• Patryk •
O vento bate forte em meu rosto, a longa estrada em minha frente parece não ter fim, a próxima cidade está a algumas horas de distância. Olho para o céu estrelado, observando os mortos que me acompanham noite após noite, sempre lá.
Depois que sai do exército, foi a casa de meus pais, dar um " oi " prós velhotes, mas eles já estavam a dez palmos do chão. Para falar a verdade, não fiquei muito surpreso quando um garoto ruivo atendeu a porta me avisando das condições dos velhos.
- Sinto muito, mas eles não moram mais aqui - Fala se desculpando.
- Ah... Tudo bem, obrigado mesmo assim - Falo agradecendo e voltando a minha moto.
Subo na moto, dando partida e indo embora do local, voltando a seguir sem rumo pelas estradas de terra. Esta velha moto ainda me serve bastante, a comprei antes de me alistar para o militarismo, antes de estragar minha vida.
Passei anos servindo na base vermelha, e por conta de um pequeno acidente, fui mandado embora sem segunda chance ou oportunidade de me explicar. Passei a ser " Inútil " para eles. Apenas aceitei de cabeça baixa, peguei minhas coisas e me mandei daquela buraco infernal, então, comecei a andar sem rumo por este mundo sem fim, estou a cinco anos nessa aventura, aos dezoito me alistei e, atualmente, estou com vinte e oito anos.
[ Dias depois ]
Finalmente chego em uma cidade pacata a alguns dias de minha cidade natal, passo alguns minutos olhando o mapa dá mesma, ela era como uma cidade " Fora do mapa ". Sorrio com a descrição, um bom lugar para se esconder ou ter paz e tranquilidade. Faço algumas volta pela mesma olhando a vizinhança, apenas uma casa para venda, outras para alugar, mas creio que o melhor é comprar logo.
Paro na frente dá mesma, bati na porta esperando alguém me atender, até uma senhora de idade abrir a porta, ela tem um sorriso simpático, é baixa devia a mão postura de sua coluna, a comprimento com um sorriso.
- Bom dia, vim ver sobre a venda da casa - Falo simpático, mantenho as mãos nos meus bolsos jaqueta - Sou Patryk.
A senhora se apresenta e abre espaço na porta, me convidando para entrar e tomar um café, fico um pouco receioso mas logo entro, me sento em um sofá na sala dá idosa, o local me trás algumas recordações, são boas. Algumas fotos em tons gastos, o que parecia ser ela e um rapaz; outra, uma foto de dela em um casamento; uma das últimas era dela em uma sala de hospital, com uma criança no colo. Após terminar de analisar tudo na sala, ela volta com uma bandeja e algumas xícaras de café, agradeço pegando uma e tomando um gole do líquido marrom escuro.
[ . . . ]
- ... E então, estou procurando uma casa para tentar ter um pouco de paz - Falo em resposta a senhora que ouvia atentamente a cada palavra - E, se me permite perguntar, por que está vendendo a casa?
- Oh! Não tenho mais idade para ter uma vida sozinha, faz meses meu marido faleceu e minha filha está me chamando para morar com ela, e não tenho opção a não ser aceitar - Fala deixando a xícara, agora vazia, na mesinha de vidro - Então, tens algum móvel? Oh! Sinto muito, minha memória já não é mais a mesma. Daqui a duas semanas você venha se instala na nova casa.
- Muito obrigado, do fundo do coração - Falo me levantando, a mesma me acompanhar até a porta, saio dá casa colocando a jaqueta novamente, subo novamente na moto e, antes de ir, aceno para a mesma que esperava na porta.
• Paul •
Me jogo na poltrona, exausto, correr atrás daquele pirralho é cansativo, ele não para por um minuto. Fecho meus olhos tentando descansar um pouco e então recuperar um pouco de paciência. Abro meus olhando quando ouço o barulho de cair, levanto dá mesma olhando o moleque em cima do balcão e o porta facas no chão.
- Você não cansa nunca - Falo o olhando nervoso, recebo uma língua como resposta, sinto meus rosto queimar de raiva, me aproximo do mesmo o pegando no colo e subindo as escadas e entrando no segundo quarto - Tudo bem, Tord. Esta tarde e você precisa dormir.
O coloco na cama, ele não aceita bem no início, mas logo solta um bocejo e se rende, puxando o lençol e pegando uma película de robô. Puxo uma cadeira e me sento ao lado do pequeno, o observo me olha do com os olhos pesados, até, minutos depois, ele cai no sono profundo. Me levanto soltando um suspiro, vou até a varanda da casa, puxo uma carteira de cigarros, pego um, o acendo colocando na boca e guardo o resto no bolso.
Trago um pouco dele, solto a fumaça depois de minutos, relaxo um pouco meus músculos sentindo um breve desconforto. Me sento em uma cadeira por perto, ouço o barulho dá porta ser aberta, olho para a mesma vendo o pequeno se esforçando para manter a porta aberta, me levanto indo em sua direção, o ajudo a abrir a porta, e passa correndo para uma das cadeiras. Fecho a porta, volto a me sentar na cadeira, mas agora com o pequeno em meu colo. O mesmo está com um moletom vermelho que é muito maior que ele, usa uma bermuda preta, ele está descalço.
Faço cafuné em seu cabelo, o mesmo já se ajeitava com sono, não era uma surpresa ver Tord voltar correndo, ele tem medo de ficar sozinho. Ja tentei tirar esse medo, mas é algo que ano se passa tão rápido, e talvez ele tenha razão, não acho que seja bom ele ficar sozinho, não é seguro, ainda não.
Não demorou para ele cair no sono, passo mais um tempo admirando as estrelas, até ver que estava tarde demais para continuar do lado de fora. Me levanto com o pequeno no colo com cuidado para não acorda-lo, entro na casa trancando a porta atrás de mim, subo as escadas e vou até meu quarto, deito o menor na cama, me deito ao lado dele o abraçando sentindo lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
" Por que não consigo dormir em paz? "
Penso abrindo meus olhos e encarando a parede a minha frente, fecho meus olhos tentando dormir ao menos um pouco, dá última vez que vi, já eram onze horas.
" Eu só queria viver em paz... "
Volto a pensar.
Fecho meus olhos mais uma vez.
Mas desta vez, caio em um sono profundo.
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After Us
RomanceTudo tem o seu lugar Tudo tem a sua hora E eu cansei de esperar A minha hora é agora Com os olhos na estrada Eu sigo em frente e não desvio Só eu e meu coração vazio
