora do tarot negro. Ele fala. "Quantos demônios você domina?".
A garota assustada se levanta e sai correndo.
"Droga, gastei energia demais com essa brincadeira. Se eu usar mais uma vez a magia de tempo , mal me aguentarei em pé".
Ele então passa a correr atrás dela.
"Espere, espere! Não irei lhe machucar! Afinal, não foi como se você estivesse atirando as flechas, não é mesmo? "
A garota acaba tropeçando em um pedaço de tronco e cai.
'Ai, droga, meus pulmões! Você sabe o quão difícil é correr atrás de alguém com três espadas nas costas???Agora me diga...Quantos demônios você contratou?'
"Eu não possuo nenhum demônio! Me deixe ir! Eu fui paga para fazer esse trabalho! Não tenho magias de ataque!"
"Ora, ora...Se não possuis contratos , como utilizas as magias?"
"É um dom! Eu faço isso desde pequena! Minha mãe me ensinou!!!"
O homem fica em silêncio.
Ele então percebe o que está acontecendo. Está diante de um demônio terreno de primeira geração. Por isso ele usou mais energia do que o usual no feitiço de eterno retorno.
Instintivamente, ele agarra a empunhadura da sua espada do meio: a sua dragonslayer.
"Ela deve morrer. Ela é um sintoma do apocalipse"
A garota fecha os olhos, já esperando por seu destino.
Ele fecha mais ainda a mão ao redor da empunhadura, mas ainda sem desembainhá-la.
"Serei caridoso. Um golpe limpo. Um único golpe. Ela mal o sentirá."
Fim do capítulo 1
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O Caçador de Legiões
FantasyApós cem anos de guerra entre as dimensões celestiais e demoníacas, os arcanjos ensinam a dez clãs humanos os segredos do exorcismo, para que eles pudessem defender a dimensão terrestre em uma possível invasão. Porém, como esperado da natureza human...
