Touca

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Vida: 1. Algo que deve ser cuidado, ser auxiliado, por si próprio ou com a ajuda de outra pessoa, deve ter esperança, emoções, brincadeira, tristeza, altos e baixos, comida  e por fim a morte. 2. Algo sem definição própria. 3. Como Cloe me ensinou a fazer.

Me disseram que eu poderia voar, mas não me deram asas para isso. Me falaram que a vida é fácil, mas me apresentaram o conceito da vida no espaço tempo.

Minuciosamente foi selecionado o que eu precisava saber, e ao mesmo tempo me faziam não entender nada.

Quando tudo é muito simples e estritamente complexo, onde o estritamente complexo e simplesmente fácil.

Te dizem para mostrar o simples, agradável e maravilhoso, mas te passam a fórmula mais difícil.

Cloe, cloe, cloe, tão distante e perdida parece uma menina confusa, mas é só uma fase, diziam a ela. Cloe gosta de gatos e esse é o único relato, ela via algo que ninguém via, eu cheguei a sentir, ela não me contava de jeito nenhum. O que será que tem dentro daquela menina.

Podem me chamar te desempregado, preguiçoso e desgovernado, eu não ligo. Eu estou morto, não sinto, não cheiro e não como, estou aos ossos, mas pra mim é normal, tanto faz.

Para cada demônio existe um anjo, mas para cada anjo existe uma pessoa, porém uma pessoa pode e tem a capacidade de ser um anjo, mas quem cuida do tal? Quem olha pra os tais "pessoanjos"? quem os guarda? quem os coloca para dormir a noite sobre uma cama fofinha é quentinha? Que relação é essa onde você só vê o seu lado? Por que não vê a luta do seu anjo com o Demônio? Dessa vez sem querer vi o lado do meu anjo.

Me encontro a procura de explicação, com tanta fome eu obviamente estava na rua á procura de explicação, até que eu chego em uma lanchonete, lugar onde eu também "obviamente" não tinha planejado de ir.

Entro e peço o de sempre, como todos os dias a garçonete me traz café gelado, até que hoje no final do café, bem no finalzinho, tinha um gole quente. A porta da lanchonete se abre e Cloe entra, ela estava com um casaco de veludo e com uma touca de gatinho, querida Cloe, sabia que não era fácil o inverno de Balmer. Como uma garota qualquer de 9 anos estava com sua mochila rosa, a única coisa em comum que Cloe tinha com relação as outras crianças.

Cloe estava na companhia de sua mãe, uma mulher de negócios, parecia segura, com um bom emprego, era moderna e encantadora.

Essa foi a primeira vez que vi Cloe.

Ao me perder entre minha xícara de café e o jornal que estava lendo, o mesmo que sempre estava embaixo do meu braço quando eu saia, me deparei com a touca da garotinha que acabara de ter esquecido na lanchonete, porque uma garotinha deixaria sua touca de gatinho em uma lanchonete?

Fui a procura da menina mas elas já tinha saído faz tempo, perdi muito tempo com aquele jornal estúpido, decidi levar a touca de Cloe até a recepção, perguntei se Cloe e sua mãe frequentavam a lanchonete, a garçonete me olhou com cara de torrada sem mel, horrível, falou que era a primeira vez da menina ali, pegou a touca e a levou para os achados e perdidos da loja. Eu resolvi ir em bora, diferente de qualquer dia eu não sai da lanchonete com gosto de café frio na boca.

"No escuro qualquer um mostra quem realmente é. No escuro não tem ninguém te vendo, o escuro é solitário, onde qualquer ser humano mostra o seu lado mas selvagem, tudo está claro, a dor, a tristeza e a raiva, são as verdadeiras intenções da humanidade, o ser humano cru". Mas o que leva a pensamentos tão estúpidos como esse? Porque na verdade os monstros se fantasiam de gente e sem motivos nenhum nos atacam, deixando mais pessoas com dor, tristeza e raiva. Essa gente são só monstros, porque o ser humano cru sem ganância, dinheiro e poder, nos entrega o melhor. Isso não significa que não podemos ter dinheiro para comprar nossos lanches, carros e sapatos, na verdade é ótimo ter dinheiro, porém ninguém é produto, ninguém é uma bolacha Cramer na prateleira dá vida, o seu dinheiro não compra gente, não traz alegria e não traz a vida. No escuro só estamos procurando algo que nos tire de lá, que não nos faça ter mas dor, tristeza e raiva.

No dia seguinte fui a lanchonete novamente e perguntei de Cloe, mas ninguém a viu. Eu pedi a touca de volta para a garçonete e o estranho foi que ela me devolveu sem exitar, essa gente não liga pra nada, nem mesmo se uma garotinha perdeu sua touca.

Sentei em uma das mesas e encarei aquela coisa por horas e horas, e nada aconteceu, até que de tanto olhar eu me levantei e sem querer bati minha perna na mesa, doeu um pouco, e por um acaso, a touca caiu. Estranho como algumas coisa acontecem por acaso, Cloe ter entrado na lanchonete, o café com fundo quente, a toca dá Cloe ter caído no chão e eu conseguir ver uma etiqueta escrita "se achar devolver na rua Limon nº12 - Balmer-CD". E essa foi a segunda vez que eu tinha saído com uma sensação diferente daquela lanchonete.

Voltei para o meu apartamento alugado, entrei no Moob maps e achei a casa da menina, peguei meu cachecol velhinho mas muito confortável e fui a procura da casa da Cloe.

Quando cheguei na rua de sua casa sabia que não estava no meu lugar, quem tem cortinas de lã de carneiro de 3 metros na janela de casa? Aquela era uma das ruas mais nobre da cidade, todos que passavam na rua não consegui desviar o olhar de desprezo sobre mim. A casa dá Cloe era grande e bem azul, um azul normal, não como o céu nos dias de verão, mas um azul meia boca, achei estranho para uma garotinha tão alegre como Cloe.

Toquei a campainha e com muita ignorância fui recepcionado.

-Acho que o senhor está na casa errada.

-Não, me desculpe você deve ser o pai da Cloe.

- Sou Mordomo Lincon, como conheceu Cloe? Saia já daqui.

-Vi Cloe na Lanchonete Mr.Dongont e encontrei a touca dela e resolvi trazer até aqui.

Cloe foi buscar uma bolacha na cozinha quando se deparou comigo segurando sua touca, ela correu até meus braços como se eu fosse um grande herói, foi como eu me senti.

-Obrigado onde ela...

-CLOE se afaste já, vá para o seu quarto, menina já disse para não comer besteiras, e o senhor vá embora daqui agora! - Gritou a mãe da menina, nunca vi tanta raiva num tom de voz.

-Eu já estava dizendo isso a ele madame mas ele estava insistindo.

Não sabia o que falar, estava sem palavras perante aquela mulher.

-Va em bora, está fazendo o que aí parado?

-Han...

Nunca fui tratado com tanta ignorância na minha vida, mas aquela sensação de ter ajudado Cloe, foi impagável, como ela conseguia ser uma garotinha tão especial dentro de um palácio de pedras com aqueles tipos de pessoas sobre o mesmo teto? Dizem que o dinheiro muda as pessoas, mas nunca imaginaria que poderia mudar tanto, ou não sabia que a mãe da Cloe estava numa escuridão esperado que alguém a ajudasse, assim como eu!

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⏰ Last updated: Jul 01, 2017 ⏰

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CLOEWhere stories live. Discover now