Casa Nova

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Já passava das onze e meia quando Kyle acendeu seu abajur que refletia constelações no teto, ele se deitou e parou para pensar e sorriu. Estava satisfeito com a casa nova, a mudança, a chegada de mais um bebê a família. Aquela nova cidade cheirava a grama molhada, o que o fazia querer cair no sono rapidamente mas sua ansiedade não o deixava dormir, ele estava ansioso para que a segunda-feira chegasse. Para conhecer novas pessoas e quem sabe um "New Jeremy", amigo que precisou deixar em sua antiga cidade. Um vento forte soprou e junto dele o cheiro de mato que Kyle não sentia a muito tempo. Ao levantar para fechar a janela, ele olhou pro céu. A lua estava incrívelmente cheia e a sua luz era reluzente, iluminava até mesmo o jardim da casa que estava sem luz. Se deitou novamente e permaneceu na cama, por longos quinze minutos. Ao se virar ao criado-mudo, ele viu o potinho de remédios que sempre estava contigo. Levantou novamente e desceu as escadas, pegou sua bicicleta e saiu rápido pela descida da sua rua. Voltas de bicicletas sempre resolviam e ele não precisaria daquele maldito remédio. Chegando na rua principal, ele parou em um mini mercado e comprou algumas balas e amendoins. Quem sabe ao chegar em casa, Claire ainda não estaria acordada? Não iria dedurar seu irmão mais velho se ele levasse amendoins coloridos pra ela, não é mesmo? Ele então saiu do mercadinho e foi em direção à praia. Estava incrívelmente cheia e os bares ali por perto tocavam músicas insuportáveis, ele continuou até que pareceu enxergar seu amigo Jeremy ali, como se ele o chamasse para ir junto e quando olhou pra frente, uma garota e um terrível esbarrão.

- Porra, não tá vendo aonde anda? Filho da puta
- Pra uma garota sua boca é bem suja em. Disse Kyle.
- Suja vai ficar essa sua cara na hora que eu te fizer comer areia, imbecil.

Então ele apenas levantou a bicicleta e ficou parado observando a menina se afastar. Usava uma jaqueta de couro, tinha os cabelos curtos e meio claro, havia um cigarro na sua mão e uma garrafa de Heineken na outra. Naquele momento, ele pensou ter visto poesia e morte em apenas uma pessoa...

Chegando em casa, sua irmãzinha, como ele já esperava, o aguardava com a chantagem pronta nas mãos e ele com amendoins e balinhas de morango nas suas.

- Aonde está? Perguntou Claire.
- Amendoins e morangos, certo?
- Pode ser.

Colocou o saquinho de doces nas mãos da menina e subiu para o quarto. Deitou-se mais uma vez e virou para o lado da cama que ele conseguia enxergar a lua.
Mas mais uma vez, ele não conseguia dormir.
A ansiedade dessa vez, estava bebendo cerveja.

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