Já são quase 10hrs da noite, estou sozinha andando pela avenida rumo a minha casa. A avenida está deserta, a noite fria e eu estou parecendo um picolé.
Faltam 100m para chegar até meu apartamento, estou com medo, pois nunca andei a noite sozinha.
"O que deu em minha cabeça ficar até tarde na escola", penso enquanto fico com os olhos e ouvidos atentos a qualquer movimento.
Ando e consigo ver meu apartamento de longe, passo perto de um beco e um cara sai de lá e começa a me seguir. Aperto o passo mas não adianta ele me puxa para perto machucando meu braço.
- Me solta!! - falo com medo e tentando escapar dele.
- Não te solto... Quero você pra mim - fala autoritário.
- Por favor moço deixa eu ir... - falo tentando não chorar.
Ele não escuta e começa a beijar meu ombro tirando a manga da minha blusa. Tento empurra-lo para eu fugir mas tentativa vã.
- SOCORRO!! - grito
- Cala boca sua vagabunda se não eu te mato - ele fala apertando mais meu braço, olhando nos meus olhos e mostrando sua arma na cintura.
Fico imóvel com medo dele pegar a arma, ele começa a tentar tirar minha blusa até que vejo um rapaz chegando e dando um soco no cara fazendo o mesmo me soltar.
Saio correndo me escondendo atrás de um arbusto e escuto um tiro, não demora muito vejo o cara que me atacou correndo.
Olho para o lado em que o cara correu e o vejo longe. Volto até o local onde o cara me atacou e vejo o rapaz que me salvou ensanguentado com um tiro na barriga.
- Moço vou ligar para a ambulância - falo pegando o telefone.
- Não, só me ajuda a chegar em minha casa - ele fala segurando minha mão.
Guardo o celular e o ajudo a levantar, vejo que ele está sentindo muita dor. Apoio o braço dele atrás do meu pescoço.
- Sua casa é longe? - pergunto olhando em volta.
- Não... É logo a frente - fala gemendo de dor.
Andamos uns 20 metros e paramos enfrente à uma casa feita de alvenaria, pintada de marrom e cinza. "Que casa fofa", penso.
- É aqui... - fala parando.
Abro o portão de grade e andamos até a área.
- Cade as chaves? - pergunto o olhando.
- No meu bolso... - fala tirando a mão do meu pescoço e pegando a chave.
Abro a porta, entramos e eu o ajudo a sentar no sofá, volto encostando a porta.
- O que você quer que eu faça? - pergunto amarrando o cabelo num coque.
- Tem uma maleta de primeiros socorros ali... - fala apontando para a porta da estante.
- Tá... O que eu faço agora? - pergunto pegando a mala e colocando do lado dele.
- Tira minha camisa - ele fala levantando os braços lentamente por causa da dor.
Tiro a camisa bem devagar e coloco a mesma no chão.
- Agora pega gases dentro mala e limpa o sangue - ele fala apontando para a mesma.
Pego os gases, vou limpando e os jogo em cima da blusa.
- Não para de sair sangue - falo limpando.
- Limpou pelo menos em volta - ele fala calmo.
- Sim...
- Agora pega o álcool e joga em cima - fala.
Eu pego o álcool e vou jogando lentamente até chega no furo da bala e ele quase grita de dor.
- Aii - falo parando de jogar o álcool.
- Está tudo bem... - fala calmo - Agora tem uma pinça dentro da mala. Pega ela e tira a bala.
- Ta... E agora como tiro? - falo pegando a pinça e olhando para o furo da bala sem saber o que fazer.
- Coloca as luvas que estão dentro da mala também - fala e eu obedeço - Agora com uma mão abre a ferida e com a outra tira a bala com a pinça.
Faço o que ele pede, mas quando encosto na bala e geme de dor.
- Ai meu Deus - falo indo tirar a pinça mas ele segura minha mão - Isso ta doendo em mim... - digo e ele ri.
Seguro a bala novamente e ele geme e eu fecho os olhos. Puxo a bala e coloco em cima dos gases sujos de sangue.
- Pronto e agora? - pergunto colocando a pinça lá também.
- Agora limpa novamente e costura - fala.
Pego os gases limpando, pego a agulha e coloco a linha. Limpo o local com álcool e conheço a costurar, dou quatro pontos e no final dou um nó.
- Pronto - falo colocando a agulha em cima da mesinha da sala.
- agora enrola a faixa... - fala tentando se levantar e eu o ajudo.
Pego a faixa na malinha, ele segura a ponta e eu vou enrolando.
- Apertar um pouco mais - ele fala e eu obedeço.
- Assim? - pergunto e ele concorda.
Termino de enrola e coloco uma fita no final para que não desenrole.
- Você precisa tomar algo pra dor, se não você não vai conseguir dormir - falo ajudando ele sentar.
- Dentro da mala tem uns rendidos, pega eles para mim e água na cozinha que fica aqui atrás - fala e eu faço que ele me pede.
Enquanto ele toma os remédios, eu pego o álcool e encho uma vasilinha colocando a agulha e a pinça para esterilizar. Arrumo a mala e coloco ela onde estava.
- O que eu faço com isso? - pergunto me referindo a roupa e os gases ensanguentados.
- Pode jogar fora... Joga no lixeiro da cozinha - ele fala.
Vou até a cozinha jogando-os no lixo, lavo minhas mãos e volto.
- Precisa de mais alguma coisa? - pergunto.
- Não... Deixa que eu te levo até sua casa - ele fala tentando levantar.
- Não precisa... Minha casa fica a 10m daqui - falo fazendo ele sentar novamente.
- Tem certeza? - ele pergunta.
- Sim... Pode ficar tranquilo - falo indo até a porta.
- Então vou te acompanhar até o portão - fala se levantando lentamente.
Andamos até o portão em silêncio.
- Muito obrigada por me livrar daquele cara - falo sorrindo.
- E obrigado por me salvar... Se você não tivesse voltado para ajudar eu teria morrido - fala sorrindo também.
- De nada... - falo indo.
- E aliás... Prazer Gabriel - fala acenando.
- Sophia, muito prazer em te conhecer - falo acenando de volta.
YOU ARE READING
A Dama eo Vagabundo
RomanceSophia, uma menina doce e amigável que tem apenas 18 anos e já terminou os estudos. Sonha em casar e constituir uma família. Gabriel, um rapaz vagabundo que tem 20 anos e que não quer saber de nada da vida.
