Sangue e Sombras: A Ascensão dos Antigos

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UNDERWORLD
Saint' Orion - Os Filhos de Haqim

1º Capítulo - Traição.

O começo de cada grande sociedade é descrita como "barulhenta", um caos por assim dizer. Pessoas sempre tentando possuir mais terras e até mesmo entrando em guerras por isso, outras pessoas querendo ser donas de outras, como se sua riqueza e poder os levassem a um patamar de estar ao topo do mundo e as pessoas que estão em baixo? Ah, elas simplesmente são pisoteadas e obrigadas a serem escravos de suas próprias vidas e de um sistema escravocrata que as manipula, as controla e as pune. Pessoas como essas acabaram por construir impérios, sistemas e governos durante séculos de existência, apenas para ver como definhariam e acabariam sendo transgredido pela enorme ganancia de seu próprio povo, a ganancia dos humanos. No que podemos dizer por cima, nós até aprendemos com eles, leis foram criadas, padrões foram criados para que pudessem nos controlar, para que nós continuássemos escondido nas sombras vivendo nossas vidas pacatas e miseráveis. Com tudo, toda a sociedade sobrenatural de Vampiros havia se reunido, eles queriam um conselho, queriam uma elite padrão que acabasse com a algazarra, que acabasse com o jeito que irmãs e irmãos Vampiros agiam e se tratavam. Novas Leis foram criadas separando as espécies de vampiros por clãs, todos tinham seus direitos e deveres a se fazer e quem estivesse pensando em viver com um padrão de vida por fora delas, teria sua vida Ceifada pelo Véu Negro.

A lua cheia pairava no céu como um olho morto, observando tudo com a frieza impessoal de um juiz cansado. Nas cidades próximas, o ar parecia ter engrossado; não apenas gelado — espesso, como se alguém tivesse derramado medo líquido na atmosfera. A neblina rastejava pelo asfalto, faminta, enroscando-se nas rodas dos carros parados nas rodovias. E ninguém ousava sair. Nem para comprar cigarros. Nem para ver se o cachorro precisava mijar. Os humanos sabiam — de um jeito quase instintivo, quase ancestral — que aquela não era uma noite para estar do lado de fora.Era estranho, porém.Estranho até para ali.Os animais selvagens costumavam fazer daquelas noites um festim. Mas a floresta, agora, estava... suspensa. Não silenciosa, exatamente. Silenciosa demais. Como se cada coisa viva estivesse com a respiração presa na garganta, recusando-se a fazer qualquer som, por menor que fosse, para não chamar atenção de algo pior.E havia algo pior.Era uma sensação esquisita — aquela que começa no estômago, sobe pela coluna como uma mão gelada e termina latejando atrás dos olhos. Uma sensação que fala com você em sussurros: Fica parado. Não respira. Não olha pra trás. Uma sensação tão íntima que chega a ser ofensiva. Parecia que a própria floresta estava à espreita, observando, esperando... não como predador, mas como testemunha. Testemunha de um fim premeditado. Um fim inevitável.E a pior parte?Você sabia disso.Sabia, do mesmo modo que sabe que a porta não deve ser aberta quando escuta arranhões do outro lado. Sabia que havia algo ali — algo que não deveria existir, mas existia. Algo que não deveria estar caminhando naquela noite de lua inflamada, mas caminhava.E tudo, absolutamente tudo, estava apenas aguardando.— Vamos... vamos, já estamos quase lá — ele disse, mas sua voz saiu mais baixa do que pretendia, como se a floresta tivesse engolido metade das palavras.Os dois outros tropeçavam atrás dele. Dilan, o loiro de cabelo comprido e rosto coberto de arranhões, simplesmente parou.Não tropeçou: parou. Como se algo tivesse apertado o botão de desligar dentro dele. Depois caiu de joelhos, o corpo sacudindo levemente.— Deixe... deixe a gente, Alex. Se continuar ajudando, nenhum de nós três vai sair dessa floresta com a cabeça no corpo — disse Dilan. E embora sua voz soasse tranquila, havia algo podre ali. Uma calma desesperada. Algo que só existe quando a pessoa já viu o suficiente para não querer ver mais nada.Alex viu isso nos olhos esverdeados dele: não era apenas medo. Era certeza.— Não fala besteira, Dilan. Não vou deixar vocês aqui. — Alex tentou puxá-lo pelo braço, mas Dilan se retraiu como um cachorro surrado.— Você não entende... — Dilan murmurou, e havia um tremor novo, pequeno, quase infantil, na voz. — Essas coisas não são lobisomens normais.Ele levou a mão ao braço direito, apertando-o como se ainda sentisse a mordida.— Não... Eles são aberrações. Aberrações controladas por vampiros.A palavra vampiros pareceu deixar o ar ainda mais pesado. A mata pareceu ouvir.O olhar de Dilan desviou para Nolan, jogado contra uma árvore, inconsciente e amolecido como um boneco velho. O sangue seco na boca dele brilhava sob a luz da lua.Eles estavam destruídos. E, o pior: eram guerreiros antigos — séculos de combate — e ainda assim aquilo tinha sido demais para eles.— Ele tá certo... — Nolan resmungou, acordando como alguém que volta da beira da morte. Cuspiu sangue no chão. — Eles mataram todo o nosso esquadrão. Nem você, Alex... nem você conseguiu segurá-los. O mínimo que podemos fazer é levar a mensagem.A cabeça tombou novamente antes que ele terminasse de respirar fundo.A decisão caiu sobre Alex como uma pedra amarrada ao pescoço.Se voltasse para avisar o clã, deixaria dois amigos para morrer como animais encurralados.Se ficasse para lutar... seria apenas mais um cadáver na lista.Ele escolheu uma terceira opção.Uma que nenhum deles ousaria escolher em sã consciência.Com movimentos rápidos, quase automáticos, Alex rasgou as proteções dos braços e cravou as próprias unhas no pulso. A pele abriu com um estalo úmido. Sangue quente escorreu em linhas espessas.— ALEEEEX! — Dilan gritou, um grito que estilhaçou o ar parado. — O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?! ISSO É PROIBIDO!— Eu sei — respondeu Alex, e havia uma calma doentia em suas palavras. — Mas vamos voltar juntos. Os três.Ele ofereceu um braço a Dilan e outro a Nolan.Os dois hesitaram por meio segundo — meio segundo de humanidade — e então beberam.Foi rápido. Brutal.O som era o de sucção desesperada, como homens se afogando que descobrem um último sopro de ar.A luz deixou os olhos de Alex. Ele caiu para trás, mole, apagado.Mas Dilan e Nolan... os olhos deles acenderam. Como brasas empurradas por vento forte.Eles se levantaram como se tivessem renascido.Mais fortes. Mais rápidos. Mais perigosos.Agarraram Alex pelos braços e dispararam pela floresta. O chão parecia fugir sob seus pés. Mas os uivos... aqueles uivos... vinham atrás deles como uma muralha de dentes.— A fronteira de Saint'Orion! — Dilan gritou, agora mais rápido do que jamais fora. — Lá! Estamos quase!— Se chegarmos lá... — Nolan sussurrou, e havia esperança e desespero medidos igualmente dentro da frase. — ...estamos salvos.Mas atrás deles, na escuridão, algo grande e monstruoso também acelerava.Algo que não tinha intenção alguma de deixá-los cruzar a fronteira.

Blood And Shadow - Filhos De Haal'tharynStories to obsess over. Discover now