Ela abriu os olhos inesperadamente, respirou fundo e não pensou em nada. Apenas deixou que o ar entra-se em seus pulmões e sentiu o oxigênio invadindo seu corpo. Camille era o seu nome, uma menina normal.
Bom o normal dela era um pouco diferente. Quero dizer, cada um tem o seu normal, ela também tinha o dela. Era uma garota de dezessete anos, com uma personalidade de causar inveja, encantadora. As pessoas que a conheciam se encantavam por ela, não apenas por ser bonita, mas principalmente pela ótima educação e respeito que tinha pelos outros e a forma como ela conseguia compreender e ouvir as pessoas. Claro que assim como todos nós, ela também tinha o seu lado doidinho que às vezes a atrapalhava um pouco. Libriana com ascendente em Virgem logo se percebe que não era um pessoa muito normal, sempre muito indecisa e quase sempre perfeccionista. Era ótima em fazer amizades, entretanto não significava que não era tímida em alguns momentos. Mas algo que sempre estava com ela era sua bipolaridade, não importava a hora ou lugar, seu humor podia mudar a qualquer momento, porém é algo típico dos adolescentes nesta fase da vida. Tinha seus ideais e sua opinião sobre o mundo em si. Determinada, gostava de viver a vida e aproveitar os pequenos momentos.
Piscou os olhos duas vezes e puxou a maior quantidade de ar que conseguiu e em seguida o soltou lentamente em uma tentativa de se acalmar, "primeiro dia de aula" pensou. Sentiu um frio na barriga e uma sensação estranha como se borboletas voassem desesperadamente dentro dela. Passou seus braços sobre a mesma e se contorceu fazendo uma careta. Olhou as horas em seu celular. Eram seis e meia da manhã. Precisava se levantar, mas sua cama estava tão aconchegante e quentinha que não queria sair. Seria muito mais fácil ficar na cama à ir para uma escola nova, muito mais fácil desistir do que encarar o novo.
Pensou novamente "É o primeiro dia de aula" aquela sensação estranha voltara, mas dessa vez não se contorceu. Apenas fez uma careta e se sentou na cama com as pernas esticadas, cobertas pelo edredom. Sentiu as mãos suando e um calafrio subiu pelo seu corpo. Mexeu em seu longo cabelo castanho com roxo nas pontas que batia no final de suas costas, passou a mão por entre ele e fez um coque frouxo. Tirou as cobertas de suas pernas e colocou os pés no chão que estava gelado. Olhou em direção aos seus pés e esperou se acostumar com a temperatura enquanto sua cabeça estava a mil por hora. Pensou "primeiro dia de aula, nossa... escola nova... pessoas novas...cidade nova... tudo novo, será que vai dar certo? E se eu fizer algo errado? O que as pessoas vão pensar de mim? Se bem que eu não me importo com o que os outros dizem, mas e se eu não me adaptar? E se eu não fizer amigos? ". Fechou os olhos e respirou fundo "para tudo tem uma primeira vez" pensou a garota, olhou para frente e viu o quadro que havia feito a pouco tempo que dizia "Que a sorte esteja sempre ao seu favor" era uma frase de um livro que ela amava, "Jogos Vorazes" no qual admirava a coragem que a personagem principal demonstra ao longo da história.
- A sorte nunca está a nosso favor. - Disse a menina olhando todo o seu quarto que era simples, mas ela tinha planos para deixá-lo mais interessante.
Levantou da cama e se espreguiçou. Olhou para a cadeira da mesa do computador a sua frente onde estava sua toalha de banho, pegou-a e foi em direção ao banheiro. Seu quarto ficava no final de um corredor muito extenso no segundo andar de sua casa e era o único que havia no corredor.
- Pronto! Além de ter mudado para uma casa nova, ainda tenho que ficar no quarto mais distante e isolado. O que eu virei agora? Rapunzel pra ficar no quarto mais longe? Perá, É a Rapunzel ou a Bela Adormecida? Que fica na torre mais alta? Ou será que é outra? Affs, sei lá! Nunca gostei desses contos de fada cheios de "aí sou uma princesa indefesa que corre perigo e preciso de que o príncipe me salve". Patético! Nós mulheres somos muito fortes e corajosas, capazes de cuidar de nós mesmas. Podemos fazer qualquer coisa que quisermos e não precisamos da aprovação ou ajuda de ninguém só por sermos mulheres. Somos capazes, eu sei que eu sou. Mas se bem que as novas versões dos clássicos estão super fodas! Nossa eu tô é ficando louca falando sozinha. - Disse a menina indo em direção ao banheiro.
Entrou e tirou suas roupas, foi até o chuveiro abriu o registro esperando que a água quente caísse sobre seu corpo, para tirar toda ansiedade e medo que sentia, mas não acontecera nada. Achou estranho e olhou para cima. E de repente um jato de água fria saiu. Caindo em seu rosto, assustando a menina que furiosa disse:
- Que a sorte esteja sempre ao seu favor. Até parece! - disse com uma voz fina em um tom de deboche.
A água fria para ela não era nada demais. Mas no momento em que a água caiu em seu corpo, Camille começou a se lembrar de coisas que para ela não fazia sentido. Imagens borradas, vultos e luzes, confusas como um sonho sem um começo ou fim. Não faziam qualquer ligação com algo que ela já havia vivido em sua vida. Mas ainda assim tudo fazia muito sentido para ela. Como uma lembrança que estava perdida e em seguida fora encontrada. Ouviu alguém chamar seu nome algumas vezes, porém não conseguiu entender se era nas memórias ou se alguém realmente estava a chamá-la na porta do banheiro. Respondeu e não obteve uma resposta. A garota estava com os seus olhos abertos mas era como se não pudesse ver, nada além dos borrões e luzes que uma hora eram fortes e quentes e depois mais fracas e frias.
A menina respirou fundo e fechou seus olhos e ficou os pressionando para que ninguém pudesse abri los. E para que nada mais estranho viesse a aparecer. Abriu seus olhos depois de um tempo já com os mesmo fechados, se viu em um local muito escuro que só havia uma luz bem forte acima de sua cabeça mas no local não havia teto, não era o sol pois não transmitia calor. "Como pode com uma luz tão forte estar tudo tão escuro?" ao fim de seu pensamento o local se iluminou, tudo estava branco, por debaixo de seus pés subiu uma fumaça preta que tapou a sua visão , mas em questão de segundos saiu. Camille se encontrou deitada em uma maca de hospital com vários médicos a empurrá-la por um corredor. As luzes do teto eram fortes e obrigavam-na a manter seus olhos o menos aberto possível. Ela ouviu uma voz feminina dizendo: "Cuidado, pelo caminho que você vai percorrer. Por mais que seja inevitável o que está prestes a vir tenha cuidado. Eles estão vindo! prontos para acabar o que começaram e dessa vez sem remorso algum" Camille olha para cima e ver uma enfermeira. A mulher está a olhar para frente mas vira seu rosto lentamente na direção dela, seus olhos estão fechados e quando os abre, ela se assusta. Os olhos da enfermeira estavam completamente pretos. A menina sente seu rosto quente, a água do chuveiro começara a cair sobre ele. Abrindo os olhos percebe que estava de volta ao banheiro. Agradeceu por estar lá e não em uma maca de hospital, e em seguida tomou um banho bem demorado.
- Não quero mais coisas na minha cabeça, já basta o primeiro dia de aula. - Disse a menina com suas mãos cobrindo seu rosto enquanto a água caia sobre o mesmo.
