Prólogo

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Toda vida é uma história. Há as de amor, as trágicas, as de horror, as dramáticas… Há as curtas e as longas, há as boas e as ruins; as alegres e as tristes; as que fazem e as que não fazem sentido; as que têm e as que não tem moral no final. Há as que tem um propósito. Há as falsas e as verdadeiras.
E há a minha história. Uma história de ganhos e perdas. Longa, muito longa. Nem triste nem alegre; depois de um tempo nem a alegria e nem a tristeza existe para nós. Se faz sentido? Digamos que sim, talvez lá no fundo. Sim, há uma moral, mas ela, como em todas as histórias, só vem no final. Sem pressa de ensinar, sabe que para tudo tem seu tempo, ela só espera o dela.
Não pense que o que hoje digo aqui, para vocês, é mentira! Mesmo tendo todo o tempo que eu quiser, não o perderia criando mentiras.
Sim, tenho todo o tempo que eu quero; mas não sei o que fazer com ele. Às vezes, por mais prazeroso que seja a sensação de ter uma folha e uma caneta em nossas mãos, escrever se torna algo chato. Entendam, nada mais nos interessa tanto quanto antes, nos nossos primeiros anos de existência. As coisas, depois de um tempo, tornam-se chatas e monótonas. Até comuns, mas de um jeito entediante. O que não quer dizer que vou deixar de me surpreender com as coisas. Ainda sinto prazer em cheirar uma rosa e em nadar no mar.
Não somos monstros, como muitos de vocês nos enxergam. Não somos muito diferentes de vocês. Na verdade, somos fracos! Apenas usamos uma máscara, para cobrir nosso medo. Nada mais somos que atores, fingindo sermos normais quando estamos em público. Mesmo não admitindo, o que muitos de nós querem é ser humanos. Somos orgulhosos demais para admitirmos isso, até para nós mesmos.
Mas, cada um de nós tem algo para contar, para lhes contar. Eu mesma tenho tanto a lhes dizer!
Mas uma coisa de cada vez.
Muitos de vocês vão largar esta história assim que começarem a ler, mas deixem-me explicar algo: nem todos somos iguais ou somos o que parecemos. Vocês, em sua ignorância, nos amaldiçoam, mas não tentam ver as coisas como vemos, sentir como sentimos e viver como vivemos. Nem tentam entender nossa existência. Não temos culpa por hoje existirmos. Muitos de nós não pediu para hoje estar aqui. Simplesmente aconteceu. Muitos tiveram a escolha, e escolheram errado pela ideia de “juventude eterna” os seduzir. E muitos outros, como eu, tiveram sua vida roubada. Não nos julguem por não sermos normais. Muitos de vocês não compreendem que nós, os vampiros, somos apenas consequências. Não, também não sei como tudo isso começou. Não, não pedi para ter essa vida. Mas foi graças a ela que descobri o meu lugar neste mundo, que foi para essa vida que nasci.
Mas nem tudo é perfeito.
Vocês já sentiram como se tudo fosse arrancado de vocês? Cada coisa que lhe trouxesse alegria, cada momento de felicidade, e cada razão de um sorriso? Como se fosse uma maldição na sua vida que os impediria de serem felizes? Pois é. Foi assim muito, muito tempo. Talvez não tanto tempo, mas tempo o suficiente pra eu perceber que aquele era meu teste, que era por aquilo que eu teria que passar para provar a mim mesma de que eu era forte e de que merecia minha nova vida. E eu passei. Sim, somos seres fadados à isso. Na nossa vida sempre haverá perdas e ganhos; mais perdas do que ganhos. É nosso destino, se é que temos um.
Por favor, permitam-me lhes contar partes da minha história. A história sobre uma manhã em que vi um lindo pôr-do-sol... 

Pôr do SolWhere stories live. Discover now