Poer

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Eu sempre gostei de vir para cá. É silencioso e bonito. Como se fosse meu esconderijo secreto.
E quando o sol deixava o céu, eu me sentia em um outro mundo. Talvez eu me sentisse mais... vivo.

Esse prédio barato, com a pintura desgastada e caindo aos pedaços, podia não ser o mais confortável. O apartamento podia ser pequeno pra minha mãe e meus irmãos. Eu podia ter que não comer pra sobrar pra eles. Mas eu nunca vivi me remoendo.

Eu estudava durante a manhã, trabalhava de tarde e cuidava dos meus irmãos ao anoitecer para minha mãe poder ir trabalhar. Numa noite calma, eu conseguia dormir 4 horas seguidas.

Mas às vezes, quando conseguia sair mais cedo do trabalho, subia uma pequena escada escondida nos fundos do prédio. Não era como se o terraço fosse mais bem cuidado. O chão arranhava bastante e a sujeira manchava minhas roupas.

Mas em raras ocasiões, quando isso acontecia, fazia tudo valer à pena.

Nunca tive medo de altura, então nunca tive problema em sentar naquela beirada.

Quando o vento acariciava meu rosto, eu esticava meus braços e tinha certeza que podia voar.

Em poucos segundos, o pôr do sol acabava e o tom alaranjado ia se desfazendo nas nuvens. O ar ficava cada vez mais frio.

E quando eu podia finalmente enxergar o brilho das estrelas, respirava fundo e sorria.

Sabia que era hora de voltar pra casa.

E que logo voltaria a ver o pôr do sol novamente.

PoerWhere stories live. Discover now