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Agora já estou adulta, com 20 anos, terminando a faculdade de pediatra, ainda bem. Continuo junto com o amor da minha vida, o Mateus, também com amizade de todas as meninas, mas ainda não totalmente curada do meu problema de nascimento, o câncer.
O Mateus está fazendo faculdade de direito para conseguir entrar na polícia militar, onde meu pai trabalhava antes de morrer em uma operação.
Hoje eu e todo o resto do povo estamos organizando de ir em um bar para comemorar a nossa amizade, que está durando mais de 5 anos, um tempo bem grande para quem tem câncer não é mesmo.
Acabei indo com um vestido preto um pouco em cima do joelho. As meninas foram todas de calça ou vestido também. Fomos em um barzinho na rua da minha casa, ele era novo lá, bonitinho e bem organizado. Foi até legal lá, cada um começou a falar da faculdade que estava fazendo, se estava gostando, falando da vida que estava tendo, falando de coisas sem sentido, e assim foi nossa noite.
Fomos em bora três horas da manhã, só estava a gente lá no bar, o dono do bar indo toda hora na nossa mesa pedindo pra gente ir em bora, mas como cada um não sabia nem o que estava falando de tão bêbado, acabamos ficando lá ate mais tarde.
Todo mundo acabou dormindo lá em casa, um em cada canto da casa, um mais acabado que o outro, faltou só dormir no quintal – que seria engraçado, porque estava chovendo.
No dia seguinte, a gente acabou acordando com a minha mãe nos chamando pra acordar e ir arrumar a casa, porque ela disse que estava toda bagunçada.
Fomos correndo para a cozinha, porque todo mundo estava com muita fome. Acabamos comendo quase toda a despensa, só que também não tinha quase nada lá em casa pra comer. Depois a gente foi arrumar a casa, ficamos umas 3 horas arrumando ela, com uma música muito alta, rolando alguns pegas também, para aproveitar que a minha mãe não estava em casa.
Quando terminamos de arrumar a casa, já estava na hora de almoçar, cada um mais cansado e suado que os outros, com aquelas roupas horríveis, mas fomos almoçar assim mesmo em um restaurante perto da minha casa.
Comecei a ficar bem exausta, mas não falei nada pra ninguém porque sempre tinha isso. Chegamos no restaurante, não comi muita coisa. Então estava todo mundo parecendo grávida de tanto comer, mas acabamos indo pra casa mesmo assim. No meio do caminho comecei a passar muito mal, então falei:
- Gente, eu não tô bem, liga pra minha mãe agr.
- Mateus, vai sentar com ela em alguma sombra agr! – disse Ana Julia.
Enquanto eles tentavam falar com a minha mãe, eu e o Mateus fomos tentar achar uma árvore para fazer sombra  e sentar. Quando sentamos na calçada, acabei desmaiando e ficando amarela. Então antes que a minha mãe chegasse os médicos chegaram, o Mateus me carregou até a maçã, entrou na ambulância comigo, e fomos em bora. As outras pessoas ficaram esperando a minha mãe para levar eles no hospital.
Depois de umas três horas acordei, com todo mundo em volta de novo, e depois de um tempinho disse:
- Não me digam que estou careca de novo, e nem pálida por favor.
- Careca você não está, mas tá com o cabelo bem curto – disse a Bianca – e amarela também.
Olhei para todo mundo, mas não encontrei o Mateus e nem a minha mãe, então comecei a ficar preocupada.
- Gente, cadê a minha mãe e o Mateus?!
- Eles foram comprar algumas coisas pra gente comer enquanto ficamos com você – disse João Vitor.
- Atá, que susto.
Depois disso ficamos conversando, a minha mãe e o Mateus já tinham chegado, trouxeram um tanto de frituras e refrigerante e um suco pra mim. Ficamos ali conversando até umas 17 horas, até que todo mundo começou a ir embora, e acabou sobrando só a minha mãe e Mateus. Depois de mais algum tempo, os dois foram para fora da sala e começaram a conversar.

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⏰ Last updated: Jun 19, 2017 ⏰

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