– Mari, acorde e vá se arrumar para irmos para a casa da sua avó, o meu vôo ira ser às 18h, e já são 12h, se apresse. — Minha mãe dizia ao me balançar na cama, fazendo com que eu acordasse.
– Juliana, se você não parar de me balançar, irei imediatamente chamar o senhor César, para lhe dar uns puxões de orelha. — Eu disse rindo enquanto me desviava dos balanços que ela me dava.
Ela começou a rir, minha relação com a minha mãe não tinha como ser melhor, eramos melhores amigas e inseparáveis, até uma proposta de emprego nos afastar.
Minha mãe saiu do quarto e eu me levantei da cama e fui direito para o banheiro, fui tomar banho. Demorei em torno de uns 15 minutos, e fui para o meu quarto me arrumar.
Passei o pente pelo meu cabelo que era totalmente liso, e preto como carvão.
Logo em seguida coloquei uma blusa de moletom, e minha calça jeans preferida, e por último, calcei meu all star preto.
– Querida, posso entrar? — Meu pai disse ao bater na porta do meu quarto.
– Claro papai. — Me sentei na cama, esperando que ele entrasse.
Ele entrou e sorriu para mim, não era o melhor sorriso que ele poderia me dar, mas sei que ele se esforçou no máximo.
Ele se aproximou, e se sentou do meu lado.
– Mari, vai ser muito difícil passar esses 15 anos longe de você minha princesinha.. — Uma lágrima escorreu pelo rosto dele enquanto falava. – Porém, é a única opção que restou para sairmos desse poço que entramos.
Papai e mamãe estavam desempregados a 10 meses, e a nova porta que lhes abriu, foi em Paris. Eles iriam trabalhar lá por aproximadamente 15 anos, até terem dinheiro suficiente para conseguirmos viver aqui no Canadá, enquanto isso eu iria morar com a minha avó Cecília, em uma fazenda.
– Papai.. — Falei limpando suas lágrimas que escorriam sem parar em seu rosto. – Eu também irei sentir falta de vocês, mas eu entendo que é o melhor para a gente, e por mais que isso seja difícil.. Ficarei forte e aguentarei esses 15 anos longe de vocês. — Eu disse segurando as lágrimas que insistiam em cair.
Eu e meu pai, eramos grudados desde quando eu nasci, minha relação com ele não era das melhores, porém ele sabia me aconselhar em momentos difíceis, e eu sabia que ele me amava mais do que tudo. E eu também o amava.
Ele se levantou, e pegou e minhas mãos. Fomos até a cozinha onde a mamãe estava, ela me abraçou bem forte.
– Querida, você vai se comportar? E me promete que quando conhecer um menino lindo, e encantador, ira me contar? — Ela disse rindo.
Meu pai revirou os olhos na parte que ela citou "menino lindo, e encantador", eu comecei a rir.
– Claro mamãe, manterei vocês informados.
– Quando o assunto for menino, nem adianta falar para mim Marianne. — Meu pai falou, fazendo cara de bravo.
Eu o abracei e comecei a rir, ele riu junto.
– Mari, agora é sério.. — Minha mãe soltou um suspiro e continuou. – Quero que você se cuide nesses 15 anos, e quero que saiba que independente de tudo, eu e o seu pai te ama muito, e em situação difícil que você estiver iremos estar prontos para te ajudar, e a distância não ira impedir.
Eu abracei os dois, e após muito choro, beijos e abraços, entrei no carro que me esperava em destino a fazenda da minha avó.
– TE AMAMOS AMOR!! VOLTAMOS LOGO. — Mamãe e papai disseram, enquanto acenavam para mim.
Eu acenava e mandava beijos, até eles sumirem de vista.
– Despedidas sempre são difíceis, o pior é quando elas são pra sempre. — O motorista falava, enquanto me olhava pelo retrovisor.
Limpei minhas lágrimas, e olhei para ele e sorri.
– Sim.. Não existe coisa pior..
– Me chamo Paulo. — O Paulo parecia ter por volta de 18 anos, era moreno, seu cabelo era castanho, e seus olhos castanhos.
– Me chamo Marianne, você trabalha na fazenda da minha avó? — Sorri ao fazer a pergunta.
– Sim, sua avó me acolheu no momento mais difícil da minha vida.. — Ele suspirou, e voltou a falar. – Fui abandonado pelos meus pais, eles não tinham condições para me criar, e me deixaram na porta da casa de sua avó.
– Ôh... — Eu simplesmente não sabia o que falar, então me calei.
– Você tem 12 anos? – Ele perguntou olhando pelo retrovisor.
– Sim, farei 13 mês que vem. — Sorri.
– Que legal, eu tenho 15.
Eu fiquei espantada, praticamente pálida.
Ele começou a rir.
– Mas.. — Ele me interrompeu e eu não consegui terminar de falar.
– Eu sei, eu sei. Minha idade não se bate com a minha aparência. — Ele começou a rir.
Eu sorri, e me calei novamente.
Se passou 30 minutos, e chegamos na fazenda.
– Senhora Mari, chegamos. Se quiser, eu levo suas malas até seu quarto. — Paulo disse, com um sorriso encantador no rosto.
– Senhor Paulo, eu agradeço, e confesso que quero sua ajuda, minhas malas estão pesadas, e eu só consigo levar 2.
Comecei a rir, e ele retirou minhas malas de dentro do carro, e caminhou em direção a porta da casa minha avó.
– CHEGAMOS VOVÓ!! — Paulo gritou, ao entrar.
– Que eu saiba ela só tem uma neta. Que sou eu, querido. — Eu falei com as mãos na cintura, enquanto o encarava tentando não rir.
Ele riu, e deu as costas.
– Não briguem por mim meus queridos, tem Cecília para todo mundo. — Minha avó falou ao descer a escada.
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Recomeço Entre Esperança
RandomMarianne tinha apenas 12 anos quando foi morar com sua avó, por decisão de seus pais. Eles se mudaram de país, indo morar em Paris, deixando Marianne no Canadá com sua avó. Desde então, Marianne teve que enfrentar todas suas dificuldades emocionais...
